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2014 UZ224

Figura 01: Conceção artística de 2014 UZ224.

Na figura 01 temos o corpo planetário 2014 UZ224.  Talvez você tenha achado esse nome estranho ou até mesmo difícil, e neste caso,  é meu dever informar-lhe que este objecto está a ser chamado carinhosamente de “DeeDee”.

Vamos conhecer um bocadinho mais sobre sua história? Mais uma vez, a narrativa inicia-se com alguma investigação de uma equipa de astrónomos e, mais uma vez, com o auxílio do ALMA. Falamos tanto sobre o ALMA, será que ele realmente é tudo isso? Sim, ele foi capaz de detetar  um ínfimo “sinal de luz” (da ordem de milímetros) que foi emitido por um corpo celeste muito distante de nós.  Mais ainda, o ALMA confirmou  que o diâmetro daquele objecto é de 635 km. Aparentemente, um dado irrelevante.  Porém, essa informação é suficiente para  lançarmos mão da hipótese que  o corpo planetário 2014 UZ224  possa ter massa capaz de fazê-lo se apresentrar de forma esférica. Se isso for confirmado,  provavelmente 2014 UZ224 deverá  receber  o “status” de planeta-anão. Aliás, esse assunto será tratado em Viena, ano que vem, e contará com a presença do Dr. Nélio Sasaki que é membro da UAI e um dos coordenadores do PLOAD Brasil.

Figura 02: Ínfimo brilho detetado pelo ALMA.

Estima-se que 2014 UZ224 esteja a uma distância  quase o triplo da distância actual  entre Plutão e o Sol, desta forma,  estamos a tratar  do segundo objecto transneptuniano (OTN) mais afastado e cuja órbita está confirmada. O primeiro objecto foi o  planeta-anão Éris.

Figura 03: Órbita de 2014 UZ224.

Estima-se  que  haja milhares de corpos gélidos no Sistema Solar exterior, além da órbita de Neptuno. No caso particular de  2014 UZ224, seu tamanho equivale  a 2/3  do diâmetro do também planeta-anão Ceres, ninguém menos que o maior da cintura de asteroides. Uma lógica simples leva-nos a esperar que 2014 UZ224  possa apresentar um formato esférico.

A equipa de astrónomos lembra que  nas regiões  além de Plutão podemos encontrar facilmente muitos outros corpos planetários. Inclusive com tamanhos que chegam a ser bem significativos quando comparados com Plutão. Porém, é difícil detetá-los e igualmente laborioso estudá-los. O ALMA torna exequível esta missão.

Aliás, o ALMA  mediu a distância na qual está  2014 UZ224, aproximadamente, 92 UA (unidades astronómicas) do Sol. Neste cenário,  este corpo leva 1.100 anos para dar uma volta completa em torno do Sol.

Outro dado relevante: o sinal  de luz que aparece em destaque na figura 2,  gastou cerca de  13 horas para chegar até à Terra. Vale lembrar que  o nome carinhoso DeeDee, de facto, é uma referência ao termo em inglês: “Distant Dwarf” (anão distante).

Figura 04: DeeDee, o anão distante.

Temos que levar em consideração duas hipóteses, a saber: ou 2014 UZ224 é um corpo planetário pequeno,  que de alguma maneira conseguiu refletir a luz do nosso Sol; ou trata-se de um corpo que seja grande e escuro, de tal maneira que  uma pequena parte da luz solar foi emitida. Ambos os cenários nos fornecem o registo mostrado na figura 02.

Caso estejamos a falar de um objecto grande e escuro, a equipa de astrónomos  estimou que a temperatura daquele corpo planetário  esteja em torno de 30K. Vale sublinhar que  corpos tais como 2014 UZ224 são restos cósmicos da formação de nosso Sistema Solar. Sendo assim, tanto sua órbita quanto suas propriedades físicas revelam detalhes valiosos  sobre a formação planetária em nosso sistema.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da UAI, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Director do Planetário Digital de Parintins-NEPA/UEA/CNPq, Director do Planetário Digital de Manaus-NEPA/UEA/CNPq, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
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