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2016 WF9

Figura 01: Representação artística de 2016 WF9

Em Astronomia usamos a  sigla  NEO para designarmos objectos que estão “próximos” da Terra       (do inglês, Near Earth Objects). Neste contexto, a palavra “próximo”, na realidade, significa “bem longe”. Assim, todo objecto que  esteja dentro de um raio de 8 até 10 milhões de quilómetros é  considerado “próximo”.

Uma das características  dos NEO é que  eles absorvem a maioria  da luz  incidente em suas superfícies e reemitem na faixa do infravermelho. Sendo assim, os investigadores usaram  o NEOWISE  para dar sequência aos estudos sobre os NEO.

Com os dados do NEOWISE, os astrónomos  puderam medir o tamanho dos objectos próximos observados e catalogados até o momento. Ao todo, somam-se 31 asteróides  identificados pelo NEOWISE  que estão dentro de um raio de  20 vezes a distância entre a Lua e a Terra (por favor, guarde esse valor, será importante, ok?). A maioria destes asteróides  possuem mais de 140 metros de diâmetro e reflectem menos de 10% da luz incidente em suas superfícies. O que lhes confere a cor tipo-carvão, como mostrada na figura 01.

A sigla  WISE vem do inglês, Wide-field Infrared Survey Explorer, e trata-se de um telescópio espacial   lançado no dia 14 de dezembro de 2009.

Quando falamos a maioria dos asteróides, estávamos a nos referir a maioria mesmo. Porém, o telescópio espacial WISE localizou um outro objecto que logo  chamou a atenção,  estamos a falar de  2016 WF9. Detetado no final do ano de 2016,  este objecto está  em uma órbita que lhe permite uma visão panorâmica do Sistema Solar, isto pois, em seu máximo afastamento do Sol, 2016 WF9 se aproximará  da órbita de Júpiter. Seu itinerário é muito interessante, o passeio inicia-se pela cinta de asteróides, passa pela órbita de Marte, em seguida, atinge seu periélio e regressa para o Sistema Solar exterior, e então, começa-se tudo novamente, e cada passeio completo dura 5 anos (terrestres) [mais uma vez, por favor, guarde essa informação, ok?].

Como vocês notaram ao se falar em objecto próximo, a nossa referência é uma distância de 7,6 milhões de quilómetros, ou seja, 20 vezes  a distância Lua-Terra. Embora tenha nos chamado a atenção pelo seu tamanho aproximado de  1 km de diâmetro, o certo é que   2016 WF9 somente poderia ser considerado um  NEO se e somente se ele estivesse a uma distância de 7,6 milhões de quilómetros.  E os números apontam para valores muitos distantes daquele. Diferentemente do que  muitos sítios e veículos têm divulgado, o asteróide 2016 WF9 PASSARÁ MUITO, MUITO, MAS MUITO LONGE DA TERRA! Dia  16 de fevereiro próximo,  ele estará a uma distância aproximada de 57 milhões de quilómetros da Terra. Em sua maior aproximação com o nosso planeta, 2016 WF9 ficará a 51 milhões de quilómetros de nós. Mesmo assim, muito longe.

“Vale a pena passar a informação correcta, haja vista que muitos leigos têm divulgado notícias sem qualquer fundamentação científica. Esclarecer a comunidade, também, é uma tarefa dos Centros de Astronomia. Pode-se notar que no Amazonas, nenhuma notícia sensacionalista tem espaço, pois, o NEPA tem o cuidado de passar todas as informações da maneira mais transparente possível.” – afirmou Dr. Nélio Sasaki – líder do NEPA/UEA/CNPq –  que está a coordenar um projecto internacional no qual o céu amazonense é acompanhado de perto.

Decididamente, 2016 WF9 não foi e nunca será uma ameaça para a vida na Terra, sua órbita é muito bem definida e conhecida por astrónomos profissionais. Mas atenção, o facto de sua órbita ser bem conhecida não implica afirmar que saibamos  exactamente do que se trata. Aliás,  a dúvida do momento é quanto à sua classificação, afinal,  2016 WF9 seria mesmo um asteróide, ou seria um cometa? Vale ressaltar que  o brilho de um cometa é imprevisível e, neste caso, somente a  contínua observação deste objecto será capaz de sanar a nossa dúvida.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da UAI, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Director do Planetário Digital de Parintins-NEPA/UEA/CNPq, Director do Planetário Digital de Manaus-NEPA/UEA/CNPq, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
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