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45ª edição do Festival de Cinema de Gramado exibirá 44 filmes na mostra competitiva

Filmes serão exibidos no Palácio dos Festivais, em Gramado (Foto: Edison Vara / Pressphoto)

No ano em que celebra 45 anos de história, o Festival de Cinema de Gramado ganha também um dia a mais. A edição de 2017 terá início nesta quinta-feira (17) e vai até o próximo sábado (26), na cidade da Serra do Rio Grande do Sul.

O primeiro dia terá a mostra das produções audiovisuais realizadas por alunos da rede pública de Gramado, através do projeto Educavídeo. A competição oficial começa na sexta (16), logo após a exibição hors-concours do longa convidado “João, o Maestro”, de Mauro Lima.

Ao longo dos 10 dias, serão exibidos 44 filmes, entre curtas e longas-metragens, nacionais e estrangeiros, no telão do Palácio dos Festivais, na disputa pelos kikitos (confira abaixo a lista completa). Sete títulos disputam na categoria nacional.

“Acho que fomos aprendendo que não somos nós quem escolhemos, mas somos escolhidos. Explicando: no ano passado, foi o ano da comédia e, de repente, tudo deu certo, apareceu a primeira, alguém sugeriu a segunda e assim por diante. É quase como uma safra de vinho que entra de acordo com aquele momento”, diz ao G1 o crítico Rubens Ewald Filho, um dos curadores de Gramado.

“Neste ano, os filmes são mais sérios, diversificados, têm um pouco de tudo, muita gente nova e até faroeste brasileiro!”.

Do drama ao faroeste, são todos inéditos no país, uma exigência para estar em Gramado. No entanto, alguns já foram projetados em eventos na Europa e chegam ao Brasil cercados de expectativa.

É o caso de “Como Nossos Pais”, de Laís Bodanzky, a mesma diretora dos elogiados “Bicho de Sete Cabeças” e “As Melhores Coisas do Mundo”, que estreou no Festival de Berlim deste ano (foi exibido na Mostra Panorama) e ganhou o prêmio do público no Festival de Cinema Brasileiro de Paris.

Maria Ribeiro é Rosa em 'Como os nossos pais' (Foto: Divulgação)

Maria Ribeiro é Rosa em ‘Como os nossos pais’ (Foto: Divulgação)

O longa-metragem tem como protagonista Rosa, vivida por Maria Ribeiro, encarando “os dilemas da mulher moderna” que se sente “submergindo em culpas e fracassos”, segundo o material de divulgação. A estreia no circuito comercial está marcada para 31 de agosto.

O drama disputa o kikito com outros seis títulos nacionais, entre eles o faroeste “O Matador”, de Marcelo Galvão. É o primeiro filme original da Netflix produzido no Brasil e tem no elenco Deto Montenegro, Etienne Chicot, Marat Descartes, Nill Marcondes, Mel Lisboa, Daniela Galli, Thogun, Igor Cotrim, Thaís Cabral, além da atriz portuguesa Maria de Medeiros, que atuou também em “Pulp Fiction – Tempo de Violência”, de Quentin Tarantino.

“Será a primeira apresentação mundial. Abrimos, assim, como o primeiro Festival de Cinema do Brasil, o caminho para seguir as discussões já tidas no Festival de Cannes, sobre essa questão das novas possibilidades de produção, distribuição e exibição no universo audiovisual, que inclui o cinema”, aponta o jornalista Marcos Santuario, um dos curadores de Gramado.

O diretor Marcelo Galvão, aliás, é um ‘habitué’ nos últimos anos na serra gaúcha. Em 2012, o filme dele “Colegas” foi eleito o melhor do ano.

Camila Morgado é a protagonista de

Camila Morgado é a protagonista de “Vergel” (Foto: Divulgação)

Em contrapartida, está o estreante na direção de longa-metragem Fábio Meira. Ele apresenta em Gramado o filme “As Duas Irenes”, sobre duas meninas, de mesmo nome, que são filhas do mesmo pai, mas pertencem a diferentes famílias.

“Bio”, de Carlos Gerbase, é o representante gaúcho da lista. Tem Maria Fernanda Cândido, Maitê Proença, Werner Schünemann, Marco Ricca, Sheron Menezes e Tainá Muller no elenco.

Baseado na obra do escritor americano radicado na Inglaterra Henry James, “A Fera na Selva” tem a dupla Paulo Betti e Eliane Giardini diante e atrás das telas.

Por fim, duas coproduções entre Brasil e Argentina finalizam a relação de longas nacionais: “Pela Janela”, de Caroline Leone, sobre uma operária de 65 anos que, após dedicar a vida ao trabalho em um fábrica de reatores da periferia de São Paulo, é demitida e conhece outros ares ao viajar com o irmão até Buenos Aires, e “Vergel”, de Kris Niklison, protagonizado por Camila Morgado.

Sessão de abertura terá “João, O Maestro”

Fora da competição, o filme convidado para abrir as projeções em Gramado é “João, o Maestro”, de Mauro Lima, sobre a vida e carreira de João Carlos Martins. O filme será exibido na noite desta sexta (18).

O filme traz Alexandre Nero, Rodrigo Pandolfo e Davi Campolongo como o pianista em fases distintas. O elenco também tem Aline Moraes e Fernanda Nobre, como as mulheres do maestro, além de Caco Ciocler, professor de piano que ajuda João a decolar na carreira.

Alexandre Nero é João Carlos Martins em 'João, o maestro' (Foto: Divulgação)

Alexandre Nero é João Carlos Martins em ‘João, o maestro’ (Foto: Divulgação)

Nascido em São Paulo, em 1940, João Carlos Martins começou a estudar piano aos oito anos de idade e iniciou a carreira profissional aos treze.

Estreou no Carnegie Hall, em Nova Iorque, aos 20 anos. Por conta de diversos problemas de saúde, foi obrigado a deixar de lado a carreira de pianista, definitivamente, em 2002. Em 2004, passou a se dedicar aos estudos de regência.

O brasileiro foi um dos poucos músicos a gravar a obra completa de Bach.

Argentina e Uruguai dominam mostra latina

Sete longas-metragens disputam na categoria latina de Gramado. A Argentina e o Uruguai lideram as indicações, com duas produções cada.

“Naturalmente, há mais inscrições da Argentina, um grande produtor e também uma cinematografia muito apreciada no Brasil, que registrou mais de 30 títulos, e proporcionalmente do Uruguai, que desta vez registrou mais de 5 filmes”, reconhece a diretora e atriz argentina Eva Piwowarski, que também é curadora.

“Mas também há uma identidade cultural em comum e isso é muito importante por ser um fator chave na promoção de coproduções e de um mercado regional. Na verdade, neste ano, temos uma amostra muito sul-americana: com Peru, Chile, Colômbia, México”, lista ela.

Os enredos são diversos. “Los Niños”, uma coprodução de Chile/Colômbia/Holanda/França, de Maite Alberdi, é um documentário que acompanha a vida de um grupo de amigos com síndrome de Down, da infância à vida adulta.

Outro destaque é “Sinfonía para Ana”, de Virna Molina e Ernesto Ardito, um drama argentino sobre um romance adolescente em meio ao golpe de 1976.

Homenageados

A principal distinção de Gramado, o Troféu Oscarito, será entregue à atriz Dira Paes. A paraense de 48 anos de idade tem mais de três décadas de carreira e 40 filmes na bagagem.

O troféu Cidade de Gramado vai para o ator Antônio Pitanga e o cineasta gaúcho Otto Guerra receberá o troféu Eduardo Abelin.

Já o Kikito de Cristal, dedicado aos expoentes do cinema latino-americano, estará nas mãos atriz argentina Soledad Villamil, estrela do oscarizado “O Segredo Dos Seus Olhos”.

Atriz Dira Paes receberá o Troféu Oscarito em Gramado (Foto: Nana Moraes/Divulgação)

Atriz Dira Paes receberá o Troféu Oscarito em Gramado (Foto: Nana Moraes/Divulgação)

45ª Festival de Cinema de Gramado

Data: De 17 a 26 de agosto
Onde: Palácio dos Festivais (Av. Borges de Medeiros, 2697 – Gramado)
Quanto: De R$ 40 (sessão) a R$ 140 (premiação), na bilheteria do cinema ou no site. A compra do ingresso dá acesso ao tapete vermelho

Mostra competitiva

– Longas nacionais

  • “A Fera na Selva” (RJ), de Paulo Betti, Eliane Giardini e Lauro Escorel
  • “As Duas Irenes” (SP/GO), de Fábio Meira
  • “Bio” (RS), de Carlos Gerbase
  • “Como Nossos Pais” (SP), de Laís Bodanzky
  • “O Matador” (PE), de Marcelo Galvão
  • “Pela Janela” (Brasil/Argentina), de Caroline Leone
  • “Vergel” (Brasil/Argentina), de Kris Niklison

– Longas estrangeiros

  • “Los Niños” (Chile/Colômbia/Holanda/França), de Maite Alberdi
  • “Pinamar” (Argentina), de Federico Godfrid
  • “El Sereno” (Uruguai), de Oscar Estévez & Joaquín Mauad
  • “Sinfonía para Ana” (Argentina), de Virna Molina e Ernesto Ardito
  • “La Ultima Tarde” (Peru), de Joel Calero
  • “X500” (Colômbia/Canadá/México), de Juan Andrés Arango
  • “Mirando al Cielo” (Uruguai), de Guzmán García

– Curtas nacionais

  • “#feique”, de Alexandre Mandarino (RJ)
  • “A Gis”, de Thiago Carvalhaes (SP)
  • “Cabelo Bom”, de Swahili Vidal (RJ)
  • “Caminho dos Gigantes”, de Alois Di Leo (SP)
  • “Mãe dos Monstros”, de Julia Zanin de Paula (RS)
  • “Médico de Monstro”, de Gustavo Teixeira (SP)
  • “O Espírito do Bosque”, de Carla Saavedra Brychcy (SP)
  • “O Quebra-cabeça de Sara”, de Allan Ribeiro (RJ)
  • “O Violeiro Fantasma”, de Wesley Rodrigues (GO)
  • “Objeto/Sujeito”, de Bruno Autran (SP)
  • “Postergados”, de Carolina Markowicz (SP)
  • “Sal”, de Diego Freitas (SP)
  • “Tailor”, de Calí dos Anjos (RJ)
  • “Telentrega”, de Roberto Burd (RS)

– Curtas gaúchos

  • “10 Segundos”, de Thiago Massimino (Canoas)
  • “1947”, de Giordano Gio (Porto Alegre)
  • “Através de Ti”, de Diego Tafarel (Santa Cruz do Sul)
  • “Bicha Camelô”, de Wagner Previtali (Pelotas)
  • “Cá Com os Meus Botões”, de Murilo Bittencourt (São Leopoldo)
  • “O Caçador de Árvores Gigantes”, de Anttonio Pereira (Porto Alegre)
  • “Cores de Bissau”, de Maurício Canterle (Porto Alegre)
  • “Gestos”, de Alberto Goldim e Júlia Cazarré (Porto Alegre)
  • “Kátharsis”, de Mirela Kruel (Caxias do Sul)
  • “Luna 13” de Filipe Barros (Porto Alegre)
  • “Mãe dos Monstros”, de Julia Zanin de Paula (Porto Alegre)
  • “Secundas”, de Cacá Nazario (Porto Alegre)
  • “Sena, Os Fios em Prosa”, de Marcelo da Rosa Costa e Cacá Sena (Porto Alegre)
  • “Sob Águas Claras e Inocentes”, de Emiliano Cunha (Porto Alegre)
  • “Solito”, de Eduardo Reis (Porto Alegre)
  • “Telentrega”, de Roberto Burd (Porto Alegre)
  • “Temporal”, de Gabriel Honzik (Porto Alegre)
  • “Yomared”, de Lufe Bollini (Porto Alegre)

Do g1

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