-Publi-A-

67P/Churyumov–Gerasimenko

Fig01: Sonda Rosetta.

A sonda espacial Rosetta foi lançada em 02 de março de 2004, e tem se dedicado ao estudo do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Neste exacto instante este Cometa está a passar próximo à Constelação do Veado.

A sonda registou uma informação muito importante: à medida que o Cometa estava a dar corda aos sapatos tanto sua cor, quanto seu brilho também mudava. Isso porque o Sol estava a arrancar a superfície mais antiga para evidenciar material mais fresco.

As alterações de cor e brilho do Cometa foram detetadas pelo instrumento VIRTIS (do inglês: Visible and InfraRed Thermal Imaging Spectrometer). O aparelho revelou também que essas alterações eram mais freqüentes no hemisfério norte e na região equatorial do Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko.

Até  2014, a Rosetta estava a trabalhar na faixa de 100 km e 10 km de distância do núcleo do Cometa. Em simultâneo, a sonda espacial efectuava movimentos em direcção ao Sol, na faixa de 542 milhões de quilómetros até 438 milhões de quilómetros.

Todas as variações na luz refletida a partir da superfície do Cometa foram monitoradas e vigiadas pelo VIRTIS, que usou vários comprimentos de onda entre a faixa do visível e infravermelho. Facto que facilita a identificação e caracterização de mudanças subtis na composição da camada mais externa de 67P/Churyumov–Gerasimenko.

Fig02: 67P/Churyumov–Gerasimenko.
Fig02: 67P/Churyumov–Gerasimenko.

Vale registar também que ao chegar próxima do Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko, Rosetta encontrou somente um corpo muito escuro. No máximo 6% de luz visível, que incidia sobre ele, eram refletidos. Esse cenário deve-se ao facto de, a maior parte da superfície do Cometa, encontrar-se coberta por uma camada de poeira escura e seca constituída por uma mistura de minerais e compostos orgânicos.

Rosetta pôde constatar também que algumas superfícies são mais brilhantes que outras, e em sua maioria, 67P/Churyumov–Gerasimenko tem uma tonalidade ligeiramente avermelhada. A coloração rubra é em virtude do material orgânico. Mas também há uma região “blue”, exactamente naquelas áreas onde há excesso de gelo.

Claro, à medida que as camadas mais antigas de poeira eram expelidas, o material mais fresco gradualmente ficava exposto. Com uma nova superfície, a qual reflete mais luz que a antiga, o Cometa tornou-se mais brilhante e mais rico em gelo. Facto registado pelo VIRTIS ao obter medições mais azuladas.

Com o avançar dos estudos de Rosetta, o Cometa ficou ainda mais interessante. Isso porque a tendência na superfície de              67P/Churyumov–Gerasimenko é o aumento na abundância de água gélida. É algo fascinante, é como se o Cometa literalmente mudasse de cor diante a observação de Rosetta.

Para os astrónomos, que estão à frente desse estudo, a eliminação parcial da camada de poeira provocada pelo início da actividade gasosa é apontada como sendo a causa do aumento de abundância de água gélida à superfície. Neste sentido, podemos dizer que a superfície do Cometa apresenta uma dinâmica, afinal, essa mesma superfície muda com a distância do Sol e com os níveis de actividade cometária.

Vale sublinhar que a evolução das propriedades superficiais com a distância do Sol já era esperada. O mesmo não podíamos afirmar quanto às mudanças nas propriedades superficiais com a actividade cometária. Este último foi e é a grande novidade.

Com essas informações podemos levantar algumas questões, a saber: se o cometa apresenta actividade própria, então, aquela ideia em que cometas são simplesmente rochas gélidas cai por terra. Abre-se espaço para outro campo de estudo – a geologia cometária. Uma perguntinha: Aonde tais Cometas conseguiram tanta água? Outro detalhe, a composição da água cometária é diferente da água terrestre. E agora, como explicar o surgimento da água cá na Terra? Mas água é tudo igual (H2O), certo? Não exactamente!

E por qual motivo questionamos tudo isso? Ora não há como imaginar que tudo tenha sido fruto do acaso. Se assim fosse, então, seria igualmente provável que se você fosse a um ferro velho, e jogasse um monte de peças de automóvel para o alto. Ao cairem as peças, você teria uma Ferrari montada à sua frente. Isso é o que muitos pensam! Isso se chama “acaso”.

Creio que a palavra “acaso” não seja exactamente o termo correcto, não?

Fig03: Trajectória do Cometa.
Fig03: Trajectória do Cometa.
Fig04: Mudança de cor do Cometa.
Fig04: Mudança de cor do Cometa.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA, Membro da AIU, Membro da ST/Brasil, Membro do PLOAD/Brasil, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de

você pode gostar também