A importância de se confessar

O que é a confissão se não uma forma de terapia? Claro que existem grandes diferenças entre os dois, mas o ato de se confessar, colocar os seus pecados para “fora”, é também uma forma terapêutica de lidar com essas questões. Confessar é dizer a verdade, se desnudar emocionalmente diante do outro, relatar os detalhes e assumir aquilo enquanto aguarda silenciosamente pelo perdão.

Mas enquanto a confissão religiosa é um laço social antigo, formado a partir do discurso de um “mestre”. A interpretação da fala que acontece no confessionário, faz com que o sujeito se torne responsável pelos seus “fantasmas” do presente. O que é até certo ponto diferente da terapia, que busca trabalhar questão mais profundas e até mais distantes, trabalhando a história do paciente com o objetivo de encontrar a causa raiz e resolver o problema.

“O conceito fundamental da psicanálise moderna, que estimula a conversa e confissão como um caminho de cura do paciente é também um conceito Bíblico que foi registrado pelo Evangelista Tiago no capítulo 5:16, ele diz: ‘Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados’. A construção do Apóstolo e irmão de Jesus está relacionado a dois parâmetros importantes que não podem ser negligenciados. Primeiro ele incentiva os seus leitores a se confessarem diante de Deus, para que os seus pecados sejam perdoados. Em seguida ele estimula esses mesmos leitores a se confessarem uns com os outros para que eles sejam curados. Por isso, entendemos através da Epístola de Tiago e também da Psicanálise Freudiana que a cura da alma não vem apenas de uma conversa vertical com Deus, é preciso também uma conversa horizontal com as pessoas”, explica o teólogo.

Segundo Rodrigo Moraes, a confissão é muito mais do que se arrepender daquilo que fizemos, o verdadeiro arrependimento, que nas Escrituras é traduzido como metanoia, significa se arrepender de quem nos tornamos em essência. Isso porque o que eu faço é apenas uma manifestação objetiva de quem eu sou, e, portanto, devo me arrepender de quem eu me tornei, ser uma pessoa melhor, para que assim eu faça as coisas diferentes.

“Quando eu me arrependo do que eu faço e não de quem eu sou, é provável que eu volte a fazer as mesmas coisas, afinal, é quem eu sou, mas quando eu busco transformação em minha essência, para ser diferente, a chance desse cenário mudar aumenta. Pare um pouco para perceber, nós estamos confessando sempre os mesmos pecados, e nos lamentamos sempre sobre as mesmas coisas, isso porque no final da confissão, permanecemos sendo as mesmas pessoas”, explica Rodrigo Moraes.

O teólogo conclui dizendo que tudo o que fazemos é apenas um reflexo de quem somos, e enquanto não encararmos isso com seriedade, e darmos passos em relação a transformação da nossa essência, tudo permanecerá do mesmo jeito.

“Se uma fonte jorra águas amargas, o problema nunca foram as águas, se uma árvore gera maus frutos, o problema nunca foram os frutos, e se as coisas que fazemos não são boas, saiba que elas são apenas consequência de quem nos tornamos, portanto, METANOIA”, comenta o teólogo.

Rodrigo Moraes: Teólogo, formado em Gestão de Projetos e pós-graduado em Teologia e Ministério. Autor de mais de 10 livros, como “Música, arte e adoração”. Saiba mais em: www.rodrigomoraespastor.com.br

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