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A trajetória de Bolsonaro até o segundo turno das Eleições 2018

O deputado federal Jair Bolsonaro, do Partido para o Socialismo e Libertação (PSL), vai disputar o segundo turno da eleição presidencial no Brasil. REUTERS / Adriano Machado

Jair Messias Bolsonaro (PSL), 63 anos, é casado e pai de cinco filhos – três da primeira mulher, um da segunda e uma do atual casamento, com Michelle de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro. Nasceu em Glicério (SP) em 21 de março de 1955, embora tenha sido registrado em Campinas. Filho dos descendentes de italianos Percy Geraldo Bolsonaro e Olinda Bonturi, cresceu em Eldorado, na parte paulista do Vale do Ribeira. No início dos anos 1970, adolescente, ajudou a conduzir militares que procuravam pelo guerrilheiro Carlos Lamarca na região.

Deixou Eldorado em 1971, para ingressar na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas. Depois frequentou a Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ), onde se formou em 1977. De 1979 a 1981 serviu no 9º Grupo de Artilharia de Campanha, em Nioaque (MS) e, na sequência, especializou-se em paraquedismo na Brigada de Infantaria Paraquedista. Formou-se em Educação Física em 1983, no próprio Exército, e em 1987 frequentou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais.

Seus últimos anos nas Forças Armadas ficaram marcados por episódios de indisciplina. Em 1986, publicou na “Veja” um artigo reclamando dos baixos salários, o que lhe rendeu 15 dias de prisão e a admiração de colegas. No ano seguinte, deu entrevista à mesma revista falando sobre uma operação para explodir bombas em banheiros de instalações militares em protesto contra o valor do soldo. Chegou a ser condenado à perda do posto e da patente pelo Conselho de Justificação Militar, mas depois foi absolvido pelo Superior Tribunal Militar.

Passou para a reserva em 1988, no posto de capitão. No mesmo ano se elegeu vereador no Rio de Janeiro e, em 1991, assumiu seu primeiro mandado na Câmara dos Deputados, em Brasília. Nunca mais deixou a Casa. Na eleição para o atual mandato, o sétimo consecutivo, foi o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro, com 460 mil votos.

Sua atuação parlamentar ficou marcada pela defesa de benefícios das Forças Armadas. Fez do então presidente Fernando Henrique Cardoso – que alterou regras de aposentadoria e pensão dos militares – um de seus grandes inimigos.

Na economia, pautou-se por posições nacionalistas, estatistas e desenvolvimentistas, que o levaram, por exemplo, a defender o fuzilamento de FHC por privatizar a Vale e as telecomunicações e “entregar as nossas reservas petrolíferas ao capital externo”. Só mais recentemente o deputado mudou de lado. Em junho passado, por exemplo, votou a favor de projeto que permite à Petrobras vender até 70% de seus direitos na área da chamada “cessão onerosa” do pré-sal, o que o levou a ser chamado de “entreguista” por deputados de esquerda.

A segurança pública foi uma das principais bandeiras de sua atuação parlamentar, defendendo a pena de morte em caso de crime premeditado, a redução da maioridade penal para 16 anos, a liberação do porte de armas para toda a população e o excludente de ilicitude para que policiais não sejam responsabilizados por mortes em serviço.

São dessa seara algumas de suas declarações mais polêmicas. Admirador do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra – chefe do DOI-Codi de São Paulo entre 1970 e 1974 e primeiro militar reconhecido pela Justiça como torturador durante a ditadura militar –, Bolsonaro já defendeu a tortura de suspeitos de sequestro e tráfico de drogas. Na votação do processo de impeachment de Dilma Rousseff, homenageou Ustra chamando-o de “o pavor de Dilma”. Mais tarde, na mesma sessão, levou uma cusparada do colega Jean Wyllys (Psol-RJ), antigo rival, que historicamente se opôs ao capitão reformado por conta de suas declarações contrárias a homossexuais.

Bolsonaro é réu em duas ações penais no Supremo Tribunal Federal (STF) pela suposta prática de apologia ao crime e por injúria, em decorrência do episódio em que afirmou que a deputada Maria do Rosário (PT-RS) “não merece” ser estuprada. Mais recentemente, a Corte rejeitou denúncia de racismo contra o parlamentar. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), ele ofendeu a população negra e comunidades quilombolas em palestra no Clube Hebraica, no Rio, em 2017.

Na Câmara, ficou mais conhecido pelo que disse – na tribuna e em entrevistas – do que por propostas aprovadas. Embora tenha apresentado mais de 170 projetos de lei, Bolsonaro só conseguiu aprovar dois: um que autoriza o uso da fosfoetanolamina, substância conhecida como “pílula do câncer” mas que não tem eficácia comprovada; e outro que estende a produtos de informática a isenção de IPI. Questionado sobre o pequeno número de aprovações, o deputado costuma dizer que é discriminado por ser um homem de direita.

O histórico de declarações controversas não foi obstáculo para a candidatura de Bolsonaro à presidência. Com uma base de milhões de seguidores em redes sociais, o deputado esteve sempre bem colocado nas pesquisas de intenção de voto desde que se apresentou como postulante ao cargo. A preferência por ele aumentou após o atentado que sofreu em 6 de setembro, em plena campanha eleitoral, durante uma caminhada no centro de Juiz de Fora (MG), quando foi atingido por uma facada.

Colaboraram para a popularidade de Bolsonaro suas ideias de combate à criminalidade e suas posturas no campo dos costumes, como a oposição à chamada ideologia de gênero e ao que classifica de doutrinação nas escolas e a defesa da disciplina militar no ensino. Na área da educação, fez convergir esses temas todos ao atacar o então ministro da Educação Fernando Haddad (PT) – hoje seu oponente na corrida pela Presidência – pelo que batizou de “kit gay”. O material, cujo nome oficial era “Escola sem homofobia”, seria apresentado em sala de aula a alunos a partir dos 11 que cursassem os últimos quatro anos do ensino fundamental e o ensino médio. Criada a polêmica, a então presidente Dilma Rousseff (PT) vetou sua distribuição, mas Bolsonaro desde então usou a questão como plataforma.

Embora esteja há três décadas na política, com passagens por sete partidos antes de ingressar no PSL, o capitão reformado também conseguiu construir uma imagem de candidato “antissistema”, que caiu bem entre um eleitorado desiludido com a política após inúmeros escândalos de corrupção de lado a lado – ele já propôs o fechamento do Congresso, é crítico das negociações entre Executivo e Legislativo e põe sob suspeita as urnas eletrônicas.

 

Fonte: Gazeta do Povo

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