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A trajetória de Haddad até o segundo turno das Eleições 2018

Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), decide o segundo turno da eleição presidencial no Brasil. DIVULGAÇÃO/ Reprodução internet

Fernando Haddad, 55 anos, é casado com Ana Estela Haddad, com quem tem um filho e uma filha. Filho do libanês Khalil Haddad e da descendente de libaneses Norma Teresa Goussain, nasceu em São Paulo em 25 de janeiro de 1963. Cresceu no bairro Planalto Paulista. Cursou o ensino básico em instituições particulares – o Ateneu Ricardo Nunes e o Colégio Bandeirantes.

Ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP, em 1981, conciliando os estudos com o trabalho no atacado de tecidos de seu pai. Foi na USP que se interessou pelas obras de Karl Marx e pela Escola de Frankfurt, uma vertente da teoria social formada por cientistas sociais marxistas críticos tanto o capitalismo quanto dos rumos que o socialismo tomou na União Soviética.

O socialismo é tema dos cinco livros que Haddad publicou nas duas décadas seguintes – “O sistema soviético e sua decadência” (1992), “Em defesa do socialismo” (1998), “Desorganizando o consenso” (1998), “Sindicatos, cooperativas e socialismo” (2003) e “Trabalho e linguagem para a renovação do socialismo” (2004).

Ainda na universidade, Haddad começou a atividade política em 1984, quando participou das passeatas e comícios do movimento Diretas Já. Para o Centro Acadêmico XI de Agosto, da USP, apoiou uma chapa batizada de “The Pravda”, que fundia os logotipos dos jornais “The New York Times”, norte-americano, e “Pravda”, russo, além de fazer trocadilho com a palavra “depravada”. Liderada por Eugênio Bucci – que muitos anos depois presidiria a Radiobrás, no governo Lula –, a chapa venceu. Aos 21 anos, Haddad tornou-se tesoureiro do centro acadêmico e sua gestão, elogiada, o levou a suceder Bucci na presidência.

Formado em 1985, tornou-se advogado em 1986. Nos anos seguintes, trabalhou com o cunhado numa empresa de construção e foi analista de investimentos no Unibanco. Cursou mestrado em Economia na USP, concluído em 1990, e em 1996 doutorou-se em Filosofia na mesma universidade. Também na USP, passou a dar aulas no Departamento de Ciência Política a partir de 1997. Em paralelo, trabalhou como consultor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Haddad ingressou no Poder Executivo em 2001, como chefe de gabinete da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico da prefeitura de São Paulo, no início da gestão de Marta Suplicy. Sob o comando do economista João Sayad, foi um dos encarregados de reequilibrar as contas do município após a desastrosa gestão de Celso Pitta. Uma das soluções foi a reformulação do imposto predial e territorial com a criação do chamado IPTU Progressivo. A arrecadação do município cresceu, mas esse e outros tributos acabaram rendendo à então prefeita o apelido de “Martaxa”, que ela carregou por muitos anos. Segundo estudo do economista Amir Khair, a fração da renda média dos paulistanos destinada à prefeitura saltou de 4,75% para 8,35% durante a gestão da prefeita.

Haddad deixou o cargo na prefeitura na mesma época em que Luiz Inácio Lula da Silva se elegeu presidente da República, mas só foi chamado para o governo federal em meados de 2003, a convite do ministro do Planejamento, Guido Mantega. Como assessor especial, ajudou a formatar a lei das parcerias público-privadas (PPPs). Em 2004, virou secretário-executivo do Ministério da Educação. Assumiu a pasta em julho do ano seguinte, quando o ministro Tarso Genro deixou o governo para assumir a presidência do PT em meio ao escândalo do mensalão.

Haddad foi ministro da Educação por quase sete anos. Deixou o cargo apenas no início de 2012, já no governo Dilma Rousseff. À frente do MEC, Haddad conseguiu a adesão dos 27 governadores e mais de 5,5 mil prefeitos às metas básicas da educação. Criou o Fundeb, fundo para o desenvolvimento da educação básica, em substituição ao Fundef, focado no ensino fundamental. Instituiu o Ideb, que serve de baliza para metas de desempenho das escolas.

Haddad transformou o Enem numa das principais formas de ingresso nas universidades públicas – e na sua maior dor de cabeça. Em 2009 a prova foi roubada da gráfica e vazou. No mesmo ano, um dos gabaritos foi divulgado incorretamente. Em 2010, cartões de resposta apresentaram erro no cabeçalho, e 3,5 mil provas tiveram problemas de impressão, com perguntas repetidas. No seguinte, questões foram canceladas porque alguns alunos tiveram acesso antecipado à prova.

Mais tarde, já no governo Dilma, o ministro se desgastou com o episódio do “Escola sem homofobia”, material que seria apresentado a alunos a partir dos 11 anos e foi apelidado por Jair Bolsonaro – hoje seu oponente na disputa pelo Planalto – de “kit gay”. A repercussão negativa levou o governo a cancelar a distribuição.

Por outro lado, Haddad ganhou visibilidade com a criação do Prouni (concessão de bolsas universitárias a estudantes de baixa renda) e a ampliação do Fies (financiamento de estudantes universitários). O Fies, no entanto, deixou uma carga pesada para as contas públicas. O afrouxamento das regras de concessão fez disparar a inadimplência (hoje acima de 50%) e deixou uma conta bilionária para o contribuinte – o programa já custou R$ 81 bilhões para os cofres públicos e deve consumir mais R$ 47 bilhões até 2030 – ao mesmo tempo em que enriqueceu faculdades privadas, que não precisaram mais arcar com o risco de calote.

Apesar dos poréns, a gestão de Haddad na Educação o ajudou a se transformar, em suas próprias palavras, no “segundo poste de Lula”. Em 2012, dois anos depois de o líder petista fazer Dilma Rousseff sua sucessora na Presidência da República, Haddad derrotou José Serra (PSDB) e elegeu-se prefeito de São Paulo.

Sua gestão na prefeitura foi tumultuada. Em junho de 2013, cinco meses após a posse, teve de enfrentar protestos contra o reajuste da tarifa do transporte público que se agigantaram e se espalharam pelo país após a repressão truculenta da Polícia Militar paulista, liderada pelo governador tucano Geraldo Alckmin.

Uma das marcas de Haddad na prefeitura foi a criação de faixas exclusivas de ônibus, a implantação de ciclovias e a redução dos limites de velocidade em vias da cidade. A essas medidas, que incomodaram parte significativa dos paulistanos, se somaram o desgaste provocado pelo segundo mandato de Dilma na Presidência e pelo avanço da Operação Lava Jato sobre o PT. Em 2016, na tentativa de se reeleger, Haddad foi derrotado ainda no primeiro turno pelo tucano João Doria. Recebeu 967 mil votos – menos que brancos e nulos, que somaram mais de 1,1 milhão.

Da gestão na prefeitura de São Paulo, Haddad carrega também processos na Justiça. Em agosto, virou réu em processo de improbidade administrativa relacionado à construção de ciclovias. Em virtude das delações da empreiteira UTC e do doleiro Alberto Yousseff, o ex-prefeito também é réu em ação eleitoral que o acusa de caixa dois. Também foi denunciado pelo Ministério Público em ação civil de improbidade, por supostamente se beneficiar de dinheiro de caixa dois, e em ação criminal, por suposto pedido e recebimento de propina.

 

Fonte: Gazeta do Povo

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