Advogados conseguem liberdade provisória para suspeitos de matar prefeito de Maraã

Prefeito de Maraã, Cícero Lopes foi morto em 28 de fevereiro. Foto: Sandro Pereira

Os advogados do empresário Aldemir Alves de Freitas, 40, apontado pela polícia como um dos suspeitos de ser o mandante do assassinato do prefeito do município de Maraã, Cícero Lopes (PROS), conseguiram a concessão de liberdade provisória, na última quinta-feira (19), alegando que os suspeitos sofreram tortura para assinar o documento de culpa.

Nos autos, em documentos anexados ao processo, a defesa dos suspeitos alega a existência de “forças ocultas” que estão manipulando o trabalho da polícia por interesses políticos. Conforme o documento, o objetivo é ligar o crime à figura do vice-prefeito Luiz Magno Praiano Moraes (PMDB).

“Essa força oculta tenta ludibriar este respeitável Poder Judiciário, trazendo aos autos informações falsas que foram ratificadas por meio de assinatura somente após grandes torturas”, diz parte do documento anexado pela defesa dos suspeitos. Além das agressões, o documento anexado pela defesa no processo afirma que, no primeiro depoimento em delegacia, a autoridade policial intimidou os suspeitos a assinar o depoimento, sem que eles lessem.

Ainda de acordo com o documento anexado no processo, a defesa dos suspeitos informa que, no dia 1º de abril, houve uma informação de que agentes da Polícia Civil entraram na Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa para que o suspeito Lázaro Moraes assinasse uma retificação de seu depoimento, fato este, segundo o defesa, presenciado por testemunhas.

“Entretanto, nada obstante o argumento dos agentes de que estavam com pressa, o acusado leu o depoimento fraudado, no qual já havia uma confissão indireta. A constatação fez o acusado recusar a assinatura”, mostra o documento. Outro trecho da alegação da defesa diz que um dos suspeitos esteve na Cadeia Pública e conversou com Marcus Alexsandro sobre o método utilizado pelos policiais para conseguir os depoimentos. “O qual relatou o método utilizado pela polícia para que o depoimento saísse da forma como escrito no papel de delegacia: o mais brando foram os sacos plásticos de sufocamento”, consta no documento.

A reportagem tentou contato, por telefone, com a delegada responsável pelo caso, Alessandra Tringueiro, mas ela não atendeu às ligações. A assessoria da Polícia Civil do Amazonas informou que só poderá emitir uma nota hoje (23), por se tratar de um caso que requer informações da polícia do interior.

Entenda o caso

O prefeito de Maraã, Cícero Lopes, foi assassinado no dia 28 de fevereiro quando estava chegando a sua residência no município. Seis dias após a morte do prefeito, a polícia prendeu três suspeitos do crime, entre eles, o empresário Aldemir Alves de Freitas, apontado pela polícia como o mandante do assassinato, Lázaro Moraes de Assis, 40, e Marcos Aleksandro Praiano da Silva, 25.

Outro suspeito do crime, apontando como o autor dos disparos, Adimilton Gomes de Souza, 32, continua foragido, segundo a polícia.

Do D24

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