Afastado do trabalho por depressão, homem cria figuras de ação em 3D para auxiliar terapia: ‘arte ajuda quem está doente’

Revirar o baú e resgatar um sonho antigo de criança pode ajudar em momentos difíceis da vida. Foi o que aconteceu com Jardel Amorim, de 47 anos. Funcionário dos Correios em Boa Vista, ele precisou ser afastado do trabalho para tratar a depressão e encontrou na confecção de bonecos de ação uma maneira de auxiliar na terapia.

Longe do trabalho há quase 3 anos, Jardel encontrou tempo para se aperfeiçoar em uma de suas paixões de infância: a confecção de figuras de ação, ou action figures, em inglês, que, nada mais são do que bonecos com traços detalhados de personagens que remetem à cultura pop.

O artista está há cerca de 2 anos produzindo figuras de ação. Entre suas peças feitas estão personagens como o Batman, Vingador do desenho Caverna do Dragão, Pantera Negra e até o Taz-Mania, dos Looney Tunes.

“Esse tipo de trabalho é extremamente prazeroso. A depressão é a doença da tristeza e isso me dá prazer, o prazer de criar. Tua mente tá lá, focada e você nem pensa que está doente, que precisa tomar medicação, não lembra que tá triste. Isso é extremamente bom”, diz.

 

Ao decidir aprender a fazer os bonecos, Jardel tinha a ideia de confeccioná-los para coleção própria. Mas, depois o hobby ganhou tanta repercussão que agora ele faz sob encomenda para outras pessoas.

“Desde pequeno sempre tive vontade de colecionar figuras de ação, mas quando era criança as coisas não eram muito acessíveis, era tudo mais difícil. Eu sempre comprei uma peça ou outra mas agora, afastado, eu tive tempo para aprender a fazer eu mesmo”

“Me serviu muito para a terapia para a minha cabeça foi sensacional. E foi do nada, não tinha intenção nenhuma, comecei fazendo só para mim como lazer e hoje já estou fazendo encomenda. Tem muita demanda, não consigo mais nem fazer para mim”, acrescenta.

A ideia de se aprofundar nesse tipo de arte surgiu depois que Jardel assistiu na internet um vídeo de uma técnica chamada “Toy Makeover”, em que bonecos e brinquedos infantis são transformados em esculturas colecionáveis.

“Tive essa doença laboral que me afastou do trabalho, daí eu pensei ‘tô em casa, tô de bobeira vou achar alguma coisa para a mente’. Foi aí que eu vi um vídeo de uma técnica chamada ‘Toy Makeover’, que consiste basicamente em transformar um bonequinho de baixa qualidade em action figure e eu comecei disso. A grande maioria do pessoal que faz Toy Makeover também faz escultura e uma coisa vai levando à outra, até chegar na impressão 3D”, conta Jardel.

A especialista em avaliação psicológica, psicopedagogia e neuropsicologia Universidade Estadual de Roraima (UERR), Jussara Barbosa, explicou que atividades artísticas, contribuem, sim para quem faz tratamento contra a depressão. Ela afirma que pesquisas científicas comprovam melhora no estado físico e mental.

“As vantagens são muitas. Primeiro, porque através da expressão artística a pessoa conecta-se consigo mesmo, lidando com as suas angústias, organizando o inconsciente a partir da expressão do criar e sentir, elaborando e ressignificando sua condição humana”.

“No caso de pessoas diagnosticadas com depressão, a arte poderá trazer a sensação de pertencimento, voltar a produzir, criar, conectando-se com o outro novamente”, explica, como é o caso de Jardel.

 

Criações de Jardel reunidas em sua oficina — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR
Criações de Jardel reunidas em sua oficina — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR

 

 

 

Com informações do g1

 

 

 

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