“Ai Enéas, Mano”: vozes que lamentam a morte do comunicador popular

Eldiney Alcântara | 24 Horas

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A morte de Enéas Gonçalves comoveu Parintins. Político, comunicador, irreverente, empresário, uma personalidade que era envolvida em diversos setores do município. Seu público diversificado lamentou sua partida e diversas manifestações de carinho e agradecimento aconteceram nos veículos de comunicação, nas redes sociais, instituições e nas casas de Parintins.

O grande público do rádio estava acostumado a ouvir a forte voz, os conselhos inusitados, a interpretação dos sonhos, as cantorias e as risadas alegres nas manhãs e noites do rádio parintinense. “Te quieta djacho”, “Ai Enéas, mano” e tantos outros bordões que se tornaram popular e demonstravam sua criatividade, irreverência e peculiaridade de comunicador.

Sua performance no rádio se tornou escola e serviu de referência para tantos outros profissionais. “Como comunicador, eu o via como referência. Capacidade incrível de falar sobre todos os assuntos. Repertório riquíssimo para segurar um programa ao vivo durante horas. Tanto que reconheço, como todo mundo, o sucesso que eram todos os programas que ele comandava”, disse o jornalista Ronildo Silva, diretor da Rádio Tiradentes em Parintins.

Ronildo conheceu Enéas em 2006, quando a Tiradentes se instalou no município. “Sempre me tratou com carinho, respeito, educação. Eram as marcas dele. Nossa relação era tão boa que não nos víamos como concorrentes. Tanto que fizemos várias transmissões com as duas emissoras juntas. E ainda hoje, seja na transmissão do jornal, das aulas pelo rádio”, destacou.

O Sistema Alvorada de Comunicação também registrou respeito e admiração ao diretor da Rádio Clube. “Manifestamos nossas condolências a todos os funcionários da coirmã Rádio Clube FM pela partida repentina do notório radialista e atual diretor da emissora. Ex-prefeito de Parintins e ex-deputado estadual do Amazonas, ele deixa um grande legado de amor pela Ilha Tupinambarana”, disse a nota de solidariedade publicada nas redes sociais.

A voz de Enéas era forte nos bairros e em toda o município, mas ressoava de forma especial no interior, dada sua peculiar apresentação e proximidade com o povo. “Aqui no Mocambo pra onde você andava você escutava no rádio o programa do Enéas, Cartão Amarelo. As pessoas gostavam do jeito que ele falava com as pessoas, do jeito que ele mandava os bordões dele. Era um cara que era do povo. Pessoal do Mocambo gostava dele. No rádio, a audiência dele era de 100%”, comentou o senhor Nonato Mendonça, 50 anos, morador da comunidade do Mocambo que não perdia um programa do radialista.

Enéas atuou em diversos setores de Parintins. Na política, ele também exerceu papel importante. Foi eleito o deputado estadual mais jovem do Amazonas, aos 30 anos, em 1986. Teve dois mandatos de prefeito de Parintins (1988 e 2000), além de colaborar em outras gestões municipais. O colega de trabalho, Evandir Martins, destacou a vida política de Enéas, com quem trabalha desde a fundação da Rádio Clube, em 1987. “Ele como prefeito e como deputado estadual fez muitas coisas boas para o município de Parinrins. Ele era um cara que tinha um coração aberto, um coração bondoso com todos. Foi uma perda muito triste pra nós”, lamentou.

A cultura parintinense também contou com a colaboração de Enéas Gonçalves. Ele foi idealizador do Carnailha, o Carnaval de rua de Parintins. Outra festividade cultural que sempre defendeu foi “As Pastorinhas”. As músicas estavam sempre presentes em seus programas de rádio. “Perdemos um dos maiores incentivadores e conhecedor da história das Pastorinhas. Nosso sentimento é de muita tristeza e dor, pois perdemos uma das pessoas mais apaixonadas pela brincadeira. Para nós esse momento sempre foi recebido com muito amor e reconhecimento de alguém que pode até ter partido, mas continuará vivo em nossos corações, em nossas memórias”, disse emocionada Mara Siderval, presidente da Associação das Pastorinhas de Parintins.

Enéas Gonçalves Sobrinho morreu aos 64 anos, às 01:30h desta segunda-feira, 15, vítima da Covid-19. Ele estava internado em Manaus e esperava liberação médica para ser transferido à São Paulo para tratamento. Ao chegar o corpo em Parintins, na tarde de segunda-feira, foi levado em cortejo fúnebre pelas ruas da cidade e foi velado na Câmara Municipal de Parintins. Ele foi enterrado por volta das 17h no cemitério São José.

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