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“Alinhamento” Planetário?

Fig01: Foto meramente ilustrativa do “alinhamento” planetário.

 Se você estava a esperar um “alinhamento” planetário, como mostrado na figura 01, então, devo-lhe lembrar de que esta figura é meramente ilustrativa, ok?

 Um instante, se os planetas não estão alinhados, então por qual razão estão a falar em “alinhamento”?

 Conceitualmente, há um equívoco.  Claramente que os demais planetas não estão no mesmo plano, onde estão o Sol e a Terra e, muito menos, são todos colineares (estando todos na mesma linha). Apesar de não ser como o nome sugere, não deixa de ser um fenómeno magnífico de ser observado. Outra cousa, há um referencial a partir do qual se pode “ver” todos os planetas (e ainda o Sol e a Lua) confinados em um plano.  Refiro-me ao plano da Eclíptica. Voltaremos a esse ponto futuramente.

 Tudo bem, mas diga-me cá, é um evento raro ou não?

Resposta: sim e não.  Se estivermos a chamar de “alinhamento” ao fenómeno no qual os cinco planetas estão próximos uns dos outros com uma separação angular da ordem de 10°, então, é sim um evento raro. Por outro lado, se estivermos a denominar pelo mesmo nome ao evento no qual os cinco planetas encontram-se visíveis na mesma noite de obervação, então, não. Volta e meia podemos encontrar todos os cinco planetas ao longo de uma noite de observação. Claro, demandará mais tempo, entre um planeta e outro. Portanto, o charme é ver tudo no menor tempo possível, ok? Assim, podemos apreciar os planetas por mais tempo. Mas atenção, alguns planetas são problemáticos. Citam-se como exemplo, Vénus e Mercúrio, que devido à proximidade com o Sol somente aparecerão na final do entardecer. Tão logo o Sol permita, esses dois ficarão bem visíveis no céu do Amazonas.

Fig02: Como os astros estarão no céu.
Fig02: Como os astros estarão no céu.

 Certamente você percebeu que não se trata de um “alinhamento” de cinco planetas.

A boa notícia é: desta vez, os planetas poderão ser avistados logo no final do entardecer e não antes do amanhecer como foi no primeiro semestre. Vale salientar, ainda, que os cinco planetas ficarão visíveis a olho nu, durante todo o mês de Agosto.  Todos os dias são especiais para observarmos o desfile desses astros, porém, o NEPA/UEA/CNPq sugere duas óptimas datas: dia 09 de agosto e dia 21 de agosto. A diferença entre eles é que na primeira data, teremos a presença da Lua. Contrariamente, na segunda data – teremos a ausência da Lua.  Aliás, o dia 21 de agosto é bem peculiar, haja vista que Vénus, Mercúrio e Júpiter estarão praticamente “juntos”.

Fig03: Ilustração do que se pode ver ao telescópio.
Fig03: Ilustração do que se pode ver ao telescópio.

A figura 03 elucida o que você poderá ver com o auxílio de um telescópio. Claro, a nitidez e o tamanho do planeta dependem de vários factores entre eles: do tipo de lente, do tipo de telescópio, dos ajustes finos, etc..  De qualquer forma, seja para binóculo, seja  para  luneta ou  telescópio, você  terá  a oportunidade de ter três  planetas  no seu campo de visão.

Fig04: E por esse ângulo, os planetas estão alinhados?
Fig04: E por esse ângulo, os planetas estão alinhados?
Fig05: Dispostos dessa maneira, podemos falar em alinhamento.
Fig05: Dispostos dessa maneira, podemos falar em alinhamento.

Os planetas estão “alinhados” com a eclíptica – aquela linha amarela que corta a esfera celeste, na figura 05. A eclíptica também mostra o caminho percorrido pelo Sol ao longo do ano, como elucidado na figura 06:

Fig06: Planetas “alinhados” com a eclíptica.
Fig06: Planetas “alinhados” com a eclíptica.

Porém, se olharmos as figuras 05 e 06, detalhadamente, notaremos que agora faz sentido em falarmos de “alinhamento”.  Vejamos assim os principais detalhes: Todos os planetas se formaram do colapso da nuvem proto-estelar que deu origem a todo o Sistema Solar. Esse colapso se deu em direcção ao centro da nuvem, formando o Sol, mas algum material se espalhou em um plano. E é exactamente nessa região que se formaram todos os planetas e por isso eles estão confinados nesse plano. Quando vistos no céu, todos eles vão estar perfilados, inclusive a Lua e o Sol. Essa fila, ou linha, é chamada Eclíptica. Por favor, não confunda, o facto de afirmarmos que por esta perspectiva, todos estejam confinados a um plano não implica dizer que os planetas sejam planos. Lembre-se, na visão mais simples, o espaço é tridimensional. A figura 06 pode levar o estudante a pensar que o Sistema Solar seja bidimensional, o que é um erro.

Fig07: Horários nos quais cada planeta e a Lua estarão visíveis no céu do Amazonas.
Fig07: Horários nos quais cada planeta e a Lua estarão visíveis no céu do Amazonas.

A figura 07 mostra os horários nos quais a Lua e cada um dos planetas estarão visíveis na noite de 09 de agosto de 2016. Atente-se para as horas, ok?

Outro detalhe importante: para identificar Vénus e Júpiter fique atento para a luminosidade de ambos, afinal, são os dois planetas mais brilhantes no céu, ok? Mas não esqueça, Marte e Saturno estarão bem altos no céu. Para facilitar sua vida, identifique a Constelação do Escorpião, localize Antares, Saturno e Marte formarão um triângulo com Antares (conforme mostra a figura 02). Marte é de fácil identificação, sua coloração avermelhada – típico deste planeta salta aos olhos. Dica: deixe seu telescópio montado exactamente  na direcção na qual o Sol está a se pôr. [Observação: NUNCA olhe para o Sol sem proteção ou com telescópio inapropriado, ok? Procedimento errado pode levá-lo à cegueira total.] Assim que o Sol se pôr você verá pela frente uma “estrelinha” muito brilhante, na verdade, é um planeta – é Vénus, vulgo estrela Vésper (no entardecer) ou ainda Estrela D’alva (no amanhecer).

Se de tudo você não conseguir visualizar esse fenómeno em Agosto, tudo bem, não se desespere.  Você terá até Dezembro para vê-lo. E se o ano de  2016 acabar e você, mesmo assim, não  conseguiu ou não se lembrou de  olhar para o céu. Não tem problema algum, em 2018, terá novamente.  Mas cuidado, daqui dois anos não teremos os planetas tão próximos como agora, ok? E mesmo assim, se você ainda não conseguir ou não se lembrar de ver em 2018, então, neste caso você terá que aguardar 24 anos, em 2040. Diga-se de passagem, em Setembro de 2040 o alinhamento planetário terá ângulos próximos tal qual está a ter em 2016.

E para você que estava a sentir saudades do trio: Lua, Úrano e Neptuno, entre os dias 21 e 22 de Agosto eles poderão ser avistados facilmente. Principalmente Úrano, que estará ao lado da Lua.  Já Neptuno estará na Constelação de Aquário.

Fig08: Lua e Úrano próximos, e Neptuno.
Fig08: Lua e Úrano próximos, e Neptuno.

Evidentemente que você obeservou as chuvas de meteoos que teremos no final de Agosto. Um grande desfecho para o espetáculo deste mês.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da UAI, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

 

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