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Após casos da doença da urina preta, população evita peixe e feirantes relatam prejuízos

Eldiney Alcântara | 24 Horas

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Os casos da doença da urina preta, rabdomiólise, registrados no Amazonas e que, supostamente seriam causados por peixes infectados, fez a população parintinense evitar o consumo de peixes. Relatos de feirantes que atuam na Feira do Bagaço, na Francesa, e na Feira da Ponte Amazonino Mendes, no Itaúna, confirmam a queda na comercialização do pescado, em especial, na venda do tambaqui.

Edmar Ferreira, 36 anos, é feirantes há 13 anos na Feira do Bagaço e afirma que a venda do peixe se tornou mais difícil após as notícias da doença da Urina Preta. Ele conta que as pessoas estão com medo de consumir peixe. “Agora, com essa doença que apareceu, ficou mais difícil pra nós, porque a gente vive disso. Eles não querem nem mais comer tambaqui. Vai ser difícil a gente vender ele. Pessoal tá com medo”, conta.

Marcos Pita, 56 anos, trabalha com venda de pescado há mais de 30 anos. Ele atua na feira da Ponte e fez um investimento de mais de R$1 mil em pescado, porém, conseguiu vender apenas R$100,00 em três dias. Ela confirma que as vendas despencaram e até as 10hs de hoje, 01 de setembro, não havia vendido um único peixe. Para ele, houve precipitação e os órgãos de segurança deviam ter confirmado primeiro se a causa da doença era realmente o pescado. “Ontem eu vendi dois peixes. Eu queria que eles dissessem que o peixe está com problema, mas eu queria que eles provassem. Eles estão prejudicando muita gente. Acho que tinham que divulgar uma coisa, mas uma coisa que tivesse certeza”, critica o vendedor.

O ambulante Diuller Ferreira, 40 anos, vende verduras e legumes próximo à feira. Ele depende da venda do peixe para comercializar seus produtos. O vendedor afirma que a notícia afetou uma série de vendedores. “Essa notícia deu um impacto muito grande na população, que não está mais vindo na feira comprar peixe. Estão com medo. Acho que não tem uma coisa concreta e isso afetou nas vendas pro farinheiro, pra que vende o cheiro verde, pra quem vende o limão e o comerciante de peixe”, relata.

A coordenadora da Vigilância em Saúde de Parintins, Elaine Pires, afirma que o órgão está monitorando os casos, porém, não proibe o consumo do peixe da cidade. “Não temos como proibir, visto o número de casos para o número de pessoas que estatisticamente fazem o consumo do alimento, visto que são vários fatores de contaminação para a ocorrência da doença, não propriamente o peixe”, explica.

Nas redes sociais, o infectologista da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, Antonio Magela, informa que não há maiores dados para a suspensão do consumo de pescado no Amazonas, uma vez que os casos de rabdomiólise ainda estão em investigação.

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) notificou, até esta terça-feira, 31, 44 casos da doença, que estão em investigação, com suspeita de estarem relacionados à ingestão de peixes.

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