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Artistas Parintinenses: Pandemia e a dificuldade de obter renda

Gilson Almeida | 24 Horas 

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Parintins (AM) – Se não fosse a pandemia do novo coronavírus, nessa data os brasileiros estariam ansiosos pela realização do carnaval. Em Parintins tem o Carnailha que anima os foliões com a apresentação dos blocos irreverentes e suas marchinhas engraçadas, a escolha da corte do evento, a apresentação dos blocos da chave especial e já o esquenta para os amantes de boi-bumbá com a realização do Carnaboi com os bois Caprichoso e Garantido.

Hoje os galpões dos blocos carnavalescos se encontram vazios, sem muito clima para festejar devido as milhares de vidas ceifadas pela Covid-19, como destaca o presidente do bloco da chave especial Ursos Polares, Pereira Lopes. “Por enquanto estamos sem clima para carnaval devido a perda de vários amigos para esse Covid maldito”, disse.

O presidente do bloco irreverente, Lagarto Salgado, Alan Pimentel, conta que hoje o sentimento é de aflição, cautela e respeito por muitos familiares e brincantes que o bloco perdeu por causa do vírus. “Sobre o fato de ter ou não carnaval, o momento não é para festa, mas a alegria do Carnailha com certeza nos deixa saudades, principalmente para esse povo feliz de Parintins”, falou.

Durante o carnaval muitos artistas parintinenses também são chamados para trabalhar nas escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo. “Toques mágicos” desses profissionais que dão beleza e movimentos robóticos às alegorias que encantam não só o Brasil, mas também o mundo.

O artista de alegoria do Boi Garantido, Glemberg Castro, relata que durante a pandemia a capitação de recursos dos artistas de Parintins ficou mais difícil, ainda mais com a principal fonte de renda deles, o festival, realizado no mês de junho, que aconteceria no ano passado ter sido adiado para esse ano devido a pandemia da Covid-19. Glemberg aguarda ainda o posicionamento da escola de samba onde atua, a Beija-Flor de Nilópolis, sobre os trabalhos para o carnaval do Rio de Janeiro previsto para acontecer em julho desse ano. “Ficou muito complicado. Todas as portas se fecharam. A gente está se virando como pode. O carnaval tá parado, o boi nem se fala. Temos que se virar para fazer outros trabalhos para sobreviver se não fica complicado”, destacou.

Para Castro, com a vacinação contra a Covid-19 no país anunciada pelo Ministério da Saúde para o dia 20 de janeiro será o recomeço de tudo. “Após essa vacina o mundo todo vai ter que se readaptar e para nós, artistas principalmente, com a mudança das datas, a maioria vai escolher o que for melhor realmente principalmente quando se fala de festival no mesmo tempo do carnaval. A maioria vai optar pelo carnaval, é uma remuneração melhor com certeza”, pontuou.

Fazendo uma crítica construtiva, Glemberg afirma que hoje o festival precisa ser mais organizado, dar mais valor aos seus artistas e a todo seguimento que faz o evento acontecer.

“Existem muitas coisas no festival como atrasos e pendências, e nós artistas sobrevivemos disso, fica complicado sobreviver dessa forma. Hoje faço uma crítica construtiva porque somos filhos daqui e se tudo fosse diferente ninguém precisaria viajar e passar seis à 10 meses fora de casa. Hoje a artéria principal é o Festival de Parintins, ele é a principal atividade econômica da cidade e com a pandemia muita gente sofreu as consequências. Espero que depois de tudo isso as coisas sejam vistas com mais carinho, com mais valor, com mais seriedade. Isso também faz parte para dias melhores acontecerem”, desabafou.

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