Batucada e Garantido: Doação apaixonada

Foto: Camila Batista

Parintins (AM) – Anos dedicados ao ritmo cadenciado da batucada da Baixa de São José e uma vida cheia de emoção e títulos pelo Garantido no Festival Folclórico de Parintins. Assim é um grupo veterano que toca no bumbá há muito tempo. Homens e mulheres que fizeram do Garantido uma segunda casa e que escrevem uma história que precisa ser contada.

Foto: Paulo Sicsu
Foto: Paulo Sicsu

A batucada do Garantido é responsável pela condução musical das apresentações no bumbódromo. Um item importante que conta com pessoas dedicadas e que desde criança tocam no boi. O item 03 conta com crianças, adolescentes, jovens, adultos e experientes batuqueiros com até mais de 50 anos de participação no bumbá.

Evandro Silva. Foto: Paulo Sicsu
Evandro Silva. Foto: Paulo Sicsu

Uma dessas pessoas é o batuqueiro Evandro Silva, 71 anos. Desde curumim ele brinca no Garantido, iniciando a brincadeira em 1953, quando o bumbá ainda saía pelas ruas às escuras. “Eu sou do tempo da lamparina. Eu era lamparineiro do Garantido”, conta. Seu Evandro começou a brincar aos 9 anos e desde lá nunca mais parou. A brincadeira é vivida todos os anos e ganha emoção a cada nova festa.

O batuqueiro cresceu na Baixa do São José acompanhando as apresentações do boi e as mudanças no festival. “Aqui é minha segunda casa, praticamente me criei no Garantido, no curralzinho da Baixa”, lembra. Ele conta que nos últimos anos a própria toada “acelerou o ritmo”, mas o importante é que não perdeu a essência.

Batuqueira Maria Ribeiro. Foto: Paulo Sicsu.
Batuqueira Maria Ribeiro. Foto: Paulo Sicsu.

Outro coração pulsante da batucada é Maria Ribeiro, 65, conhecida como dona Maroca. Ela conta que não lembra desde quando brinca no boi, mas afirma que está no Garantido desde menina. Para os ensaios e festas do boi a roupa vermelha e branca, acessórios e até chapéu são itens indispensáveis no vestuário. Ela mostra jovialidade durante a execução das toadas.

“A gente não falha”, afirma a batuqueira que é assídua nos ensaios. A família dela também participa. “Quando começa o boi a gente não quer ficar em casa, a gente quer vir pra cá pro meio pra brincar. A tradição da nossa família é essa”, destaca.

Nesse encontro surgiu ainda o grupo das Lazinha, mulheres organizadas dentro do segmento dos batuqueiros. A coordenadora é Lika Silva. Sempre atentas e vigilantes nos ensaios de cada toque.

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O jovem Marcelo Bilela atual coordenador de arena e o coordenador geral Chico da Madá da Batucada do Garantido não escondem o entusiasmo de acompanharem o grupo de batuqueiros em mais um festival. O tambor da “vida” e neto do mestre Lindolfo, Reke Monteverde é presença tarimbada nos ensaios e continua uma rotina do caboclo de Parintins. Atua no trabalho de dia no setor primário e a noite se transforma em músico do Vermelho e Branco.

Batuqueiros. Foto: Paulo Sicsu.
Batuqueiros. Foto: Paulo Sicsu.

A velha guarda ou novos integrantes da batucada é constante nos ensaios e chamam a atenção pela paixão e dedicação ao boi. Pessoas que ao longo dos tempos dedicam horas, dias, meses e anos para levar um ritmo carregado de cadência e sentimentos. Uma tradição que atravessa gerações e celebra muitas histórias, muitas vidas. Nesses dias finais próximos a mais um disputa de área esses homens e mulheres parecem atrair uma força ainda mais forte para os últimos ajustes em prol ao Boi Garantido.

Texto: Eldiney Alcântara

 

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