Bois de Parintins são heranças de terreiro, identidade da cultura negra

Foto: Michael Dantas

Da Redação

Parintins (AM) – As raízes do boi-bumbá de Parintins estão fincadas no terreiro, local destinado à celebração religiosa de afro-brasileiros. A brincadeira do boi de pano, que virou espetáculo admirado por nações em todos os continentes do planeta, chegou ao Amazonas trazida na bagagem por negros oriundos do Nordeste há mais de um século.

O tambor, presente na batucada do Boi Garantido ou na Marujada de Guerra do Caprichoso, é um instrumento musical característico de negros, resistente na contemporaneidade. “O boi é uma brincadeira e uma tradição negra que recebe outras influências, seja europeia ou indígena”, afirma o professor de artes, Ericky Nakanome.

O jornalista e escritor Wilson Nogueira afirma que a marginalização imposta pela elite dominante na Ilha Tupinambarana fez o terreiro ser substituído pelo curral. “Aliás, a palavra curral é, também, uma denominação das ‘zelites’ preconceituosas, uma vez que terreiro remete aos batuques. A brincadeira era considerada de preto e de pobre”, explica.

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