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Canibalismo dentro de Enxame Galáctico

Fig01: Enxame de Galáxias da Fornalha.

 “Viver em sociedade” é assim que podemos sublinhar uma das características das galáxias. Ou seja, elas adoram ficar reunidas em grupos grandes, os quais se denominam “enxames”.

A imagem mostrada na Fig01 destaca o Enxame de Galáxia da Fornalha e foi capturada pelo Telescópio de Rastreio do VLT. Esse enxame em particular é interessante, pois, apresenta uma grande diversidade quanto à forma e tamanhos das galáxias.

Fig02: Localização do Enxame Galáctico da Fornalha.
Fig02: Localização do Enxame Galáctico da Fornalha.

Esse “lado social” das galáxias está directamente ligado à força gravítica, responsável por mantê-las unidas em um enxame. É como se todas fossem um objecto apenas. Mas atenção, a força gravítica pode ser exercida tanto por grandes quantidades de matéria escura quanto por galáxias, ok?

Em geral, os enxames contêm desde uma centena até milhares de galáxias e podem ter tamanhos variados, o menor deles em torno dos cinco milhões de anos-luz, e o maior por volta dos trinta milhões de anos-luz.

Fig03: Em destaque as galáxias mais brilhantes do enxame.
Fig03: Em destaque as galáxias mais brilhantes do enxame.

Como mostrado, na figura 03, os enxames de galáxias não têm formas muito bem definidas. Assim, fica difícil determinar exactamente onde começam e onde terminam. Porém, no caso específico do Enxame da Fornalha estima-se que seu centro esteja a uma distância (da Terra) aproximada de 65 milhões de anos-luz. O certo mesmo é que esta região contem 60 galáxias grandes e       60 galáxias anãs.

Outro aspecto relevante é que enxames de galáxias como este são comuns no Universo e o Enxame da Fornalha exemplifica muito bem o quão intensa é a força gravítica, mesmo para distâncias longíquas, que consegue unir as grandes massas de galáxias individuais em uma só região.

Se olharmos para o centro do Enxame da Fornalha encontraremos uma galáxia chamada NGC 1399, trata-se de uma canibal galáctica. Esse tipo de galáxia parece com as galáxias elíptas, porém, são maiores e possuem envelopes extensos e ténues. A explicação mais plausível para este facto é aquela que galáxias canibais se formaram ao “devorar” outras galáxias menores, que foram levadas para o centro do enxame pela força gravítica.

Com o auxílio do VST do ESO, os astrónomos notaram que a Galáxia NGC 1399 ainda está a se alimentar das galáxias vizinhas.

Espera-se, portanto, que resultados de pesquisas futuras esclareçam o processo de formação e evolução de enxames galácticos. E também, é claro, que os astrónomos tenham uma melhor compreensão sobre matéria escura.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA, Membro da AIU, Membro da ST/Brasil, Membro do PLOAD/Brasil, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

 

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