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Cantor Júnior foi morto por engano e alvo era traficante, diz delegado

O cantor Melvino de Jesus Júnior, 42,que era vocalista do grupo Júnior e Banda, foi morto por engano, o alvo era um traficante de Coari, identificado como Vitão.  A informação foi divulgada na manhã desta terça-feira (13), pelo delegado Juan Valério, da Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), durante a apresentação de Kaison Rodrigo Pena da Silva, 23, Ozivan dos Santos Oliveira, 31, e Henrique Silva da Silva, 22, conhecido como Kinho, apontados como responsáveis pelo crime. Quatro pessoas ainda estão foragidas.

Conforme Valério, o traficante estaria no mesmo local e possuía características parecidas com a do cantor. Vitão é traficante de Coari e estava tentando entrar no tráfico em Codajás.

O delegado informou que os suspeitos foram presos em cumprimento de mandado de prisão preventiva por homicídio qualificado. A prisão de Kaison ocorreu no último sábado (10), no bairro João Paulo, na zona leste, enquanto  Ozivan foi detido em Codajás. Já Henrique foi encontrado ontem, em uma embarcação com destino a Coari.

“Estava com medo de ser morto, por causa da morte do policial, por isso tava voltando para lá. Estavam matando muitos colegas meus”, disse o Henrique.

Segundo o delegado, os suspeitos foram de Manaus para o município e a morte de Vitão seria paga com um quilo de droga, para cada um, no entanto, como eles erraram o alvo, não receberam nada. “A droga era cocaína e estava avaliada em R$ 6 mil”, destacou Valério.

A morte do traficante foi encomendada por Evenilson de Oliveira Ferreira, conhecido como Mistério, ligado à Família do Norte (FND), que comanda o tráfico, segundo o delegado, no município de Codajás, onde o cantor foi morto. A intenção era matar o traficante Vitão e impedir que ele avançasse para o município de Codajás, segundo o delegado.

Durante a apresentação, Henrique disse que estava arrependido e que chegou a se ajoelhar quando soube que matou a pessoa errada.  “Não foi minha intenção matar, eu descarreguei o 38, mas estou muito arrependido de ter matado. Queria pedir desculpas aos familiares”, disse.

“Nós já sabíamos que ele tinha envolvimento, mas para a Polícia não basta prender uma pessoa que tinha envolvimento e as demais pessoas ficarem impunes. Então durante todo esse período nós trabalhamos nesse caso porque as informações não batiam”, disse.

Júnior foi morto no dia 29 de abril deste ano, no município de Codajás. Na manhã de segunda-feira (12), o corpo de Junior que estava enterrado há pouco mais de um mês, passou por exumação no cemitério Parque Tarumã, zona oeste da capital. Segundo o delegado Juan Valério, o procedimento foi necessário para uma perícia complementar.


Família 

A filha de Melvino, Ingrid de Jesus, comentou a prisão, disse que muitos boatos foram divulgados sobre a morte do cantor e graças às investigações foi comprovado que Júnior morreu inocentemente, ressaltou a filha do cantor.

“É muito ruim saber que ele se foi, sem saber o porquê. Muitas inverdades surgiram, muita gente acusou meu pai e minha família sofreu muito por isso”, disse a filha do cantor.

De acordo com Valério, a polícia já tinha conhecimento do autor do crime, conhecido como Mistério. “Fizemos toda uma investigação à respeito da vida do Melvino e não tinha absolutamente nada que desabonasse sua conduta. Tanto em relação ao tráfico, quanto em relação a se envolver com mulheres como haviam sido divulgado. E nos causou estranheza porque a forma como ele foi morto tinha características de execução de crime organizado”, afirmou o delegado da DEHS.

O delegado adjunto da DEHS, Raphael Campos, informou que, “Júnior estava em frente a um hotel bebendo  e foi confundido com um traficante de Coari. Os autores eram de Manaus, para que justamente ele (Vitão) reconhecesse”.

Soldado Portilho

Ainda conforme o delegado, ao todo sete pessoas estão envolvidas no homicídio. Além de Vitão e os quatro presos, permanecem foragidos os suspeitos: Josiney Lavareda, Dentinho; Marcos Ribeiro Ramos, Marquinho e Fábio Barbosa de Souza, Índio.

Ainda segundo a Polícia Civil, Henrique e Índio, também estão envolvidos no assassinato do soldado Paulo Sérgio da Silva Portilho, que teve o corpo encontrado na tarde do dia 30, na Rua 222-A da invasão Vila Buriti, Comunidade João Paulo, bairro Nova Cidade, zona Norte de Manaus. Na delegacia, na manhã desta terça, ele negou que tenha participado da morte do policial. Segundo Henrique ele tinha ido ao local do assassinato do soldado para comprar drogas, mas não participou do crime. Henrique afirmou que não mantém contato com Índio.

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