Caprichoso encerra 54º Festival de Parintins clamando pela paz no Brasil

“O Brasil que a gente quer reinventar” começou a ser apresentado pelo Boi Caprichoso com o módulo de Jesus Cristo flagelado, onde o bumbá fez a primeira aparição para saudar a galera azul e branca, na noite deste domingo, (30/06). A Figura Típica Regional “A Cabocla Lavadeira”, sob a trilha musical da toada “Matriarca”, foi a primeira alegoria da noite, obra do artista Makoy Cardoso e equipe.

A arena do Bumbódromo simbolizou o protagonismo das mulheres da Francesa e dos beiradões do Amazonas, com a aparição da Porta-Estandarte, Marcela Marialva, conduzida por uma lavadeira lara a evolução. A alegoria se abriu para revelar a “Exaltação Folclórica Mestras do Saber Popular”, com Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins, como figura principal.

Nesse contexto, surgiram a Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, e o tripa Alexandre Azevedo com o Boi-Bumbá Caprichoso para evoluírem na arena, juntamente com o Amo do Boi, Prince do Caprichoso. Na alegoria “Teoká, Terra Tirada”, obra do artista Nonôca Costa e equipe, o Caprichoso apresentou o momento tribal com o canto “Mátria Esperança” para reverenciar o renascimento pela resistência dos povos originários de Norte à Sul do Brasil.

A arena do Bumbódromo tornou o rio Uaupés durante a execução da Lenda Amazônica “Caximarro: As Três Guerreiras”, alegoria confeccionada pelo artista Geremias Pantoja, que mostrou o castigo de índias, por transgredirem os costumes sagrados do período da puberdade, transformadas em pedras, até hoje vistas em frente à São Gabriel da Cachoeira. Do módulo central, surgiu a Cunhã-Poranga, Marciele Albuquerque.

Com show de efeitos especiais, “Dinahí”, gigantesca alegoria do artista Juarez Lima em forma de serpente, entrou na arena transfigurada em espírito de consciência ambiental e retratou, em mais um momento tribal, o empoderamento de uma líder do povo manau, vítima de feminicídio na época da colonização da Amazônia. A Rainha do Folclore, Cleise Simas, representou a cobra grande encantada, coroada em protetora das águas, adormecida no encontro do rio Negro com o Solimões.

A escassez de alimentos no rio Iquê, consequência das construções de hidrelétricas, ganhou forte dramaturgia no grande Ritual Indígena “Enawenê-Nawê: Yãkwa, A Favorável Sentença”, alegoria assinada pelo artista Algles Ferreira. O povo indígena Enawenê-Nawê, atualmente, compra os peixes para oferendas aos espíritos pela continuidade do equilíbrio da vida. A cerimônia, celebrada pelo pajé, Neto Simões, com danças sagradas ancestrais, clamou pela manutenção da relação harmoniosa entre o mundo dos vivos com o sobrenatural.

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