Cartas para o Tempo Feroz

Há 4 meses deixei Parintins para buscar um trabalho na capital do Amazonas, a terra de Manaós, um lugar cheio de vários lugares, não dá pra definir este canto aqui de uma coisa só. É cheio de ônibus, cheio de assalto, cheio de gente principalmente, cheio de história e rodeada por umas conversas em voz alta abafadas pelos ruídos desastrosos em qualquer paragem. Não importa em que Zona, o barulho perseguidor não tem preferência, como diz os cabocos, ele “arrudia” de Sul ao Norte, Leste ao Oeste; A rosa dos ventos deste lugar aponta em apenas quatro direções, caminho retos em um planalto todo asfaltado e que nos amargura quando pensamos na pequena ilha dos muitos agregados dos municípios do Baixo Amazonas.

A Terna vontade de encontrar o seu refugio de multidões, ir sem um trocado no bolso despreocupado para atravessar avenidas de via dupla pra pegar “Busão”. Seria isso uma das formas singelas do pensamento do parintinense ao lembrar do seu pedaço de chão?

As lágrimas fazem parte da saudade meus caros! Ela é nada mais que um composto deste combo que assola nosso cotidiano movimentado, um ócio chamado solidão. Deve sempre bater aquela “bad” lembrando da vontade de querer e poder ir comer um x-salada na praça dos bois, dá uma volta nas estradas do Aninga e do Parananema de moto, normalmente com um Biz 125.

São coisa básicas do cotidiano da Vila Bela, são necessidades do povo da Vila Bela. Mas, todo cantinho o que é bom e sereno, um dia se corrompe e se adapta a realidade bruta e agressiva de um lugar populoso e bem problemático: socialmente e humanamente. Dois quesitos que a nossa mente meticulosa não mente.

A desgraça se alastra feito doença degenerativa ao logo do dia, começa logo com uma vítima de latrocínio, se estende com a indiferença da gestão pública municipal, e tudo isso vira o quê depois? Um lixo amassado, que derrama um chorume chamado de memes e polêmicas da uma Tal Parintins Vida Loka, é o cúmulo mesmo. Só resta lamentar-se cantando a música de Chico da Silva, “ que tempo bom, que não volta nunca mais”.

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