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Cassini: A missão final

Figura01: Ilustração – Cassini sobre o pólo norte de Saturno

Na próxima quarta-feira (26 de abril) nós iremos nos despedir da sonda Cassini (lançada pela NASA). Será o início do fim de uma missão que ficou  desde 2004 na órbita de Saturno. Segundo o planeamento da  NASA, a sonda executará seu primeiro mergulho (de uma série programada)   em direcção ao planeta Saturno. Inicialmente, Cassini terá que percorrer 2,4 mil quilómetros entre o planeta e os seus anéis. Atravessar as regiões entre os anéis  é algo que até então, nenhuma outra missou tentou. Mais ainda, segundo o planeamento da NASA, Cassini tentará  atravessar  a região entre os anéis 22 vezes, antes de cair em direcção ao planeta Saturno.

Mas  fazer essa travessia apenas  uma vez  já não seria um óptimo resultado? Certamente que sim,  entretanto, dada as proporções de Saturno,  essas 22 travessias foram definidas a levar em consideração, também, as condições actuais da sonda.  Vale sublinhar que  o sucesso nesta última missão  resultará em uma compreensão mais  profunda  sobre a formação e evolução de planetas gigantes. O que também pode ser ampliado para os sistemas planetários em geral.  Além do mais,  é a oportunidade que se esperava para estudarmos mais sobre os integrantes dos anéis de Saturno e  sua vizinhança.

Cassini  contribuiu bastante para o avanço da Astronomia nas últimas décadas. Citemos duas delas, em especial: a descoberta  de um oceano   global no interior de Encélado – onde foram registados indícios  de actividades hidrotermais; e  a descoberta de mares de metano líquido na lua Titã.

Lançada em outubro  de  1997,  Cassini  está a completar quase duas décadas  longe de nós e 13 anos  a  orbitar Saturno. Claro, a pergunta mais óbvia: e onde a Cassini se reabastece? A realidade é não há como reabastecer a sonda, que está  a perder combustível, por isso serão 22 voltas e não 23 em torno da região entre os anéis. Quando o combustível tiver  acabado, a NASA irá  terminar a missão  com um mergulho da sonda Cassini  em Saturno.  Claro, que o mergulho sobre o planeta irá preservar as luas saturnianas  de um possível impacto e  abre margem para futuras investigações. Caso a NASA  deixasse Cassini seguir  em sua actual órbita, provavelmente ela poderia  colidir com qualquer uma das luas de Saturno, inclusive com  Encélado – onde há grandes chances de encontrarmos um ambiente favorável  à vida.

Figura 02: Ilustração – Cassini momento antes do mergulho na região entre Saturno e seus anéis.

Embora Cassini esteja a sair de cena, terá pela frente obstáculos inéditos. Com base na experiência de missões anteriores, os engenheiros da Cassini traçaram um plano de voo que valoriza, do ponto de vista científico, o envio da sonda para estas regiões antes mesmo do mergulho em Saturno, planeado para 15 de setembro de 2017.

Figura 03: Ilustração – Cassini a penetrar a atmosfera de Saturno.

Mas o que poderemos esperar de Cassini nesta etapa final? Excelente questão. Esperamos que Cassini seja capaz de nos fornecer  informações valiosíssimas  a respeito da estrutura interna de Saturno, assim como,  sobre as origens  dos anéis; recolher a primeira amostra da atmosfera saturniana; fazer registos de partículas oriundas  dos anéis principais, captar  imagens em regiões próximas  das nuvens  de Saturno  e dos seus  anéis interiores.

Entre a sequência prevista, dia 22 de abril (neste sábado)  a Cassini irá  realizar seu último “flyby” ao redor de Titã. Assim como ocorreu em outras oportunidades, a gravidade de Titã curvará  a rota de voo da Cassini. Desta forma a órbita da sonda ficará encolhida e, como consequência, ela será lançada entre Saturno e a região mais interna dos anéis saturnianos. Um dos  desafios para a Cassini será  manter a sua antena  apontada para a Terra. Mesmo porque a atmosfera saturniana torna-se mais densa, rapidamente, e então, vence o esforço dos motores. Quando isso acontecer, a sonda irá girar. E paulatinamente, será desintegrada, ainda na atmosfera de Saturno.

Antes do fim, em 15 de setembro espera-se que a Cassini envie os dados de vários instrumentos antes de sua queda. Inclusive, a expectativa é grande em torno dos primeiros dados da composição atmosférica de Saturno. Os dados serão enviados até que haja perca total do sinal enviado pela Cassini.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da UAI, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Director do Planetário Digital de Parintins-NEPA/UEA/CNPq, Director do Planetário Digital de Manaus-NEPA/UEA/CNPq, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

 

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