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Chefe de esquema de desvio de verbas da Saúde no AM está ‘sereno’, diz advogada

Apontado pela Polícia Federal como chefe de uma organização que desviava recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) no Amazonas, o empresário e médico Mouhamad Moustafa está “sereno”. A informação foi dada pela advogada que o defende, Simone Rosado, que conversou com a reportagem do Portal A Crítica sobre o caso de seu cliente, que foi preso durante a Operação “Maus Caminhos”, deflagrada ontem pela PF, Controladoria Geral da União (CGU) e Receita Federal (RF).

Segundo ela, o processo ainda está em fase de inquérito e por isso não há como dar muitas informações. “Estamos verificando os autos e vamos pedir relaxamento da prisão preventiva. Ele já foi ouvido e está sereno. Vamos fazer a defesa e mostrar que não é nada disso do que está sendo acusado”, declarou.

“Ainda estamos analisando os autos e ainda não tive acesso ao inquérito. Só tive acesso à decisão da prisão preventiva ontem de tarde, mas, geralmente, a decisão vem com o mandado e não veio dessa vez. Estou estudando [o caso] ainda, mas vamos atrás do relaxamento, não há porquê ele estar preso”, acrescentou.

As investigações detectaram um desvio de R$ 110 milhões nos recursos do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas, quase metade do montante destinado ao fundo. Veículos de alto padrão, imóveis, jato e helicópteros estão entre os bens apreendidos durante a operação.

“Fica muito claro que o grupo ostentava elevado padrão de luxo muito acima da realidade de qualquer brasileiro e brasileira. Quase que algo cinematográfico, hollywoodiano”, declarou o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, o delegado Marcelo Rezende.

Sindicância

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CRM-AM), José Bernardes Sobrinho, afirmou que o órgão vai acompanhar o andamento do processo contra Mouhamad.  “Vamos acompanhar de perto, vou pedir o processo do Judiciário para verificarmos se houve algum prejuízo na relação médico-paciente. Caso isso tenha acontecido, vamos apurar abrindo uma sindicância”, explicou.

Começo da ‘Maus Caminhos’

A investigação teve início em análise da CGU sobre concentração atípica de repasses do Fundo Estadual de Saúde à organização social Instituto Novos Caminhos (INC). Em dois anos, a entidade recebeu mais de R$ 276 milhões para administrar duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), em Manaus e Tabatinga, e um centro de reabilitação para dependentes químicos, no município de Rio Preto da Eva, distante a 80 quilômetros da capital amazonense.

De acordo com as investigações, o montante de dinheiro destinado às unidades administradas pelo INC eram superior ao do próprio Hospital Pronto-Socorro 28 de Agosto, que tem uma capacidade muito maior de atendimento. “O 28 de Agosto tem, sozinho, oito vezes mais leitos que as duas unidades médicas e hospitalares. No entanto, recebeu menos da metade dos recursos destinados a essas duas unidades”, exemplificou o superintendente Marcelo Rezende.

Segundo a CGU, todas as empresas investigadas são comandadas direta ou indiretamente pelo médico e empresário Mouhamad Moustafa. Para o coordenador da operação, delegado Alexandre Teixeira, o dinheiro desviado serviu para manter o padrão de vida elevado do chefe da organização.

“Estes recursos públicos foram destinados a sustentar uma vida de luxo e ostentação de um profissional que deveria prestar bons serviços à população, que ficou sem ter direito a serviços básicos de saúde”, afirmou.

Foram cumpridos 13 mandados de prisão preventiva, quatro mandados de prisões temporárias, três mandados de condução coercitiva, 40 mandados de busca e apreensão, 24 de bloqueios de bens e 30 de sequestros de bens. As medidas aconteceram em residências e empresas nos municípios amazonenses de Manaus, Itacoatiara e Tabatinga, além das capitais Belo Horizonte, Brasília, Goiânia e São Paulo.

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