Com 35 anos de vida política, Amazonino entra para a história

Amazonino Mendes encerra o quarto mandato de governador do Amazonas nesta segunda-feira (31/12)
Uma busca no Google com o nome dele, Amazonino Mendes, retorna com 288 mil resultados. Nasceu em Eirunepé (AM), em 16 de novembro de 1939, filho de Armando de Sousa Mendes e de Francisca Gomes Mendes.  Seus primeiros estudos foram na sua cidade natal. Depois, transferiu-se para o Ceará e estudou no Colégio Castelo Branco, em Fortaleza. De volta ao Amazonas, foi aluno do Colégio Dom Bosco, em Manaus, e cursou o segundo grau no Seminário do Espírito Santo, em Tefé (AM).
Após 35 anos de vida nos mais altos cargos políticos – quatro vezes governador do Amazonas, três vezes prefeito de Manaus e um mandato de senador – Amazonino Mendes deixa a vida eleitoral (e não política, como tem afirmado) como um dos grandes mitos da história do Amazonas, pelas polêmicas, das quais nunca se esquivou, ao defender suas ideias ousadas com afinco e pelos acertos.  Foi chamado de ‘tocador de obras’, fez muito interiorano trocar o remo pelo motor e o machado pela motosserra. Inventou a “ação conjunta” do Governo do Estado com os prefeitos.
Amazonino destaca como as principais realizações de seu governo a restauração do Teatro Amazonas, em Manaus; a criação da Universidade do Estado do Amazonas; a conclusão das obras da Vila Olímpica, que estavam paralisadas há mais de 20 anos; a construção de bairros populares em Manaus (asfaltou bairros, muitos antigos como as Compensas, Alvoradas, Coroado); a criação do Instituto Superior de Estudos da Amazônia (ISEA) e a reformulação da política de incentivos fiscais para a Zona Franca de Manaus.
No segundo governo, criou o polo graneleiro de Itacoatiara (AM) e a Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), para exploração do gás da reserva de Urucu. Além disso, asfaltou a BR-174 (Manaus-Boa Vista-Venezuela) e implantou o programa denominado Terceiro Ciclo, destinado a promover o desenvolvimento do interior do estado por meio da produção de grãos.
Líder – Durante sua vida estudantil exerceu cargos nas diretorias da União dos Estudantes do Amazonas (UEA), na União dos Estudantes Secundaristas do Amazonas (UESA), na União Nacional dos Estudantes (UNE) e na União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). Devido à sua militância no movimento estudantil, chegou a ser preso por alguns dias durante a ditadura militar.
Iniciou sua carreira política em abril de 1983, ao ser nomeado prefeito de Manaus pelo governador Gilberto Mestrinho (1983-1987), do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Em Brasília, discutiu o projeto Calha Norte, que objetivava a ocupação militar na região de fronteira da Amazônia. Em março de 1987 assumiu o Governo do Estado defendendo a integração do interior e o desenvolvimento econômico.  Defendeu a construção da Ferrovia Norte-Sul.
Polêmico e ousado, nos debates sobre ecologia e preservação ambiental, foi acusado de estimular a devastação das florestas ao distribuir gratuitamente motosserras no interior do estado. Mas em março de 1989, ao receber a visita de senadores norte-americanos para discutir preservação florestal, prometeu ampliar as áreas de reserva ecológica no Amazonas. Em 1989, na Suécia, foi recebido na Academia de Ciências de Estocolmo, na qual discursou apresentando-se como defensor da ecologia e do meio ambiente.
Amazonino deixou sua marca de obras e realizações em todos os rincões do Estado.  Na área da cultura, deixou o Festival Folclórico de Parintins com a construção do Bumbódromo para o festival de 1988, o que permitiu que a manifestação ultrapassasse as fronteiras do Brasil.
Retorno – Em 2017, voltou ao governo, eleito pelo voto popular. Encontrou as finanças do Estado destroçadas e vai entregá-las sob controle, equilibradas e com dinheiro em caixa, segundo números oficias do Tesouro Nacional divulgados, em dezembro, pelo jornal O Estado de São Paulo. O Amazonas, segundo o Estadão, é um dos quatro estados com os melhores desempenhos nas contas públicas.
Ao mesmo tempo em que a gestão das finanças públicas avançou, o novo governo de Amazonino Mendes conseguiu imprimir sua marca de realizações em outras áreas. Com responsabilidade, cumpriu com a obrigação e concedeu a recomposição das datas-bases salariais, que não eram cumpridas desde 2015, de servidores da educação, saúde e segurança.
Amazonino Mendes realizou ainda a maior promoção da história das forças de segurança do Estado em menos de um ano de sua gestão. Entre outubro de 2017 e dezembro de 2018 foram 10.769 promoções, sendo 8.983 para policiais militares, 1.144 aos policiais civis e 642 para membros do Corpo de Bombeiros.
Ainda na área da Segurança Pública, Amazonino Mendes foi mais uma vez pioneiro ao buscar auxilio da consultoria internacional da Giuliani Security & Safety (GSS), do ex-prefeito de Nova York (EUA) Rudolph Giuliani. A iniciativa ganhou o aval até mesmo da Presidência da República, que iniciou as tratativas para seguir os mesmos passos do governador do Amazonas.
Amazonino destravou várias obras na capital e no interior, como o prolongamento da Avenida das Torres. Iniciada em 2012, a obra estava parada e foi retomada no quarto mandato de Amazonino. Além disso, o governador deu início a outras construções importantes, como as de recapeamento asfáltico. Somente para o sistema viário, foram destacados meio bilhão de reais, incluindo intervenções em Manaus e em outros 53 municípios.
Despedida – No próximo dia 31 de dezembro de 2018, Amazonino Mendes deixa o quarto mandato de governador do Estado para entrar para a história do Amazonas. Mesmo tendo declarado que não disputará mais nenhum cargo, Amazonino não abandonará a política. “Nasci político, vou morrer político”, declarou.
Todo o rico histórico de Amazonino Mendes deverá ser passado a limpo em uma biografia que ele estuda escrever futuramente. Uma história que ele mesmo faz questão de oferecer e agradecer ao povo do Amazonas. “Olho para trás, vejo o meu legado, sou muito grato ao povo, que me deu tantas honrarias, tantas oportunidades de produzir, trabalhar e fazer coisas que enaltecem a minha vida. Minha eterna gratidão ao maravilhoso povo amazonense, que foi tão generoso comigo, foi bom demais comigo”, destaca Amazonino.

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