Com o boi na rua, a história continua…

Lá se vão mais de oito décadas. É assim, com a tradicional ‘Alvorada”, na madrugada de 1º de maio, que o povo vermelho da ilha de Parintins, se prepara para receber o primeiro ensaio oficial do Garantido.

A Alvorada, tradição criada por Lindolfo Monteverde que inunda as ruas da velha Tupinabarana,  é a mais aguardada festa de rua dos bois de Parintins e um orgulho da Baixa de São José. Juntamente com a Ladainha a São João Batista (24 de junho) e a Matança do Boi (dia 17 de julho), formam a tríade, que alicerça a tradição vermelha e branca. O primeiro ensaio oficial acontece na noite do primeiro dia de maio.

A “Alvorada” é uma festa dividida em duas partes. Começa, no dia 30, primeiro nas dependências do Curral Lindolfo Monteverde, na Cidade Garantido. O evento tem início às 21h, com bandas e artistas, que embalados pelas toadas, fazem a alegria dos amantes do boi. Esse ano, em especial, acontece o lançamento do CD “Celebração”.

Na madrugada, a festa encerra no curral e, munidos de tambores e um potente caminhão de som, torcedores e batuqueiros saem as ruas da cidade entoando as toadas imortais do boi de Lindolfo.

É o inigualável “Anunciei Boi na Cidade”, que invade o lado norte de Parintins, em direção ao centro da cidade, dando o sinal de que o Garantido vem do São José para ‘guerrear’ com o boi contrário.  Durante o trajeto, fogos de artifícios, buzinaços, batuques e o povo cantando alto dão o tom da festa. Tudo para acordar os moradores da ilha em meio ao clima de alegria e empolgação.

O ponto alto do evento é a chegada, com o dia amanhecendo, o Alvorecer, em frente à Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins. Não por acaso, o nome “Alvorada”.

Nesse momento, fogos são disparados em homenagem à Santa e o povo do Garantido em forma de oração canta “Boi do Carmo”, hino vermelho e branco, em homenagem a fé do parintinense torcedor do boi de coração na testa.

É a conclusão de uma tradição, na certeza de que o título virá na graça e nas bênçãos da padroeira de Parintins.

Texto: Mencius Melo

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