Compositor Chico da Silva retorna ao Boi Caprichoso

O compositor Chico da Silva vai dedicar inspiração ao Boi-Bumbá Caprichoso, no 55º Festival Folclórico de Parintins, em 2020. O artista, torcedor do boi da Francesa, aceitou o convite do presidente Jender Lobato para compor a trilha sonora do álbum “Terra, Nosso Corpo, Nosso Espírito”.

O dirigente azulado ressalta a felicidade em trazer de volta o compositor ao Caprichoso. “Não é fácil convencer o Chico a fazer parte de um projeto, porque estava longe do boi há muitos anos. A gente teve diversas reuniões e eu não queria trazê-lo por força de contrato. Queria trazer o Chico de corpo e alma”, diz.

Compositor Chico da Silva e o presidente do Boi Caprichoso Jender Lobato

Jender entende que é preciso foco para ser vitorioso e o compositor compreendeu o projeto do bumbá para compor o quadro artístico. “Estou muito empolgado com a participação do Chico, porque, com torcedor, ouvi as toadas em que deixa bem claro que as suas cores preferidas são azul e branco”, frisa.

O presidente lembra que Chico da Silva é também torcedor azulado e demonstra esse sentimento na toada clássica “Meu Amor é Caprichoso”. “O Chico, agora, integra o nosso time de compositores no álbum “Terra, Nosso Corpo, Nosso Espírito”, e, com certeza, vem mais uma vez fazer história”, afirma Jender.

Origem e carreira

Chico da Silva é um dos grandes nomes da música do Amazonas, reconhecido no Brasil, considerado um dos maiores nomes do samba. O artista começou a carreira musical, ainda menino, nos ensaios do Boi Caprichoso e acompanhava os compositores nas madrugadas da Ilha Tupinambarana.

Filho da professora Guajarina Prestes, irmã de Luiz Gonzaga, um dos donos do Boi Caprichoso, cresceu na Travessa Rio Branco, e morava em frente a um dos primeiros currais do Caprichoso. Ele aprendeu o estilo de fazer toadas tradicionais com os poetas como Raimundinho Dutra.

Chico da Silva alcançou o auge da carreira nacional, no Rio de Janeiro, consagrado como o maior vendedor de discos da gravadora da Poligram, em meados da década de 1970 e 1980, batendo artistas como Gal Costa, Gilberto Gil, Tom Jobim, Caetano Veloso, Paulinho da Viola, entre outros.

Cantava em bares, em São Paulo, nas noites, quando Roberto Menescal, da Poligram, viu o talento do caboclo e o levou para o Rio de Janeiro. Chico lançou nomes como Zeca Pagodinho, ao interpretar o samba “Beijo Matinal”, com o disco H de Malandro. Um problema de saúde interrompeu a carreira do sambista.

Ao retornar a Parintins, o ex-apresentador do Caprichoso, o jornalista Marcos Santos, convidou Chico para ser compositor do Boi Caprichoso, em 1988. Ambos fizeram toadas juntos, entre elas “Os Pescadores” e “Toada do Consul”. O compositor é autor de sucessos do festival de Parintins e do samba nacional.

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