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Conflito entre cardiologista e direção do hospital Jofre Cohen ganha as redes sociais

Da Redação | 24 Horas
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Nesse final de semana vazou nos grupos de WhatsApp uma suposta nota e áudios do cardiologista Oziel Sousa afirmando que teria falhas no hospital Jofre Cohen, referência no tratamento da Covid-19 em Parintins, e que teria sido expulso da unidade pelo diretor interino do hospital Josimar Marinho e pelo prefeito Bi Garcia. Uma nota emitida na noite deste sabádo (13) assinada por Josimar e pelo secretário municipal de Saúde, Clerton Rodrigues, os dois afirmam que Oziel foi afastado por ter desligado o oxigênio de pacientes com Covid-19.

“Eu não posso mais entrar no Jofre, será que tu não entende meu amigo? Eles me expulsaram. Eu ouvi da boca do Bi que sou um maluco, detestemperado e que não quer mais me ver lá”, diz o médico em um dos áudios.

Na noite de ontem (12), Oziel Sousa escalecereceu que os áudios vazados foram depois de ser especulado que o médico teria recusado a atender um paciente que teve um infarto.

“Sobre os áudios que estão rolando nos grupos sobre não olhar essa situação do infarto, eu não sou funcionário da prefeitura, eu fui expulso do Jofre. Então se fui expulso eu não tenho o direito de voltar lá. E outro, infarto não se avalia por telefone. Você tem que avaliar o paciente, ver os exames, fazer a escuta do paciente, ver o pulso, ver o prontuário, depois de tudo isso tem que fazer parecer, um relatório e descrever a prescrição. Não existe teleconsulta de infarto”, disse Oziel.

“Se estou proibido de ir no Jofre pelo seu Josimar Marinho e pelo seu Bi Garcia o que eu vou fazer lá? Já que pedi demissão eu não sou obrigado a ir lá não e tenho respaldo pelo Conselho Regional de Medicina. Não se pode fazer teleconsulta de paciente grave. Nunca me neguei a fazer nenhum atendimento, mas quem é proibido de entrar na casa de uma pessoa não pode entrar”, prosseguiu.

No susposto relatório assinado pelo cardiologista, diz ainda que uma das falhas no Jofre Cohen não é a falta de oxigênio, mas sim o uso excessivo em pacientes. “[…] pacientes não estão com falta de oxigênio e sim com excessos causado anóxia( muito oxigênio que causa delirium um tipo de psicose )comecei o desmame da oxigenioterapia …. muitos pacientes e acompanhantes não gostaram pq são leigos e não entendem de medicina moderna  .. foram pra internet me difamar .. não levei em consideração justamente por eles não entenderem do assunto”, diz trecho da susposta nota de Oziel.

Em outro áudio vazado no WhatsApp, Oziel fala que “Infelizmente estão todos perdidos lá. O Jofre está uma bagunça. Paciente estável com instável, paciente sendo tratado na UCI por médico recém-formado, desse tipo de bagunça eu não participo”.

Na nota assinada pelo diretor interino do hospital Jofre Cohen, Josimar Marinho, e pelo secretário municipal de Saúde, Clerton Rodrigues, ambos afirmam que Oziel Sousa foi “afastado de suas funções pelo seu comportamento como profissional durante visita aos pacientes internados com Covid-19”. Além disso, na nota lamentam o comportamento do profissional de saúde e classifica a atitude do mesmo como antiética. Confira a nota.

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Sobre a nota publicada pelo médico Oziel Sousa em grupos do aplicativo WhatsApp sobre seu afastamento do hospital Jofre Cohen, na qual diz que foi expulso da unidade de saúde, a direção geral e direção clínica do Hospital Jofre Cohen, e a Secretaria Municipal de Saúde de Parintins vêm a público esclarecer que o referido profissional médico foi afastado de suas funções pelo seu comportamento como profissional durante visita aos pacientes internados com Covid-19.
Em seu primeiro dia de visitação nos leitos, ocorrido no dia 03 de fevereiro de 2021, o médico Oziel Sousa esteve nas enfermarias do Hospital Jofre Cohen e desligou o oxigênio dos pacientes que utilizavam o gás no tratamento de Covid, sem sequer consultá-los. O ocorrido, que inclusive chegou a ser denunciado em redes sociais, causou descompensação nos pacientes, gerando revolta nos acompanhantes, que quiseram agredi-lo fisicamente. Antes do desligamento do oxigênio, todos os pacientes estavam estáveis, correspondendo às medicações dadas pelo corpo médico.
A medida adotada pelo profissional desfez os protocolos estabelecidos pelo hospital junto a todo o corpo clínico desde o início da pandemia. Por esses atos de desrespeito aos pacientes, familiares e com o corpo clínico em alterar as prescrições, a direção do hospital informou ao secretário de Saúde sobre o que ocorreu e pediu o afastamento do profissional naquele momento para preservar sua integridade física, em razões dos conflitos ocasionados pelo desligamento de oxigênio.
De imediato, o secretário encaminhou o médico a prestar atendimento no hospital Padre Colombo. Contrário à decisão, o médico Oziel Sousa, através de mensagens no WhatsApp, pediu desligamento do Município. De imediato, a decisão tomada por Oziel Sousa foi acatada.
O hospital Jofre Cohen e a Secretaria de Saúde lamentam o comportamento do profissional que, em nenhum momento, foi expulso da unidade como relatado por ele. A direção e secretaria repudiam a atitude antiética de desqualificar todo o trabalho desenvolvido pela equipe de linha de frente no combate à Covid-19, além de dizer que não passa a mão na cabeça de ninguém, que não é de estar dando beijinho em paciente e que o protocolo dele seria imposto no hospital sem consulta à direção e corpo clínico.

Clerton Rodrigues
Secretário Municipal de Saúde

Josimar Marinho
Diretor-Geral Interino do Hospital Jofre Cohen

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