Coordenadora do DSEI em Parintins é agredida por indígenas

Coordenadora do Distrito Sanitário Indígena Paula Cristina. Foto: Arquivo

Cinco pessoas agrediram verbal e fisicamente a coordenadora do DSEI Paula Cristina durante reunião para aprovação do Plano Distrital de Saúde Indígena

Katiuscia Ferreira | 24 horas

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Parintins (AM) – A coordenadora do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI/Parintins) Paula Cristina denunciou a ação de cinco mulheres indígenas da etnia Sateré Mawé, que residem em Parintins e Barreirinha  que invadiram a reunião para aprovação do Plano Distrital da Saúde Indígena e a agrediram verbal e fisicamente. O encontro ocorria no prédio da Igreja Batista de Parintins, ao lado da praça da Liberdade no centro da cidade quando a gestora do DSEI foi agredida.

O evento realizado no prédio da chamada “PIB-PIN” tinha como objetivo planejar as ações do setor para o quadriênio de 2016 a 2019.

Paula Cristina afirmou que as mulheres apesar de serem de uma etnia não vivem nas aldeias. Quatro delas residem na cidade de Parintins e uma na sede do município de Barreirinha. “A gente relata isso com muita tristeza. Um ato desses é totalmente alheio à população indígena. Quem vem acompanhando o trabalho do Dsei sabe que elas não participam desses atos a revelia, foi um grupo de cinco pessoas, elas quatro residem aqui na cidade e uma em barreirinha”, relatou.

“No momento da reunião elas adentraram cantando fazendo um ritual e como é normal a gente deixou. A reunião é livre e todas as pessoas que lá estiveram tem voz, mas votos somente os conselheiros distritais que são o total de 36. Depois elas começaram a proferir palavras de baixo calão contra mim e uma delas me agrediu jogando um liquida no rosto, então eu me levantei e elas começaram a me agredir com bambu”, conta a coordenadora.

Cristina recebeu apoio de lideranças e conselheiros distritais da saúde. O conselheiro do pólo Curuatuba Erasmo Batista de Oliveira afirmou que não se esperava uma ação dessa natureza. “Eu acho que essas pessoas não querem o trabalho pra população indígena, essas pessoas moram aqui na cidade, então eu espero que melhore essa situação porque é a gente que sofre nas aldeias, essas pessoas que moram na cidade, ficam assim sempre brigando, até com a gente, essa coordenadora pra nós é guerreira na luta”, afirmou.

Local onde a agressão ocorreu hoje pela manhã.
Local onde a agressão ocorreu hoje pela manhã.

Daniel dos Santos Souza, da Vila Nova Rio Andirá, se mostrou indignado com agressão. “Estamos muito tristes, porque essas pessoas que fizeram isso com a coordenadora se dizem indígenas, usam o nome da gente pra agredir qualquer pessoa que esta no comando do Dsei. Nós como lideranças não temos nada a ver com isso. Elas são Sateré que perderam totalmente a língua que são da cidade, não sei qual foi à reivindicação delas, mas isso não tinha que ter acontecido”, lamentou.

Miguel Mayawakna é presidente do Condise e da etnia Hexkaryana e informou que um enfermeiro do Distrito Sanitário Indígena também foi agredido. “Outra pessoa agredida foi o enfermeiro Alzinei. É muito triste, eu não gosto dessas coisas, não é assim que se resolve, quando a gente quer resolver algumas coisas pela população indígena. Temos que dialogar. Isso não é bom pra população indígena”, concluiu.

Paula Cristina assegurou que está a frente do DSEI com o compromisso de honrar as 120 aldeias. “Nosso compromisso é com as 15 mil pessoas que realmente moram nas aldeias. As pessoas que residem na cidade nós nunca deixamos de atender porque são pessoas que também precisam dessa assistência” e continua “como cidadã, todos nós temos nosso direitos e vamos tomar as medicas cabíveis referente de agressão. Veementemente eu como pessoa repudio essa atitude, por que em nenhum momento essas pessoas chegaram ate o Dsei para solicitar dialogo ou esclarecimento”, encerrou.

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