Covid-19 é causa morte de líder indígena Sateré-Mawé, confirma FVS

Foto: Reprodução/CTI Tuxaua Otávio dos Santos tinha 67 anos e testou positivo para o novo coronavírus.

Por Elaíze Farias | Amazônia Real

Uma das mais importantes lideranças do povo Sateré-Mawé, o tuxaua Otávio dos Santos, de 67 anos, morreu com suspeita de Covid-19 no Hospital Dona Mundiquinha em Maués-AM, na quinta-feira (16). A Fundação de Vingilância em Saúde (FVS-AM) divulgou neste sábado (18) o resultado da contraprova, feito no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), com resultado positivo para a doença. Ele era liderança da aldeia São Benedito, na margem do rio Marau.

A Sesai não informou o horário do óbito na nota divulgada, mas segundo o professor Joede Sateré-Mawé o falecimento do tuxaua aconteceu por volta de 18h30 de quinta-feira (16) e o sepultamento ocorreu horas depois, em um cemitério que nem foi inaugurado, em Maués. A aldeia São Benedito, onde vivem 90 pessoas, faz parte da Terra Indígena Andirá-Marau, que fica localizada em uma área que abrange os municípios de Maués, Barreirinha e Parintins, na região da microrregião de Parintins, estado do Amazonas.

O tuxaua Otávio, como era mais conhecido, também se destacava como um dos mais atuantes produtores de guaraná do território indígena em Maués, município conhecido mundialmente pelo cultivo do fruto, disse Joede Sateré-Mawé, que lamentou a morte da liderança em entrevista ao portal Amazônia Real.

“Otávio foi uma liderança que sempre contribuiu com seu povo em reuniões, assembleias, seminário e encontros pedagógicos. Ele atuava reivindicando melhorias na educação, saúde, produção para o bem viver do nosso povo e de sua aldeia”, conta Joede, que é mestrando em Antropologia Social na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e mora em Manaus. “O guaranazal do seu Otávio fica na comunidade e servia tanto para consumo local quanto para comércio”, disse.

De acordo com a Sesai, o tuxaua Otávio contraiu o novo coronavírus na aldeia São Benedito. A busca realizada pela Equipe Multidisciplinar apurou que um filho da liderança apresentou sintomas de tosse. O rapaz, que reside em Salvador, na Bahia, tinha ido visitar a família há poucos dias. No dia 13 de abril, o tuxaua sentiu os primeiros sintomas da Covid-19, sendo internado no hospital de Maués. Foi submetido ao teste rápido do coronavírus, que foi positivo. A contraprova no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), do governo do Amazonas, saiu neste sábado (18), com resultado positivo para a doença.

Com o óbito do tuxaua, sobe para 6 o número de indígenas mortos por Covid-19 na Amazônia, sendo ainda: um jovem Yanomami de 15 anos, em Roraima, o de um idoso Tikuna e o de uma mulher da etnia Kokama, no Amazonas. A Sesai, contudo, reconhece apenas quatro óbitos, porque os outros eram indígenas que moravam em contexto urbano: um homem de 55 anos da etnia Mura, que residia em Manaus, e uma mulher de 87 anos da etnia Borari, liderança do distrito de Alter do Chão, em Santarém, no Pará.

Joede Sateré Mawé disse que todos estão preocupados com a possível contaminação pelo coronavírus em outras comunidades da Terra Indígena Andirá-Marau. “Minha aldeia, Nova Esperança, fica perto da aldeia São Benedito. Mas o Dsei disse que está fazendo uma força-tarefa no local”, afirmou.

Em nota oficial, a Sesai diz que “todos os contatos do tuxaua Otávio estão em isolamento domiciliar e sendo monitorados permanentemente por uma equipe exclusiva”.

Os Sateré-Mawé formam uma população estimada em 13 mil pessoas e são conhecidos pela bravura e pela domesticação do guaraná, espécie endêmica na região de origem da etnia e consumida em vários países. Eles falam uma língua do tronco Tupi-Guarani e denominam seu lugar de origem de Nusoken. A Terra Indígena Andirá-Marau foi homologada em 1986, em uma área de 789 mil hectares. Ela também abrange uma parte do estado do Pará, na região do município de Aveiro.

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