Crítica e Revolta: Morte de Klinger Araújo causa discussão no meio artístico

Da Redação | 24 Horas

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A morte do artista Klinger Araújo abriu uma ampla discussão sobre o setor artístico em meio a pandemia do novo coronavírus. A necessidade de trabalhar faz com que esses profissionais saiam às ruas para manter sua renda, mas também os coloca a mercê de um vírus que já matou milhares de pessoas em todo o mundo.

O dilema desses artistas é vivido em todos os países. Ter que trabalhar para sustentar a família ou ficar em casa para se proteger da doença. No Amazonas, a morte do cantor Klinger Araújo, decorrente de complicações causadas pela Covid-19, alertou o meio artístico e causou debates e manifestações nas redes sociais.

O artista Edilson Santana, em sua página no Facebook, se mostrou revoltado. “Somos obrigados a encarar esse vírus de frente, porque não existem políticas públicas pro artista. Assim vamos sucumbindo, deixando famílias, amigos e pessoas que nos amam. Temos políticos medíocres se dizendo representantes do povo, enquanto isso vamos morrendo como se fôssemos ratos em um barco que já afundou”, desabafa.

Cantando há quase 30 anos, a cantora Ciryane Souza vive totalmente da música e nesse período de pandemia não realiza nenhum trabalho. Ela e a família já foram infectados pelo novo coronavírus e estão curados, mas a artista tem receio desse cenário perigoso da doença. Ela se sente revoltada com a burocracia e o sistema falho que o governo impôs para o cadastro do auxílio cultural. “Sou totalmente contra cantar nesse momento. Mas tem um agravante muito sério nisso: nós estamos totalmente desamparados pela cultura. Tem pessoas que já fizeram mais de cinco vezes o cadastro pro auxílio e não tem respostas da Secretaria de Cultura”, critica.

O músico Enéas Dias fez recentemente dois shows com Klinger e lamentou o fato. “Não tinha como ele parar. Ele vive disso, a família dele vive disso. É uma situação muito complicada. Como vai dizer pro músico parar de tocar? A gente lamenta e torce pra que tudo seja resolvido”, destacou. Enéas conta que o setor artístico é um dos mais prejudicados, devido ser considerado um serviço não essencial. “A gente sabe que é uma situação complicada, porque tem a questão da saúde, mas são pais de família que tem muita dificuldade já que não estão trabalhando. A Lei Aldir Blanc até hoje não foi executada. O artista teve que se reinventar para sobreviver “, explica.

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