Cúrio esteve presente na formação do Sistema Solar

Figura 01: Inclusão cerâmica refratária ainda embebida no meteorito (rosa). Inclusões refratárias são as rochas mais antigas conhecidas no Sistema Solar (4,5 mil milhões de anos). Créditos da imagem: Universidade de Chicago

Um meteoro revelou a presença do elemento cúrio.  Segundo astroquímicos, o cúrio estava presente durante o processo de formação do Sistema Solar.  Essa revelação é decisiva para a melhor compreensão de modelos  de evolução estelar e síntese de elementos  nas estrelas.

O cúrio tinha se condensado a partir da nuvem gasosa que formou o Sol, no  início do Sistema Solar.

Actualmente, o cúrio pode ser encontrado através de  fabricação  em laboratório ou como subproduto de explosões nucleares. Em tese, alguns meteoritos que passam próximos à Terra ainda mantêm resquísios da formação do Sistema Solar. O que abre margem para uma nova teoria, na qual  o cúrio  tivesse sido  fruto de explosões  estelares massivas que  ocorreram  muito antes do nascimento do Sistema Solar. Aliás, elementos radioativos servem como cronómetros para a datação de meteoritos e planetas.

Desde a década de 1980, houve uma discussão em torno dos indícios  de que  foram encontradas grandes quantidades de U235 nas inclusões meteoríticas analisadas até então. Desde aquela época, os astroquímicos notaram que o cúrio  era muito abundante durante  a formação  do Sistema Solar. Entretanto,  pesquisas posteriores apontaram que tais resultados estavam equivocados, colocando assim, uma grande interrogação sobre a  presença do cúrio  ao longo do início do Sistema Solar. Somente em 2010, com equipamento mais sofisticados, que foi possível averiguar o real excesso de U235, consequentemente, o cúrio foi recrutado ao status de pertencente à gênese do Sistema Solar. A princípio, comprovar a existência de tais excessos foi importante, porém, não foram suficientes, haja vista que outros processos químicos poderiam produzir  os mesmos excessos.

Para felicidade dos astroquímicos, foi encontrado um tipo específico de inclusão  meteorítica, rica em cálcio e alumínio.  Tais inclusões têm uma baixa  abundância  de urânio e,  provavelmente,  alta taxa de cúrio. Uma dessas inclusões está mostrada na figura 02, abaixo.

Figura 02: Meteorito carbonáceo Allende, salpicado com inclusões que têm uma química parecida com cerâmica. Na imagem acima, foram usadas cores falsas: vermelho para o cálcio. azul para alumínio e verde para o magnésio. Crédito da imagem: François L. H. Tissot.
Figura 02: Meteorito carbonáceo Allende, salpicado com inclusões que têm uma química parecida com cerâmica.
Na imagem acima, foram usadas cores falsas: vermelho para o cálcio. azul para alumínio e verde para o magnésio.
Crédito da imagem: François L. H. Tissot.

Na amostra da figura 02,  foram  encontrados 6% a mais de U235 o que pode ser explicado se admitirmos  que  o cúrio  estava sim presente  no início do Sistema Solar. É também devido à análisse dessa amostra que os astroquímicos  puderam  sugerir que  os isótopos de  iodo (I129) e plutónio (Pu244)  poderiam ter sido produzidos  juntamente com o cúrio, em um único processo,  nas estrelas. O que é particularmente  muito interessante, pois, conforme as estrelas estão a morrer, elas expelem  os elementos  que produziram para a Galáxia. Sendo que os elementos pesados foram produzidos juntos. A partir de agora, podemos compreender melhor  como o ouro foi produzido  nas estrelas.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da AIU, Membro da PLOAD, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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