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Deputados trocam ofensas em discussão sobre sequestro de jornalista em Roraima

Os deputados Soldado Sampaio (PCdoB), atual presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR), Jalser Renier (Solidariedade), ex-presidente da Casa, e Nilton do Sindpol (Patriota) trocaram ofensas e acusações durante a sessão dessa terça-feira (21), em Boa Vista. O principal motivo foi o sequestro do jornalista Romano dos Anjos, ocorrido em outubro do ano passado.

As discussões iniciaram quando o deputado Nilton do Sindpol, em sua fala, parabenizou a força-tarefa que prendeu policiais militares investigados por sequestrar o jornalista. Os investigados, na época do crime, trabalhavam para Jalser Renier (Solidaridade), que era presidente da Ale-RR.

“Quero, como policial e deputado estadual, parabenizar os policiais civis que estão participando da investigação do caso Romano dos Anjos, trazendo à sociedade um resposta à crimes, pois foram vários cometidos, e na semana passada culminou com a prisão de alguns operadores da segurança e isso me entristece. A prisão desses investigados é importante para que não fique aquela lacuna da impunidade”.

Ainda em sua fala, Nilton disse que, caso houvesse pedido de prisão contra Jalser Renier, ele votaria pela cassação do deputado. Ainda não se sabe se o parlamentar é investigado e ele não foi alvo da operação que prendeu os militares.

“Para nós, é motivo de vergonha ter esses policiais investigados no caso do jornalista lotados no gabinete do ex-presidente Jalser Renier. É vergonhoso ter Roraima exposta a nível nacional com crimes dessa natureza. Caso, durante as investigações, o ex-presidente seja preso, eu como deputado quero adiantar que votarei pela manutenção da prisão e pela abertura do processo de cassação, pois essa casa não pode mais uma vez ser envergonhada a nível de Brasil”, disse Nilton.

No momento das declarações de Nilton, a deputada Lenir Rodrigues (Cidadania) interveio e saiu em defesa de Jalser, afirmando que “investigações são investigações, não são julgamentos”.

Ao fazer o uso da palavra, Jalser Renier, que participava da sessão de forma remota, se defendeu, negou envolvimento no sequestro do jornalista e ainda chamou Nilton de “sorrateiro, mesquinho e ridículo”.

“Hoje garanto a vocês que tenho sido vítima de uma armação política. [deputado Nilson do Sindpol] Um deputado sorrateiro, mesquinho, armar um planejamento contra mim, deputado, o senhor é ridículo!”, disse Jalser.

O parlamentar ainda acrescentou não saber do envolvimento dos policiais militares que atuavam na sua segurança no sequestro de Romano dos Anjos, pois eles eram “de sua confiança”.

“Eu jamais faria isso. Fui atacado por muitas pessoas em minha vida política. Nunca receberam um telefonema meu para ameaçá-los. As pessoas que não respeitam os outros cidadãos e seu direito a liberdade de expressão são covardes. Se me perguntassem se eu sabia que esses policiais seriam capaz de fazer isso eu diria que “não!”. Esse repórter nunca nem falou de mim e, se falasse, eu iria me defender dentro do meu direito”.

Romano dos Anjos foi sequestrado de casa na noite do dia 26 de outubro e localizado vivo, com braço quebrado e lesões nas pernas, na manhã do dia seguinte. A prisão dos militares ocorreu na operação Pulitzer.

Ademais, a operação que gerou busca, apreensão e prisões foi coordenada pelo Ministério Público Estadual que além de ter prerrogativa para a ação ainda goza de ótima reputação junto à população.

No mais, o Governo de Roraima acredita na justiça e no trabalho dos profissionais que buscam elucidar de uma vez por todas esse crime que gerou comoção na sociedade e reitera sua linha em defesa do diálogo e dos meios democráticos de discussão, condenando todo e qualquer gesto truculento.

Nilton do Sindipol – Procurado pela reportagem, afirmou não nada ter a declarar além do que foi dito durante a sessão.

Com informações do g1

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