Dia da Mulher: “Sou independente, sou mãe e trabalhadora”, disse orgulhosa gari parintinense

Foto: Arleilson Cruz

Eldiney Alcântara | 24 Horas

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Acordar cedo, criar os filhos, cuidar da casa, trabalhar fora, ajudar o marido, o pai, os irmãos e tantas outras tarefas diárias. Esse é o cotidiano de mulheres que saem às ruas para limpar a cidade. Um trabalho digno e honesto que leva renda às muitas famílias em Parintins. Hoje, 08 de Março, Dia Internacional da Mulher, elas representam uma mulher multifuncional, a mulher contemporânea que não precisa de rótulos e nem de alguém para sustentá-las.

São 80 mulheres que se reúnem ainda na madrugada na Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos, SEMOSP, para atuarem como garis. Dedicadas, percorrem longas distâncias para cumprir suas metas e garantir o sustento de suas famílias. No comando, dona Dilma Pereira, 55 anos, organiza grupos para cobrir o maior número de ruas possíveis, uma tarefa que cumpre há 19 anos. “Ser gari é um trabalho maravilhoso. A gente sai às quatro da manhã, retorna às nove. Enquanto todos tão dormindo, nós já estamos na batalha”, conta.

Dilma é casada, tem 7 filhas e 20 netos. Veio de Juruti, Pará, aos 6 anos e em Parintins construiu sua vida. Para ela, na atualidade, a mulher é multifacetada e consegue exercer diferentes papéis. “Eu sou mãe, eu sou trabalhadora, sou esposa e deixo o lar pra vim pro nosso trabalho… Dizem que a mulher é o sexo frágil, isso numa parte, mas numa outra nós somos guerreiras… mulheres hoje, batalhadoras, vencedoras do dia-a-dia”, ressaltou.

Maria do Socorro Silva, 46 anos, é outra mulher que cuida da casa e das ruas de Parintins. Uma mulher que é trabalhadora, mãe e chefe de família. Há 26 anos atua no setor de limpeza pública da Prefeitura de Parintins e com o recurso do trabalho sustenta 3 filhas e 7 netos. Divorciada, ele comanda sozinha a família há 25 anos. “Quando eu entrei minha filha mais velha tinha cinco aninhos. Hoje ela tem trinta anos. Formei elas pela educação também do trabalho daqui. É de onde nós tiramos nosso alimento, o salário que paga nossa água, nossa luz. Sustenta a minha casa, sustenta a minha família. É do que eu vivo”, disse satisfeita.

“E eu me sinto muito feliz e honrada por ter esse trabalho. Tenho muito orgulho de ser gari. Hoje é o Dia da Mulher, um dia especial e o meu trabalho também mostra pra minhas filhas que também uma mulher pode trabalhar, pode ser independente. Elas (filhas) cresceram me vendo trabalhar, saindo no meu horário da madrugada, da tarde e hoje eles são também são umas mulheres que trabalham, batalhadoras também, junto comigo. Tudo ensinei pra elas, hoje eu tenho certeza que isso foi muito graças ao meu trabalho”, disse dona Maria com lágrimas nos olhos.

Destoando da juventude que se mostra nas redes sociais, a jovem Gaby Nunes, 24 anos, sempre estampa no Facebook o orgulho que tem em trabalhar como gari. Apesar da pouca idade, ela já trabalhou como doméstica, babá e depois de enviar currículo à SEMOSP, foi chamada a trabalhar na nova função. Com a renda, Gaby cria o filho e ajuda nas despesas de casa.

Gaby conta que já foi criticada por postar fotos mostrando-se como gari. Ela conta que não tem vergonha de exibir seu trabalho. “Sou independente, sou mãe de um filho e tenho o maior orgulho de trabalhar como gari e não tenho medo de me expor. Várias vezes já me perguntaram se eu não tenho vergonha de ser gari, porque é trabalho pra pessoas mais velhas. No meu caso, eu sou nova ainda, mas mesmo assim eu não tenho vergonha e eu amo o meu trabalho e exerço minha função com muito orgulho”, rebateu orgulhosa.

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