Dilma responde vazamento de grampo à imprensa e fala em Constituição violada

A notícia do vazamento de uma gravação com um diálogo entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acirrou os ânimos dentro e fora do governo na última quarta-feira (16/3).

De um lado, a oposição pegou como aliado mais um fato político para alimentar o pedido de um processo de impeachment, acusando Dilma de nomear Lula para o ministério a fim de evitar que ele fosse preso. Do outro, aliados do governo saíram em defesa da presidente e criticaram o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela quebra de sigilo das investigações.
Segundo o G1, nas ruas, os protestos que começaram contra a nomeação de Lula, ganharam força e se espalharam por 18 estados e Distrito Federal. Após a repercussão, Dilma respondeu ao vazamento de grampo em nota enviada à imprensa.
Por meio da Secretaria de Comunicação Social, a presidente destacou que a divulgação do conteúdo do telefonema é “flagrante violação da lei e da Constituição da República, cometida pelo juiz autor do vazamento”.
“Em que pese o teor republicano da conversa, [a nota] repudia com veemência sua divulgação que afronta direitos e garantias da Presidência da República”, diz o comunicado. Ela ressaltou ainda que “todas as medidas judiciais e administrativas cabíveis serão adotadas”.
Moro teria mandado suspender grampo antes da gravação
O juiz Sergio Moro havia mandado suspender as interceptações telefônicas antes do horário em que a Polícia Federal gravou o diálogo entre Lula e Dilma. A gravação da conversa teria ocorrido 46 minutos depois da ordem dele, informou o portal UOL.
Na conversa, Dilma diz a Lula: “Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel pra gente ter ele e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?”. A oposição acredita que a frase dita pela presidente foi um indicativo de que a nomeação dele para a Casa Civil teve a intenção de assegurar foro privilegiado e escapar do julgamento de Moro, responsável pela investigação da Operação Lava Jato em primeira instância.
No ofício enviado para pedir a suspensão das interceptações, Moro alega que foram realizadas “diligências ostensivas de busca e apreensão” e pediu que a autoridade policial fosse informada com urgência da medida.
Em nota, a Polícia Federal explicou que a interrupção de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça é de responsabilidade das empresas de telefonia móvel e que comunicou a companhia telefônica logo após receber a decisão.
A cerimônia de posse de Lula como ministro da Casa Civil ocorrerá na manhã desta quinta-feira (17/3), no Palácio do Planalto, em Brasília. Também tomam posse os demais ministros da Justiça, Eugênio Aragão, da Secretaria de Aviação Civil, Mauro Lopes, e do chefe de Gabinete Pessoal da Presidente da República, Jaques Wagner, que saiu da Casa Civil para a entrada do petista.
Fonte: Portal Imprensa
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