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Diocese X Prefeitura: Bi Garcia afirma que não deve ao HPC e bispo diz que hospital foi fechado para reformas

Eldiney Alcântara | 24 Horas

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Em um novo debate, desta vez em Audiência Pública na Câmara Municipal de Parintins, nesta quinta-feira, 07, a Prefeitura de Parintins e a direção do Hospital Padre Colombo (HPC) travaram uma nova discussão sobre o fechamento daquela unidade hospitalar. A Prefeitura de Parintins afirma que não deve recursos e representantes da Diocese dizem que o hospital não tem recursos e que fechamento se deu para reformas.

Após receber acusações de que não teria repassado o recurso oriundo do Estado à direção do hospital, o prefeito de Parintins, Frank Bi Garcia, foi à tribuna do legislativo e disse que isso não é verdade. “A Prefeitura de Parintins não deve nenhum centavo ao hospital Padre Colombo. Eu não atrasei nenhum dia, como alguns padres da diocese ficam botando em rede social. O problema de que o dinheiro chega e não é repassado é mentira. Eu determinei: se o dinheiro chega hoje, tem Internet, que se transfira para a conta do hospital”, garantiu Bi Garcia.

Segundo o gestor municipal, o hospital Padre Colombo não atingiu as metas contratuais e tem saldo para manter o atendimento. Ele não concordou com o fechamento do hospital, ocorrido no dia 01 de outubro. “É precipitado fechar um hospital que não cumpriu as suas metas em 2019, que não cumpriu suas meta em 2020, que tem saldos a pagar a população parintinense com atendimentos. Não é para a Prefeitura de Parintins, é devolver em serviço para a população. Os valores produzidos pelo hospital foram abaixo dos valores contratuais”, apontou o prefeito.

Bi Garcia apresentou documentos sobre os repasses feitos ao hospital. Ele afirmou que a Prefeitura de Parintins aumentou o valor do repasse em até 20% além do que estava acordado, chegando a R$300 mil reais extra. “Se o dinheiro é insuficiente, vamos buscar entendimento com os entes do SUS, União, Município e Estado”, sugeriu o executivo municipal.

A direção do hospital

No dia 01 de outubro a direção do hospital fechou as portas da unidade, alegando falta de recursos, em especial, falta de repasse de valores por parte da Prefeitura. Porém, o bispo de Parintins, Dom Giuliano Frigenni, informou que a paralisação seria para “obras de reestruturação” do prédio, suspensa desde janeiro de 2020, devido a pandemia da Covid-19.

Dom Giuliano também falou sobre as discussões e os boatos em torno da situação do hospital e de uma aparente “briga” entre Prefeitura e Diocese. “Como bispo responsável da Diocese de Parintins, declaro a toda população a minha indignação pela injustiça que através da imprensa e redes sociais está acontecendo nesses dias contra o hospital Padre Colombo, mas sobretudo contra a Igreja envolvida nessa batalha fruto da caridade do Papa e de tantas irmãs e leigos”, destacou.

O Procurador Geral do HPC, padre Mauro Romanello, foi mais além, e manteve o discurso de que o hospital não possuía recursos necessários para manter os serviços em Parintins. Com auxílio de mídias, ele apresentou documentos, afirmando que informou aos órgãos competentes sobre a precária situação da unidade hospitalar. “O gestor público não se manifestou em nada, absolutamente”, disse Romanello.

O sacerdote disse que não obteve resposta da Prefeitura de Parintins quanto a solicitação do HPC em manter o convênio e, consequentemente, a prestação de serviço do hospital. “Considerando ausência de resposta por parte do município de Parintins, manifestando desinteresse na continuidade da prestação de serviço para a população parintinense e do Baixo Amazonas por esta unidade de saúde… considerando ainda que mesmo sem remuneração, sem contrapartida, sem cobertura contratual, essa unidade de saúde continua prestando serviço por sua conta e risco”, alegou.

O procurador informou que solicitou renovação do convênio ou aditivo ao convênio vigente e que informou que os serviços seriam suspensos por falta de cobertura contratual. Porém, disse que não obteve resposta.

As discussões ainda continuarão e novas reuniões deve acontecer. A Câmara de Parintins também afirmou que vai manter fiscalização, bem como órgãos de controle como o Conselho Municipal de Saúde, Ministério Público e Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas.

Foto: Yuri Pinheiro

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