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Doutora em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, professora Andrea Waichman é candidata à reitoria da Ufam

A professora Andrea Waichman concorre ao cargo de reitora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) pela chapa 55, [email protected] Waichman concedeu entrevista a reportagem, onde fala sobre suas propostas para a gestão da universidade. Os professores Marco Antônio Mendonça e Sylvio Puga também concederam entrevista, que serão publicadas nos dias 4 e 5 de março, respectivamente.

Andrea Waichman encabeça uma chapa inteiramente feminina, ao lado da professora Margarida Carmo. Doutora em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, Andrea ja atuou como diretora de pós-capacitação do Centro de Ciências do Ambiente (CCA), diretora da pós-graduação, diretora técnico-científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e diretora de gestão de inovação, propriedade intelectual e transferência tecnológica da Ufam.

Reportagem: Em um cenário de fragilidade do ensino público, o que a levou a disputar esse processo de consulta à comunidade?

Andrea Waichman: Como a única professora titular a disputar a atual eleição para a Reitoria, eu acumulei experiência acadêmico-administrativa que faz me sentir à altura de liderar a Universidade neste momento de imensas dificuldades pela qual está passando. Aceitei a convocação de um grupo de colegas professores, técnicos administrativos em educação e de alunos, por compartilharmos da mesma convicção nos princípios da ética, da democracia, da transparência e da construção coletiva da nossa Ufam. 

Todos sabem que, pelos postos de comando pelos quais passei, agi com diligência e resolutividade para melhor servir a instituição. Quero usar os meus conhecimentos e experiência bem sucedida para contribuir para uma Ufam inovadora, eficiente, integrada, acolhedora, aberta para a comunidade, construindo o presente, mas olhando e se preparando para o futuro, que possa enfrentar unida, com dinamismo e competência os problemas contemporâneos, alinhada com as demandas da sociedade moderna.

Reportagem: Como docente da Ufam, como você avalia as ações da universidade frente à pandemia da Covid-19?

AW: Infelizmente a Ufam perdeu dois semestres letivos, o primeiro e o segundo semestres de 2020. A administração superior da Ufam poderia ter seguido os exemplos de outras universidades federais que foram diligentes no sentido de que, ao mesmo tempo em que cuidaram para salvarem as vidas de seu corpo docente, discente e técnico administrativo, cuidaram também de salvar os semestres letivos de seus alunos. Apenas para ilustrar, cito as seguintes universidades federais: UFCE, UFG, UFMA, UGMG, UFPB, UFPI, UFRN, UFSCar, que já concluíram o primeiro semestre/2020 e estão concluindo o segundo semestre/2020. Essas universidades salvaram vidas e os semestres letivos de seus alunos.

Reportagem: O que a sua gestão propõe para amenizar os efeitos da pandemia num eventual retorno às aulas presenciais?

AW: Considerando todas as orientações técnico-científicas disponíveis, não acreditamos que a curto prazo possamos retornar às atividades presenciais. Com a orientação de profissionais da Ufam especializados em educação a distância, investiremos em todos os meios para tornar o ensino remoto viável para todos nossos alunos. As atividades presenciais retornarão apenas quando tivermos plena garantia de que a vacinação da população já tenha atingido um nível que nos ofereça total segurança para esse possível retorno.

Reportagem: Como fortalecer as unidades acadêmicas da universidade no interior do estado?

AW: Acreditamos fortemente na equidade das unidades acadêmicas do interior com as da capital. Por isso, a nossa chapa tem como vice-reitora a professora Margarida Carmo, do Instituto de Ciências Exatas e Tecnologia de Itacoatiara, no interior do Estado. Para dar maior participação às unidades do interior na administração da Universidade, conforme consta em nossa proposta, criaremos a Pró-Reitoria da Interiorização. 

Assim, envidaremos esforços no sentido de desenvolver metas comuns entre os campi dos diferentes municípios, que possuem suas características próprias; ouviremos e atenderemos as necessidades dos alunos de seus campi, visando a sua permanência e inserção na comunidade acadêmica; garantiremos a consistência dos currículos em todos os campi, bem como a qualidade do ensino; asseguraremos a participação de docentes e discentes em atividades acadêmicas em outros campi; e ofereceremos condições adequadas para o exercício das atividades meio, como tecnologia da informação, adequação dos serviços de biblioteca e implementação de políticas de pessoal. Além disso, daremos status de Unidades Gestoras àquelas unidade acadêmicas, para que cada campi tenha maior autonomia de gestão.

Reportagem: Você é favorável ao projeto que transforma as unidades da Ufam no interior em duas novas universidades federais?

AW: Eu acredito que é um sonho legítimo de todos os docentes e técnicos administrativos em educação verem as suas unidades acadêmicas do interior serem transformadas em Universidades Federais, com todas as condições adequadas de funcionamento, como melhor infraestrutura, maior corpo docente qualificado e corpo técnico-administrativo apropriado para as novas funções das atividades meio necessárias para bem conduzir as novas Universidade. Certamente para isso é necessário um projeto à altura desse grande desafio que mereça o apoio entusiasmado da sociedade.

A criação e implantação de uma Universidade é um ato complexo que exige estudos e planejamento. Recentemente, sem o mínimo de estudo ou planejamento e sem a devida e democrática discussão com a comunidade, a administração superior tentou fatiar a Universidade em três partes. Esse ato veio de cima para baixo, na calada da noite, o que surpreendeu a todos que vivenciam a instituição. Diante desse ato anômalo, a comunidade universitária reagiu, resultando na retirada do citado projeto que tramitava no Congresso nacional por absoluta insensatez na sua formulação.

Reportagem: Quais medidas a universidade pode adotar para incentivar a pesquisa científica?

AW: Na Universidade, a pesquisa caminha lado a lado com os Programas de Pós-Graduação. Para incentivá-la, tomaremos importantes medidas, entre as quais: (1.) revitalizar o fundo de apoio à pesquisa e pós-graduação para modernizar e melhorar os seus conceitos, reintroduzir o apoio à pesquisa através de programas de fluxo contínuo, como o Caxiri, Nhengatu, Tucandeira e Pró-Congresso, para pesquisa de qualidade e também para a sua internacionalização; (2.) criar um programa de apoio aos grupos de pesquisa para manutenção e atualização de equipamentos e softwares essenciais para pesquisa; (3.) apoiar a criação de Minter e Dinter com o interior do Amazonas, com suporte financeiro para o deslocamento de alunos e professores que necessitem usar os laboratórios de pesquisa em Manaus; (4.) ampliar a qualificação do corpo docente e técnico administrativo em nível de mestrado e doutorado e promover o ingresso dos docentes dos campi do interior nos programas de pós-graduação em Manaus por meio de editais específicos voltados para essa causa; e (5.) estabelecer uma política agressiva de internacionalização dos nossos programas incentivando os intercâmbios com instituições estrangeiras, apoiando expressamente as publicações em periódicos internacionais, promovendo meios que facilitem a publicação das dissertações e teses em língua inglesa, e divulgar esses programas nessa língua e em espanhol na rede mundial de computadores.

Reportagem: O Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) foi uma das unidades de saúde mais afetadas pelo colapso que iniciou em janeiro. Qual será a relação da universidade com o hospital em uma eventual gestão sua?

AW: Como hospital de ensino, o HUGV é muito importante pelo que ele representa para a formação de profissionais para a área de saúde, e pelo papel que representa para a assistência à saúde da população amazonense. Por isso, o Hospital Universitário Getúlio Vargas merece ser destacado em nosso programa. As crises que se estabelecem nesse hospital são consequências das crises do próprio sistema de saúde pública do Amazonas. Acreditamos que o HUGV deve ter estrutura que integre todos os níveis de atenção ao paciente, desde a atenção básica até a quaternária, uma vez que tem como um dos objetivos principais o ensino e a pesquisa, devendo ser o espaço onde as novas tecnologias e os novos conhecimentos na área de saúde sejam viabilizados para estarem a serviço do ensino e da assistência, tornando este espaço o da formação dos melhores quadros da saúde, tanto em nível de graduação como em pós-graduação.

Reportagem: Com tantos desafios pela frente, como driblar cortes no orçamento das universidades públicas?

AW: Buscaremos reatar os fortes laços que a Universidade tinha com a sociedade amazonense, em particular com a nossa bancada federal. Com esse apoio vamos incrementar o nosso orçamento com recursos públicos. Por outro lado, buscaremos as parcerias com as empresas privadas para com elas compartilhar os conhecimentos gerados na universidade, para que, juntos, possamos disponibilizá-los à sociedade.

Reportagem: Em 2020, a Ufam recebeu recorde de denúncias por fraudes no sistema de cotas raciais. O que pode ser feito para coibir essas práticas?

AW: Essa é uma questão que merecerá maiores cuidados. O que tem ocorrido na Ufam tem acontecido também em outras universidades públicas. Para isso, usaremos com diligência a legislação vigente, para que aqueles merecedores do sistema de cotas não sejam prejudicados nos seus direitos.

Reportagem: Quais as propostas da sua candidatura para a valorização dos servidores da Ufam?

AW: As atividades fim da Universidade, o ensino, a pesquisa e a extensão, dependem fortemente do engajamento dos nossos servidores técnicos administrativos em educação. Por isso, priorizaremos a formação de recursos humanos, o maior patrimônio da instituição, com efeitos positivos na qualidade do ensino e da pesquisa desenvolvidos na Universidade, incentivando todas as iniciativas que levem os nossos técnicos administrativos a atualizarem e aprofundarem os seus conhecimentos por meio de cursos de atualização, aperfeiçoamento, especialização, mestrado e doutorado, dentro das possibilidades e das prioridades estabelecidas pelas suas unidade de lotação.

Nos cursos de pós-graduação oferecidos pela Ufam será reservada uma parcela de suas vagas para docentes e técnico-administrativos, a partir da manifestação de interesse dos departamentos acadêmicos ou administrativos de lotação do servidor. No esforço de apoiar o contínuo aperfeiçoamento da atividade pedagógica, serão oferecidos aos docentes programas de atualização docente em metodologias e didática do ensino superior.

Reavaliaremos nossas normas internas para que a concessão de adicional de insalubridade para quem tem direito ocorra de forma ágil e isonômica para todos os servidores de todas unidades da universidade.

Simplificaremos e desburocratizaremos o processo de afastamento para qualificação (Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado) e da participação em congresso e colaborações nacionais e internacionais.

Eliminaremos a exigência de participação em processo seletivo para afastamento para participar de curso de pós-graduação e pós-doutorado, revisando a Resolução 27 de 2019 do CONSUNI.

Reportagem: Em ao menos 19 instituições federais de ensino o presidente Jair Bolsonaro nomeou para a reitoria um nome diferente do primeiro colocado na consulta à comunidade. Como você avalia a possibilidade de isso se repetir na Ufam?

AW: Desde 1995, com a promulgação da lei que trata das eleições para reitor das Universidades Federais, os nomeados pelo presidente da República para reitor ou reitora da Ufam foram aqueles que constavam em primeiro lugar na lista tríplice votada pelo Conselho Universitário (Consuni).

Esperamos que seja mantida a tradição fortemente estabelecida na Universidade Federal do Amazonas de o presidente da República nomear o primeiro lugar da lista tríplice do Consuni, embora a lei autorize o presidente escolher qualquer um dessa lista.

Por outro lado, pelo menos desde a eleição de 2001, portanto, nas últimas cinco eleições para a reitoria, o Consuni não encaminha ao MEC o nome da(o)s três candidata(o)s mais votad(a)os na consulta eleitoral. Ao contrário, em todas essas cinco ocasiões, o Consuni encaminhou ao MEC a lista tríplice constituída com o nome da(o) candidata(o) que obteve o primeiro lugar na consulta à comunidade universitária, seguido de mais dois nomes de apoiadores dessa(e) candidata(o).

Em particular, concordo com essa jurisprudência do Consuni, pela qual os demais candidatos que não lograram o primeiro lugar na consulta à comunidade universitária não sejam incluídos na lista tríplice a ser encaminhada ao MEC. 

 

Com informações do Portal Amazônia

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