Em dois meses, Manaus teve mais de 10 mil roubos, furtos e mortes em assaltos

De acordo com dados do Portal da Transparência, nos primeiros dias do ano, 6.054 roubos ocorreram em todas as zonas da cidade. Foto: Sandro Pereira

Os Distritos Integrados de Polícia (DIPs) registraram 10.044 ocorrências de roubos, furtos e mortes durante assalto, no Amazonas, nos dois primeiros meses deste ano, segundo dados do Portal da Transparência da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM). O número aponta que, a cada hora, seis pessoas, em média, foram vítimas de um desses crimes, nesse período, o que tem fortalecido a sensação de insegurança da qual moradores das zonas centro-sul, sul e leste de Manaus ouvidos pela reportagem se dizem reféns.

O professor aposentado Nathan Benzecry, 70, gastou, no último mês, cerca de R$ 7 mil na compra de acessórios de segurança como cerca elétrica, câmeras e firmou um contrato com uma empresa de vigilância. Ele também elevou a altura do muro da casa onde mora com a família, em um conjunto, no Aleixo, na zona centro-sul.

Para o professor, os equipamentos mantêm a segurança dentro da casa, mas do lado de fora, ele diz que é melhor adotar precauções e redobrar a atenção para não chamar a atenção de criminosos. Ele mora no conjunto, há cerca de dois meses, e, no dia 13 de abril, viu o motorista de uma Van ser assaltado na porta de casa. “Eu estava em frente ao portão da minha casa e vi o motociclista com um garupa abordarem o homem e, com uma arma apontada para a cabeça dele, roubaram o dinheiro que ele tinha. Eu mesmo não fui, graças a Deus, vítima disso, mas tememos que isso venha a acontecer. Todos estamos vulneráveis”, disse ele.

A dona de casa Valdineia Amazonas, 35, disse que o marido, um eletricista, de 40 anos, foi roubado, logo após ter saído de casa, no Zumbi 2, na zona leste, para ir ao trabalho. Por conta disso, ela conta que o homem teve que mudar o horário de sair de casa para evitar ser vítima de outros crimes. “Ele saía às 5h para não perder o ônibus e não chegar atrasado no trabalho. Agora, sai 5h30, quando a rua está mais movimentada”,  contou ela.

De acordo com o garçom José Pereira, 64, que mora no São José, seis pessoas da família dele já sofreram com assaltos. Ele disse que uma das formas de tentar evitar os criminosos é não deixar à mostra, quando está na rua, celulares, joias e dinheiro.

Japiim 

Moradora do Japiim, zona sul, uma laboratorista, de 50 anos, que pediu para não ter o nome divulgado, disse que evitar sair de casa à noite também ajuda. Para reduzir o risco de assaltos em casa, ela optou pela permanência de três cães no pátio para ajudar a manter o imóvel guarnecido. “Aqui, quase todos os meus vizinhos têm cachorros. Quando um late, todos nós já ficamos receosos e buscamos nos prevenir”, disse.

De acordo com dados do Portal da Transparência, somente nos primeiros dias do ano, 6.054 roubos, quando o assaltante usa de violência contra vítima, ocorreram em todas as zonas da cidade, com uma média de quatro casos por hora. Mais de 4 mil queixas de furto (quando não há violência) também foram registradas.

No mesmo período, 174 pessoas foram assassinadas na cidade, das quais 14 durante latrocínios (roubo seguido de morte). “Antigamente, costumávamos conversar, até mais tarde, com os amigos e vizinhos, em frente as nossas casas. Agora, trancamos tudo com cadeados cada vez mais potentes”, disse uma funcionária pública aposentada, de 80 anos, que reside no Japiim e preferiu não ter o nome divulgado.

Desemprego gera assalto, diz delegado

“Vou jogar o lixo com medo, olho para um lado, para outro e, quando vejo algum motoqueiro, fico apreensivo. Aqui, estamos à mercê dos bandidos”, afirmou Arnaud Junior, 44, que reclama da crescente onda de assaltos que está ocorrendo a moradores do bairro Aparecida, zona sul da cidade. Conforme dados da SSP-AM, 463 roubos foram registrados, nos dois primeiros meses deste ano, no 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), delegacia responsável pelo bairro.

Para o delegado Rodrigo Barreto, titular em exercício do 24º DIP e responsável pela 2ª Seccional Sul, os  assaltos no Centro e no bairro Aparecida ocorrem em função do aumento no número de desempregados. “A grande maioria dos roubos que é registrados aqui, na delegacia, são de celulares e bolsas femininas. As pessoas mais vulneráveis neste tipo de crime são idosos, mulheres e estudantes. Por conta do desemprego é que os roubos estão aumentando, não só aqui, na nossa área, mas em todos os bairros de Manaus”, avaliou.

Segundo Barreto, apesar dos roubos terem aumentado no bairro Aparecida, as polícias Militar e Civil (PM e PC) não têm medido esforços para atender a demanda da população dessas áreas. “Por dia, em horário comercial, realizamos três flagrantes de assaltantes aqui, na delegacia”, disse.

Do D24

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