Em julho, interior do AM registrou maior número de novos casos de Covid-19 desde início de pandemia

Em 31 dias, cidades do interior do Estado tiveram confirmação de mais de 21,6 mil casos. Total se aproxima do número de novos casos em maio e junho.

Os municípios do interior do Amazonas registraram no mês de julho o maior número de novos casos confirmados de Covid-19 desde o início da pandemia. Após a doença apresentar redução na capital, depois de colapsar o sistema público de saúde e o sistema funerário, o contágio no interior do Estado continua aumentando. Segundo boletim epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), foram 21.619 novos casos apenas no mês de julho no interior.

Desde junho, o Governo do Amazonas tem flexibilizado as medidas de isolamento social, com reabertura do comércio, retorno de aulas e de atividades de cultura e lazer. As medidas levam em consideração que o Estado tem apresentado redução nos registros de novas mortes e internações de pacientes com a Covid-19. Até sexta-feira (31), mais de 100,9 mil casos da doença já haviam sido confirmados, com mais de 3,2 mil mortes pela doença.

De acordo com dados da FVS-AM, o mês de julho teve 21.619 mil novos casos do novo coronavírus entre os municípios do interior do Amazonas. Até então, maio era o mês com o maior índice de novos registros, com 21.103 casos. O governo cita testagem em massa nas cidades como justificativa para o aumento.

Novos casos de Covid-19 no interior do Amazonas

No dia 7 de julho, o Amazonas registrou o segundo maior número de novos casos em 24 horas desde o início da pandemia. Foram 2.740 casos confirmados de Covid-19 em um único dia. Dos casos totais, 1.802 foram apenas na cidade de Coari.

Na ocasião, a FVS esclareceu que, segundo a Secretaria Municipal de Saúde da cidade, o aumento do número de casos em Coari aconteceu devido à intensificação das ações para diagnóstico da Covid-19 por testes rápidos nos dias anteriores.

No dia 16 de julho, o Governo do Amazonas autorizou a retomada do transporte de passageiros pelos rios, meio apontado como responsável pela chegada da Covid-19 nos municípios do interior, com uma série de restrições. Dentre elas, a redução de até 60% na capacidade de embarcações.

Ainda em julho, Envira, o último município do estado que ainda não havia registrado casos, teve seus primeiros pacientes confirmados com a Covid-19. No dia 6, três pessoas foram confirmadas com o novo coronavírus no município. No dia 31 de julho, o número de infectados na cidade chegou a 85.Em Manaus, os novos registros da doença vêm apresentando redução desde o mês de maio, quando foi contabilizado o maior número de novos casos em um único mês, com 15.020 mil casos confirmados. Nos meses seguintes, houve redução: em junho foram 8.876 mil novos casos, e em julho, 8.423.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou que a principal estratégia adotada no Estado tem sido o diagnóstico. O Amazonas, segundo a Secretaria, é um dos Estados que mais ofertou testes de diagnóstico para a população, o que mostra a relação entre os casos confirmados e os testes notificados.

Em relação ao interior, A Susam informou que os municípios têm adotado a ampliação da testagem da população e, consequentemente, há maior número de casos. A Secretaria e a FVS informaram que continuam monitorando os casos e orientando as prefeituras para as medidas de prevenção da Covid-19 nos municípios.

“O Governo do Estado estruturou salas de estabilização nas unidades hospitalares do interior para o atendimento de pacientes graves até a alta hospitalar ou remoção para Manaus. Para isso, o Governo entregou respiradores para todas as unidades hospitalares dos municípios do interior. Houve, ainda, o aumento no número de Unidades de Cuidados Intermediários (UCIs) nos municípios do interior, quase triplicando a quantidade de UCIs, chegando a 116 em 33 municípios”, informou a Susam.

Novos casos no AM

Em todo o estado do Amazonas, entre municípios do interior e a capital Manaus, o mês de julho foi o que teve o segundo maior registro de novos casos da Covid-19, com 30.114 mil infectados. O mês com maior registros durante o período de pandemia foi maio, quando 36.123 mil novas pessoas foram confirmadas com a doença.

Junho foi o terceiro mês do período de pandemia que teve o maior registro. Nos 30 dias do mês, foram 29.445 mil novos casos da Covid-19 confirmados. Em seguida, aparecem os meses de abril, com 5.080 mil casos, e março, com 175 novos registros de pacientes com a doença em todo o estado.

Redução da Covid-19

De acordo com as autoridades, uma tendência de queda nos casos depois do pico ocorrido maio quando o estado registrou mais de 11 mil casos em sete dias, foi constatada em julho. Há quase cinco semanas o estado apresenta redução progressiva nos números de novos diagnosticados e mortos. Especialistas apontam como uma das explicações a “imunidade de rebanho” – estratégia que parte do princípio de que, uma vez que grande parte da população já tenha sido infectada, indivíduos ainda vulneráveis têm menor chance de contágio.

Após a constatação de queda no número de internações e casos da doença, o hospital de referência para tratamento de pacientes com a Covid-19 Nilton Lins foi fechado em Manaus, no dia 16 de julho, segundo a Susam. Em junho, o hospital de campanha municipal também encerrou os atendimentos.

Por conta da queda de casos e mortes, o cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus, suspendeu, em junho, o sistema de enterros em vala comum e retomou os sepultamentos em covas individuais. O sistema de valas comuns, chamado pela prefeitura de “trincheira”, era realizado desde o dia 21 de abril, quando o aumento da demanda saltou de uma média de 30 enterros diários, para mais de 100 por dia.

Em abril, a capital chegou a bater um recorde de 140 enterros em 24 horas. Atualmente, os números voltaram à média, de 30, registrada antes da pandemia. A capital chegou a registrar mortes 108% acima da média histórica e sofreu um colapso funerário por conta dos casos de Covid-19, com enterro de caixões empilhados e em valas comuns.

Com informações do g1

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Coronavírus continua avançando no interior do Amazonas

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