Em Parintins, empresário emprega adolescentes de 16 anos e oferece dinheiro a elas em troca de sexo

Foto: Gilson Almeida.

Gilson Almeida | 24 horas
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Parintins (AM) – Em Parintins, duas adolescentes de 16 anos procuraram a reportagem para denunciar o proprietário de um estabelecimento comercial identificado como Sebastião por assédio no trabalho, oferecendo dinheiro para ambas em troca de sexo.

Uma das menores relata que ele a contratou para trabalhar na loja dele e fazer os serviços domésticos na casa do mesmo por indicação da amiga que já estava trabalhando com ele há alguns dias. Ela disse ainda que os assédios e até os discursos preconceituosos iniciaram logo no seu primeiro dia de trabalho durante uma conversa entre os dois quando ele disse que pobre não se torna médico, não se torna juiz, que só serve para ser empregado.

Ainda segundo ela, após ele dizer isso, perguntou se queria fazer faculdade e afirmou que ela só estava naquele trabalho porque era pobre e precisava do dinheiro. Diante disso, a menor respondeu que busca sim trabalhar e almeja fazer faculdade de medicina. “Ele disse que gosta de dar oportunidade para as meninas de Parintins porque a cidade não dá oportunidade para os jovens. Ele disse que dá também outras oportunidades de ajudar mais do que o trabalho, que eu não precisava estar ali lavando carro, lavando cadeira, cozinhando, passando, que ele poderia me ajudar de outra forma, mas que eu ajudasse ele também me oferecendo R$ 200 para eu transar com ele por cinco a 10 minutos, dizendo que ele era discreto, fazia tudo no sigilo, que a esposa dele não sabia”, relatou a vítima. A adolescente assustada recusou na hora.

Não contente com a resposta ele insistiu. A menor de 16 anos contou também que no decorrer dos dias de trabalho, diversas vezes ele ficou acariciando suas mãos, beijando seu pescoço e lhe abraçando por trás sem seu consentimento. Em todas as vezes ela encontrava um meio de fugir dos assédios. A vítima relatou ainda que ele chegou até oferecer ela para o filho dele dizendo que poderia fazer os dois namorarem, portanto que ela dormisse com ele. Ele era tão insistente nos assédios, que, segundo a adolescente, Sebastião chegou a mostrar uma sacola cheia de dinheiro oferecendo para ela em troca de favores sexuais.

Outra adolescente de 16 anos que está traumatizada pelo o que passou, relatou que trabalhava na loja e sofreu os mesmos assédios de Sebastião e ouviu o mesmo discurso de preconceito dele se referindo as pessoas pobres. “Ele sentou na mesa e me chamou. Ele puxou o dinheiro e disse ‘está vendo isso aqui? É muita gente que deseja isso. Na vida somos igual prego e martelo. Que os pobres seriam pregos e os ricos seriam os martelos. Tu tens tudo para vencer comigo, que eu poderia investir em você. Poderia te deixar bonita, te colocar na academia, pagar um curso para você. Você quer ser o quê? ’. Eu disse que quero ser psicóloga e ele disparou. ‘Está vendo? Não existe curso de psicologia aqui’. Falei que eu mesma vou vencer com meu desempenho e aí ele falou ‘que seria mais fácil se eu pagasse isso para você’. Eu falei que não preciso disso e que para isso tenho pai e tenho mãe e eles confiam em mim. Aquilo mexeu comigo. Chegava em casa e nem queria olhar para a cara da mamãe porque eu tinha vontade de chorar”, disse a vítima emocionada.

A adolescente relatou que até no dia que ela pediu demissão Sebastião ofereceu dinheiro, vida de luxo e que queria investir nela, portanto que eles tivessem relações sexuais. “Eu perguntei dele ‘se o senhor investisse em mim, ia querer o que em troca? ’. Ele falou bem assim: ‘eu quero só ficar contigo’. Eu disse ‘não cara, não sou puta, não sou mulher de rua’. Eu só quis esse emprego só para eu ter uma experiência na minha vida, sabe, é tão difícil”, desabafou.

Por sofrerem constantes assédios, em menos de uma semana elas pediram demissão, tomaram coragem para contar para a família e registraram o boletim de ocorrência na 3ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP). O Conselho Tutelar também será acionado.

Foto: Gilson Almeida.
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