Em Parintins, professores da rede estadual são contra o retorno de aulas presenciais

Gilson Almeida / Eldiney Alcântara | 24 Horas
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Em Parintins, professores da rede estadual são contra o retorno das aulas presenciais prevista para esta quarta-feira (19), anunciado na sexta-feira (14) pelo governador do Amazonas, Wilson Lima. A categoria apresenta uma série de motivos, entre eles, a ausência da vacinação contra a Covid-19 da totalidade dos servidores da educação e dos trabalhadores terceirizados que prestam serviço para a secretaria.

A classe entregou na tarde de hoje documento de não comparecimento às escolas com 324 assinaturas de docentes. O documento foi entregue ao coordenador regional de educação de Parintins, João Costa. O professor Gilciandro Andrade informa que por meio das plataformas digitais mais de 100 profissionais da educação afirmaram que não retornarão para as escolas e continuarão dando suas aulas de forma on-line. Além disso ele pontua que muitos professores de mais idade e até mesmo jovens faleceram vítima da doença, o mais recente foi o professor Evandro de Oliveira, de 34 anos.

“Não vamos retornar às escolas simplesmente porque elas não foram adequadas para receber os nossos alunos. A maioria dos professores não receberam nem a primeira dose da vacina e quem já recebeu ainda não está imunizado, porque como os protocolos de segurança anunciam você precisa tomar a primeira, segunda dose e esperar um tempo para que o corpo crie a imunidade. Então, não adianta só vacinar tem que esperar esse período de imunização”, pontua Gilciandro.

“Estamos esperando esse período de imunização para que possamos voltar com segurança. Outra questão, se nossos alunos vierem para a escola do jeito que está, muitos alunos infelizmente serão transmissores do vírus e podem levar pra casa e infectar as famílias, até porque muitas famílias ainda não foram imunizados”, complementa o professor.

Os docentes realizaram ontem uma assembleia virtual do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam – Manaus). Eles deliberaram  que na quarta-feira (19) terá uma falta coletiva, na quinta-feira (20) será um dia de advertência pelo Sinteam e na sexta-feira (21) será realizada uma assembleia para definir estado de greve.

Salum Dácio Júnior, que tem dois filhos matriculados na rede estadual, também não concorda com retorno das aulas presenciais. “Eu acho precipitado porque embora tenha tido redução dos casos e mortes por Covid-19, a pandemia ainda não acabou. Não temos um protocolo eficaz que possa garantir a vinda dos nossos filhos. Eu fico preocupado porque o Sinteam só se fala na vacinação dos professores. E nossas crianças não merecem viver? Não merecem ser vacinadas também? E as crianças que têm pneumonia, asma, como que fica isso?”, questiona o pai.

O coordenador da Seduc em Parintins, João Costa, informou que após o anúncio do Governo do Estado foi iniciado a tentativa de organização das escolas, com foco no protocolo de segurança do plano de retorno das atividades que a Seduc tem, obedecendo o distanciamento. “Esse retorno será de forma híbrida, ou seja, 50% presencial e 50% semipresencial. Isso para garantir a flexibilização do quantitativo de pessoas nas escolas. O protocolo de saúde foi elaborado pela Vigilância Sanitária e por todos os órgãos de saúde do estado que estabelece todo um padrão de ordenamento como totem de álcool em gel na entrada das escolas, medição de temperatura, manter o distanciamento entre as pessoas, higienização dos espaços de circulação de pessoas, uso de máscara e álcool em gel. Enfim, são esses os critérios que, se seguirmos rigorosamente com base na Vigilância Sanitária, teremos o máximo de segurança para a não contaminação”, assegura.

Costa frisa ainda que entre os pontos positivos do retorno das aulas presenciais será que os alunos que não tinham internet para as aulas remotas terão a escola como referência, será garantido a segurança alimentar desses alunos com a merenda escolar, retorno da socialização, da educação sobre a pandemia, entre outros. João Costa afirma ainda que se houver um movimento do sindicato será respeitado sem nenhuma retaliação por parte da coordenadoria regional da Seduc.

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