Empresa dona da Manaus Ambiental é investigada na Lava Jato

A Manaus Ambiental é uma parceria entre o Grupos Águas do Brasil e Solví Foto: Sandro Pereira

Documentos anexados ao processo da operação Lava Jato da Polícia Federal mostram que, de 2006 a 2013, o ex-ministro José Dirceu e sua empresa de consultoria receberam R$ 29,2 milhões. Destes, R$ 488 mil foram da empreiteira Solvi Participações, dona da Manaus Ambiental, dona da concessão do serviço de água e esgoto na capital do Amazonas. A Manaus Ambiental é uma parceria entre o Grupos Águas do Brasil e Solví – Soluções para a Vida. 

A empresa é mais uma envolvida na operação Lava Jato a contar com os requisitados serviços de consultoria de José Dirceu. A empresa pagou os R$ 448 mil ao ex-ministro entre 2007 e 2009. Controlada pelo empresário Carlos Villa, a Solvi é uma holding composta, entre outras, pela Revita Engenharia. A Revita está entre as empresas para as quais Meire Poza, a contadora do doleiro Alberto Youssef, emitiu notas frias. No caso da Revita, a fraude foi de R$ 600 mil.

Meire indicou à Comissão Parlamentar Mista (CPMI) da Petrobras, em outubro de 2014, que R$ 7 milhões oriundos das ‘notas frias’ que emitiu renderam repasses de Youssef a Luiz Argôlo, André Vargas e Pedro Leoni Ramos. Questionada pelo deputado Izalci Lucas (PSDB-DF) sobre os R$ 600 mil da Revita pagos ao doleiro, a contadora disse não lembrar a quem Youssef os destinou.

A Solví Participações informou que a JD Consultoria, do ex-ministro José Dirceu, que está cumprindo pena de prisão por corrupção, “prestou serviços de consultoria para a empresa, entre os anos de 2007 e 2010, visando sua expansão comercial no mercado da América do Sul”. A empresa refutou “veementemente a acusação de pagamento de valores representados por ‘notas frias’” e garante ter provas de que uma auditoria interna prova que Meire Poza mentiu à CPMI da Petrobras.

A Solvi é fruto da reestruturação das empresas Vega Engenharia Ambiental e Águas do Amazonas, após a saída da multinacional francesa Suez em 2006 da direção do grupo e a passagem do controle para os executivos nacionais.

Ex-líder estudantil, ex-guerrilheiro, ex-ministro da Casa Civil no governo Lula e ex-deputado federal, Dirceu é alvo da operação Lava Jato, que investiga corrupção na Petrobras.

Dirceu, que cumpre prisão domiciliar, se tornou investigado pela PF e pelo Ministério Público Federal (MPF) após constatação de que prestou consultoria a empresas envolvidas na Lava Jato. As empreiteiras, acusadas de desviar milhões de reais de contratos com a Petrobras, admitem ter pago para que o ex-ministro abrisse caminhos e facilitasse contatos com governantes.

Os serviços consistiam, na maioria das vezes, em apresentar autoridades que poderiam azeitar negócios dessas empresas, relatou Gerson Almada, executivo da empreiteira Engevix, que foipreso na PF em Curitiba.  A empresa que Dirceu montou em 2006, logo após deixar o parlamento – a JD Assessoria e Consultoria – recebia pagamentos em sequência, como mostram extratos no processo.

Procurada pela reportagem, a  assessoria de imprensa da Manaus Ambiental informou que a companhia é “controlada pela Companhia de Saneamento do Norte (CSN) e “qualquer questão a respeito da Solví Participações deve ser endereçada a ela”. No entanto, no site da Solví, a Manaus Ambiental é listada como uma das empresas administradas pelo grupo. A infomação está no link: www.solvi.com/saneamento/manaus-ambiental/.

No site da própria Manaus Ambiental há o documento intitulado Demonstrações Financeiras informando que a CSN tem como acionistas a SAAB Participações e a Solvi Participações.

Do d24

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