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Encélado – lua de Saturno

Fig01: Jatos de gás e partículas geladas.
Fig01: Jatos de gás e partículas geladas.
Fig02: A pluma de Encélado por cima do polo sul da lua.

 

Fig03: A presença de Saturno muda a quantidade de partículas expelidas por Encélado.
Fig03: A presença de Saturno muda a quantidade de partículas expelidas por Encélado.

Recentemente a sonda espacial Cassini avistou uma estrela brilhante a passar por trás da pluma de gás e poeira expelida pela lua “Encélado” de Saturno. Imagem linda, se não fosse um pequeno detalhe: o que a sonda “viu” não se encaixava nas previsões dos astrónomos.  E agora?

A solução foi averiguar a actividade geológica de Encélado. O que culminou na descoberta de jatos estreitos liberados a partir da superfície da lua. Esses jatos são expelidos com muita fúria quando Encélado encontra-se mais longe de Saturno.

Agora o problema é outro, haja vista que não se sabe como e nem o porquê isto acontece. Os astrónomos estão a checar por baixo da superfície gélida da lua. Acredita-se que embaixo da concha de gelo haja um oceano que poderá abrigar elementos que propiciem o surgimento de vida em Encélado.

Quase uma década atrás, a sonda Cassini revelou que Encélado “vomita” continuamente uma grande pluma de gás e grãos de gelo oriundos da região em torno do seu polo sul. Esta pluma estende-se por várias centenas de quilómetros para o espaço e tem várias vezes a largura da própria lua. [Conforme se pode conferir na figura 01]

Dezenas e dezenas de jatos estreitos eclodem da superfície de Encélado ao longo de grandes fraturas conhecidas como “listras de tigre” [ver figura 04] e contribuem para a pluma. A actividade é originária do oceano de água líquida e salgada por baixo da superfície, que está a sair para o espaço.

Fig04: Listras de tigre.
Fig04: Listras de tigre.

As análises dos dados da Cassini provaram que mais de 90% do material na pluma é vapor de água. Este gás empurra os grãos de poeira para o espaço, onde a luz solar os espalha, tornando-os visíveis às câmaras da sonda.

Anteriormente, a Cassini mostrou que as erupções pulverizavam três vezes mais poeira gelada para o espaço quando Encélado situava-se no seu ponto mais distante da órbita em torno de Saturno.  A novidade é que, desta vez, foi possível ver o aumento da parte gasosa das erupções, a qual constitui grande parte da massa da pluma.

Para ratificar as informações anteriores, os astrónomos planearam uma ronda especial de Cassini que focou a estrela  ε-Orionte.

Fig05: Localização de ε-Orionte.
Fig05: Localização de ε-Orionte.

A figura 05 mostra a localização da estrela central da Cintura de Orionte. Nesta actividade foi usado um espectrómetro ultravioleta embutido na Cassini. Sua missão foi medir o modo como o vapor de água na pluma enfraqueceu a luz ultravioleta emanada da estrela, revelando assim a quantidadade de gás contida na pluma. Neste experimento foi detetado o aumento de 20% no valor total de gás.

Com as revelações de Cassini, os astrónomos foram obrigados a analisarem mais profundamente a superfície de Encélado. Essa postura rendeu uma nova descoberta, a saber: ao passo que a quantidade de gás na pluma geral não mudava muito, este jato era quatro vezes mais activo do que em outros momentos na órbita de Encélado. Misteriosamente, não forneceram apenas 2% do vapor de água total da pluma – como obervado pela Cassini – e sim, 8% do gás da pluma. Este dado mostra algo subtil e importante: antes, pensava-se que a quantidade de vapor de água na pluma em geral, em toda a área polar sul, era afetada directamente pelas forças de maré de Saturno. Entretanto, o que muda realmente são os jatos de pequena escala. O aumento na actividade dos jatos é o responsável directo pela existência de mais grãos de água gelada que a Cassini registou.

O próximo passo é entender o que acontece no subsolo de Encélado. Em princípio, o alvo é “canalização” subterrânea – fendas e fissuras através das quais a água do oceano subsuperficial potencialmente habitável da lua está a fazer o seu caminho para o espaço.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da AIU, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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