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Entre gargalhadas, lágrimas e saudade! Histórias de Boi Bumbá

Por Odinéa Andrade

O ano de 2021 está sendo pesado, né? Quantos choques levamos!!
Hoje quero fazer uma homenagem e vou falar um pouquinho do querido amigo Ewaldo Cunha. Não era parintinense, mas se tornou, pelo amor que recebeu e dedicou à nossa terra. Era filho de Itacoatiara e chegou ainda muito jovem, a Parintins. Por ter chegado no mês de junho, o rufar da Marujada o encantou. Ewaldo procurou saber com a vizinhança e descobriu os dois grupos folclóricos – Caprichoso e Garantido, e suas localizações. Resolve conhecê-los.

Seu Pai era funcionário da CEAM, reduto vermelho. Numa bela noite junina, Ewaldo soube que o Caprichoso ia às ruas. Resolveu, sem o consentimento dos pais, ir viver essa aventura. O Curral do Caprichoso, ficava distante da casa dele (morava na Sham), mesmo assim, arriscou e chegou no Beco Marechal Castelo Branco, no terreiro onde era o curral do boi Caprichoso. O Boi saiu e ganhou as ruas e Ewaldo atrás, acompanhando. Nessa noite, ele conheceu a casa do Padrinho Didi Vieira, pois o Boi brincou lá na frente. E haja andança. Lá pelas tantas da madrugada, o Boi retorna ao seu seu Curral. Aquilo tudo o encantava. Quando viu o Boi, ficou extasiado. Foi um dos últimos a deixar o local.

E agora? Não tinha noção de onde estava, nem como voltar pra casa. Ele contava que resolveu seguir um cidadão sem ‘dar mancada’. Ia ‘meio com medo’, mas foi. Andou por um bom tempo. De repente, olhou pra sua esquerda e reconheceu a área. Suspirou aliviado, quando enxergou sua casa. A família, claro, já estava desesperada. A mãe rezava em silêncio e o pai andava pela casa. Ewaldo chegou sem fazer barulho, a porta estava como deixou, fechada , mas sem estar trancada com a chave. Entrou sorrateiramente e tomou um grande susto ao se deparar com os pais na frente dele. A bronca foi séria. O resultado da aventura? Se apaixonou pelo Caprichoso.

Ele soube da existência da Ednelza Cid, a mulher responsável pelas primeiras mudanças nas indumentarias dos itens e confecção de adereços e transformou a casa dela, em seu ‘point’ preferido. A juventude de Ewaldo, tornou-se um mar azul, com muitas ondas de aventuras. Muito estudioso, escolheu o Magistério e foi um grande mestre de Educação Física. Preparava seus alunos para os jogos estudantis.

Uma das peripécias bovinas do Ewaldo, foi na casa da Ednelza. Ele foi pular a cerca que dividia a Maçonaria, do quintal da Professora Luiza Stela, para ‘roubar’ alguns pés de macaxeira, para enfeitar a alegoria da ‘Índia Many’, que foi representada pela Marithza Cid, filha do Alcinelcio. Isso tudo na calada da noite. Ewaldo brincou no Caprichoso como Toureiro e fazia belas touradas na arena. Foi Diretor Administrativo, na gestão de Babá, fizemos viagens a Santarém para comprar artesanato para ornamentar os vestidos originalidade do boi e ele também saiu em alegorias, mas deixou seu nome gravado na história bovina como o Pai Francisco. Sua esposa Catirina, era o amigo Gaguita. Uma das encenações do “casal”, na arena, quando lembramos, damos gostosas gargalhadas. Fazia parte do auto do Boi. Os protagonistas, além do Pai Francisco Ewaldo e da Mãe Catirina, Gaguita, tinha o ‘doutor curador’ Ray Medeiros e os filhos do “casal”, Paulão e Zezão.

Pela primeira vez, durante o auto do boi, a Catirina ia fazer cesária de um parto gemelar, em plena arena. O Boi chegou e começou a evoluir. Entrou a alegoria com os personagens e começou a encenação. Com ajuda do ‘doutor’ e do Pai Francisco, nasceu o primeiro filho, o Paulão, que aos pulos vai ao encontro do Boi Caprichoso. Mas o ‘doutor’ sentiu um pouco de dificuldade e se esforçou para fazer nascer o segundo filho, o Zezão, muito gaiato, naquele momento soltou um ‘pum’. O ‘doutor’ e todos que estavam próximos, saíram correndo com o fedor insuportável e Zezão saiu atrás , rindo muito, levando do seu pai Ewaldo e da mãe, Gaguita, umas boas cachuletas.

As histórias engraçadas do Ewaldo eram contadas com muita comicidade e entre gargalhadas. Tinha orgulho das cores azul e branco e de ser Caprichoso. Partiu de repente. Foi fazer panavueiro no céu. Ficamos aqui perplexos, lembrando de suas histórias entre lágrimas, gargalhadas e saudade.

Quantas vezes ele e a esposa Silvia, iam esperar a filha Letícia sair do colégio, em minha casa?!! Ele saboreando um lanchinho e nós saboreando as histórias que ele contava. Tinha um jeito especial de contar, entre risos e gargalhadas. Com certeza no céu não houve mais tristeza depois de sua chegada por lá. Ficamos por aqui, lembrando desse amigo apaixonado pelo Caprichoso, pela vida, pela família, pela alegria!!

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