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Estrelas jovens massivas

Fig01: Comparação do tamanho das estrelas.

Hoje iremos abordar uma questão que está  a deixar muitos astrónomos  sem dormir. Afinal, como  se formaram as estrelas  que  estão nos locais mais longínquos do Universo?

Uma equipa de  investigadores  foi em busca de uma resposta e recentemente descobriram uma estrela jovem situada cerca de 11 mil anos-luz de distância da Terra.

A jovem estrela  tem mais de  30 massas solares e encontra-se em processo de recolha de material, oriundo da sua  nuvem molecular. Os astrónomos estimam  que  em breve  aquela estrela  possa  ganhar mais massa e, até lá, talvez a idade adulta tenha chegado para a jovem estrela.

O estudo  levado a cabo por pesquisadores  británicos revisou uma das etapas  fundamentais no nascimento estelar e  mostrou que a formação das estrelas massivas é similar à formação das estrelas menores, como o nosso Sol. Ou seja, ambas foram formadas a partir  do disco rotativo de gás e poeira.

Chamamos de estrelas massivas aquelas  que apresentam massa igual, ou superior,  a oito massas solares.

Na Via Láctea, fazer o estudo  de estrelas massivas não é tarefa trivial. Mesmo porque, em geral, esse tipo de estrelas tem um curto tempo de vida, morrendo muito jovens. Por isso, apesar  das 100 mil milhões  de estrelas na nossa Galáxia, encontrar uma estrela jovem e massiva é um feito que podemos  considerar raro.  Sem falar no factor distância, lembre-se que  tais estrelas residem em locais  muito ermos.

Temos que fazer uma ponderação, a saber: embora o mecanismo de formação seja similar, uma estrela como o Sol se forma em um tempo (médio) da ordem de milhões de anos, ou seja, 108 anos. Ao passo que  as estrelas massivas  levam apenas 105 anos para se formarem.  Claro que, se a formação é rápida,  o tempo de queima de combustível também será curtíssimo. E por isso, morrem jovens.

Mas nem sempre tudo ocorre como planeamos. Um exemplo, é a protoestrela encontrada pelos britânicos. Ela está  dentro de uma nuvem escura  infravermelha, em uma região  muito fria e altamente densa do espaço.

São factores que dificultam a observação  com auxílio de telescópio convencional. Somente para lembrá-lo, nesse tipo de ambiente  encontramos, também,  nuvens  muito espessas e opacas de gás e poeira.

A solução é apelar para a nossa tecnologia. Então,  os astrónomos usaram  o SMA (Submillimeter  Array)- telescópio situado no Hawaii (ver figura 02)- e o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array), que  está situado no Novo México (ver figura 03). Esses telescópios actuam em uma faixa de comprimentos de onda, relactivamente, longos para a observação celeste. Desta maneira, os astrónomos tiveram acesso ao que se passa além das nuvens de gás e poeira.

Fig02: Telescópio SMA.
Fig02: Telescópio SMA.
Fig03: Telescópio VLA.
Fig03: Telescópio VLA.

Uma vez medida a quantidade de radiação emitida pela poeira fria, localizada perto da estrela, utiliza-se, em seguida,  as “assinaturas” de  várias moléculas diferentes no gás para  determinarmos a presença ou não de um disco “klepleriano. Ou seja,  aquele em que o seu centro está a girar  com velocidade mais elevada do que nas orlas.

Temos que sublinhar que  esse tipo de rotação é observado em nosso Sistema Solar, onde os planetas interiores giram em torno do Sol  mais depressa que  os planetas exteriores.

A existência  de um disco  nas vizinhanças  de uma estrela jovem massiva  suger  que tais estrelas  tenham sido  formadas  similarmente  às estrelas  menos massivas, como o Sol.

Por fim, os estudos  apotaram  que a protoestrela tem uma massa superior a 30 massas solares. Também foi descoberto que  o disco  que está a rodear a jovem estrela é relativamente massivo, estando sua massa entre duas a três massas solares. E por isso, acredita-se que o  disco esteja também a contribuir para que a estrela fique encoberta.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da UAI, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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