“Eu nasci de novo. Essa doença não é brincadeira”, revela nhamundaense com sequelas da Covid-19

Da Redação | 24 Horas

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O agricultor Antônio Marcos Corrêa, 49 anos, da comunidade Juruá, próxima de Nhamundá, conta que viveu novamente, após passar quase dois meses entubado ‘praticamente morto’ no Pronto-Socorro e Hospital Delphina Aziz, em Manaus. A doença respiratória afetou a memória do paciente recuperado que agora luta pela reabilitação da saúde em fisioterapia no Posto de Saúde Irmão Francisco Galianni, no bairro Itaúna 02.

Antônio Marcos revela que tocava a vida tal qual ao presidente da República, Jair Bolsonaro, ao desdenhar da gravidade da Covid-19, até sofrer uma dura pancada do destino, quando foi infectado pelo novo coronavírus. “Não é brincadeira essa doença. Eu falava igual ao presidente que era só uma gripezinha”, lembra. O agricultor tinha 85 quilos na época em que foi diagnosticado com a Covid-19 e perdeu 35 quilos em dois meses de tratamento.

As fortes dores das sequelas ainda estão presentes na vida do agricultor. “Só Deus e muita oração. Meus amigos e minha família fizeram para eu viver de novo. Eu tive muita crise de morte naquele Delphina. Graças a Deus eu tenho um neto em Manaus que já é quase médico e me deu muita força. Todo dia ele ia ao hospital pegar o boletim para passar à família que ficava desesperada em Parintins e Nhamundá. Praticamente eu estava morto”, frisou.

Antônio Marcos acredita que contraiu a doença como um castigo, por duvidar da gravidade da Covid-19. “Eu falava que nem o Bolsonaro “essa gripezinha aí não pega na gente não”. Quando pegou em mim, eu fui para o hospital de Nhamundá e na mesma hora me mandaram para Parintins. De Parintins fui para Manaus de avião e decidi desistir da vida. Entrei no Delphina e ainda fiquei oito dias na sala rosa, piorei e me entubaram. De lá, esqueci do mundo”, confessa.

Quando o agricultor venceu a doença e teve alta médica dois meses depois, já não andava, estava debilitado, com apenas 50 quilos. “Eu aprendi a andar de novo e eu hoje estou aqui em Parintins fazendo fisioterapia, me recuperando. Eu ainda fico cansado bastante no peito e no corpo. Têm dias que eu estou bom e parece que nunca peguei Covid-19, mas têm outros que fico arriado e tenho que me deitar. Eu sinto grande tremor no corpo ainda”, desabafa.

Antônio Marcos trata as sequelas da doença com fisioterapeuta Deucliane Guimarães no Posto de Saúde Irmão Francisco Galianni. “Eu estava todo empenado, desmantelado e fiquei muito ferido no braço. Ela (fisioterapeuta) me endireitou e me encaixou de novo. Eu estou me sentindo bem melhor. Agradeço a Deus todos os dias por ter vivido para ficar com meus amigos e perto da minha família. Não é fácil essa doença não. Não brinquem com essa doença”, alerta.

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