Famílias Sateré-Mawé recebem mais de 100 toneladas de ajuda humanitária da Prefeitura de Barreirinha e Funai

A parceria entre ambas as instituições forneceu mais de 100 toneladas de alimentos a aproximadamente 2,1 mil famílias na Terra Indígena Andirá-Marau, isoladas por conta da Covid-19

Barreirinha (AM) – Com foco no combate ao desabastecimento alimentar nas comunidades indígenas no Rio Andirá, a Prefeitura de Barreirinha, em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai), distribuiu mais 4,5 mil cestas básicas destinadas a cerca de 80 aldeias do povo Sateré-Mawé, na primeira semana de julho. Há mais de noventa dias, a Terra Indígena Andirá-Marau encontra-se em isolamento social permanente, medida restritiva adotada para proteger os indígenas de Barreirinha contra a Covid-19.

Não há nenhum caso registrado do novo coronavírus nas aldeias Sateré-Mawé do Rio Andirá, desde o início da pandemia e a segunda remessa de entrega de alimentos seguiu os protocolos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Um profissional da Fundação de Vigilância em Saúde executou a desinfecção das embalagens com pulverizador para eliminar possíveis seres biológicos que poderiam contaminar os indígenas.

Os casos de Covid-19 em Barreirinha têm aumentado constantemente, em mais de dois meses desde o primeiro paciente infectado. O município já ultrapassou mais de 500 cidadãos recuperados e fora do período de transmissão da doença. A chegada das cestas básicas às famílias Sateré-Mawé evita que os indígenas sejam contaminados em áreas com alto índice de contaminação e disseminem, proporcionalmente, o vírus nas aldeias do Rio Andirá.

O prefeito de Barreirinha, Glenio Seixas, afirma que o município prioriza a preocupação com a vida dos povos tradicionais, que antes da pandemia, sempre enfrentavam distâncias colossais para acessar políticas sociais e serviços de bem comum. “Essa ajuda chegou em boa hora, pois sabemos dos empecilhos que a nossa logística nos impõe, ainda mais com a pandemia que nosso povo indígena teve que se recolher, para evitar que muitos parentes fossem dizimados por este vírus terrível. A partir da parceria com as entidades governamentais e sem fins lucrativos, possibilitamos que a população ribeirinha receba atenção especial neste momento delicado” , comentou.

A atuação da Prefeitura de Barreirinha teve, como interlocutores, as equipes da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e o Departamento de Assistência ao Índio (DAI), que juntamente com a Fundação Nacional do índio (Funai) executaram a entrega nas aldeias Sateré-Mawé do Rio Andirá.

De acordo com Sérgio Butel, coordenador da Funai no Baixo Amazonas, sem a parceria da administração municipal de Barreirinha, seria quase impossível beneficiar a população Sateré-Mawé com a ajuda humanitária. “Uma logística, para realizar a entrega de mais de 100 toneladas de alimentos, exige bastante esforço conjunto. Nesse sentido, nós contamos com o apoio da Prefeitura de Barreirinha. Nós percebemos o quanto o povo Sateré-Mawé fica satisfeito em receber essa atenção e esse apoio por parte do poder público”, afirmou.

Na ação, cada chefe de família recebeu duas cestas básicas, que somadas chegavam, a 22 quilos de alimentos. O líder indígena da comunidade Vila Nova, Juca Miquiles, considerada a maior aldeia indígena do Alto Rio Andirá, expressou a felicidade com cerca de 100 famílias reunidas para receber a ajuda humanitária. “Com esse distanciamento social e a população não podendo sair, chegar um benefício como esse é tão louvável. Quando chegaram essas cestas básicas na comunidade, o povo ficou muito feliz”, destacou o tuxaua.

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