Festival dos botos Tucuxi e Cor-de-Rosa integram festividades do Çairé, em Alter do Chão, no Pará

Por Juraci Júnior | Especial para o Parintins 24 Horas

[email protected]

O Festival dos Botos Tucuxi e Cor-de-Rosa integra a festividade do Çairé, desde 1997. Considerada a parte “profana” da festa, a disputa traz cerca de 700 integrantes de cada agremiação, para o “Lago dos Botos”, lugar preparado para receber cerca de 6 mil pessoas, numa arena no centro de Alter do Chão. São dois eventos que aconteciam separadamente, e por uma questão estratégica, a Festa do Çairé e o Festival dos Botos são realizados atualmente na mesma data, no final do mês de setembro, época em que os rios que banham a região de Alter do Chão estão mais secos e revelam praias lindíssimas. Assim, concentram atividades para que os visitantes tenham acesso ao melhor da região, em uma única data.

Além da comunidade de Santarém e de Alter do Chão, artistas de outras regiões integram as apresentações. Juruti, no Pará, Parintins no Amazonas, por exemplo, contribuem com técnicas e artistas de seus espetáculos.

Os ingressos para as apresentações no “Lago dos Botos” são vendidos em três categorias: para ver os espetáculos da arquibancada o visitante paga R$ 50,00. Para que veja o show na pista, área que contorna o lago de apresentações, o valor é de R$ 30,00. Ambos são vendidos no mesmo dia, na bilheteria do Çairódromo. Já os camarotes são comercializados em pacotes que giram em toro de R$ 3.000,00 e comportam até 10 pessoas.

O espetáculo deve ser apresentado respeitando o tempo de 2 horas para cada boto. As músicas são executadas ao vivo, dando mais vibração a festa.

Sobre a apresentação:

Os itens principais indispensáveis a apresentação são:
Rainha do Çairé, que representa a çaraipora, figura tradicional responsável por levar o Arco do Çairé nas procissões da festa religiosa.

Boto Animal Evolução: representa o movimento dos botos reais. Um homem fica por baixo da fantasia, que é considerado o coração do boto.

Apresentador: responsável por guiar todo o espetáculo, narrando as cenas apresentadas.

Cabocla Borari: meninas que contracenam com o boto e são enfeitiçadas pelo encantado.

Sedução: um dos pontos mais altos do espetáculo, onde o Boto encanta a cabocla.

Boto Homem Encantador: personagem místico, sensual e que encanta das caboclas das beiras dos rios.

Rainha do Artesanato: figura que representa os artesãos amazônicos.

Rainha do Lago Verde: representa a protetora das águas.

Curandeiro: ser místico, que transita entre os mundos dos vivos e dos mortos, que possui o dom da cura.
Carimbó: dança tradicional paraense, amplamente representada no Festival dos Botos.

Alegorias: cores, luzes, movimentos devem integrar a proposta artística do espetáculo. É a parte plástica da encenação. Impacta e impressiona os visitantes e jurados.

Organização do Conjunto Folclórico: responsável pela disposição na arena de todos os itens, que devem se apresentar em harmonia.
Letra e música: são o enredo e a temática das apresentações.

Cantor: responsável por interpretar as composições.
Ritual: representação cênica de algum conflito dos povos borari.

Torcidas: são parte integrante do espetáculo. Permanecem em silêncio e estáticas durante a apresentação do boto avesso. Já na durante a apresentação do boto de sua agremiação, participam com alegria, agitação e usam elementos cênicos para mais impacto na apresentação.

Texto e fotos: Juraci Junior

Referência: “Festa do Çairé de Alter do Chão”. Universidade Federal do Oeste do Pará.

você pode gostar também