-Publi-A-

G1.9+0.3

Figura 01: Imagem do remanescente de supernova, G1.0+0.3, obtida pelo Chandra na faixa dos raios-X. Créditos da imagem: X-ray (NASA/CXC/CfA/S.Chakraborti et al.)

Já  falamos sobre o Chandra e o VLA, na nossa coluna semanal de Astronomia. Porém, nesta matéria iremos falar sobre G1.9+0.3. O que seja isso? É o remanescente de uma supernova. Com um nome incomum G1.9+0.3 foi classificado sendo do tipo Ia, ou seja,  trata-se  de uma classe de explosões  estelares  usada  pelos astrónomos para medir  a velocidade de expansão do Universo. Os dados coletados pelo Chandra afirmam que  a luz de G1.9+0.3 somente surgiu no céu  por volta de 110 anos atrás, e não 150  anos como se acreditava antes.

Figura 02: Localização de G1.9+0.3 na constelação de Sagitário. Créditos da imagem: Planetário Digital de Parintins – NEPA/UEA/CNPq.
Figura 02: Localização de G1.9+0.3 na constelação de Sagitário. Créditos da imagem: Planetário Digital de Parintins – NEPA/UEA/CNPq.

A figura 02, mostra a localização  de G1.9+0.3, na constelação de Sagitário,  os dados do Chandra revelaram que  G1.9+0.3 estava em um região (da Galáxia) onde há  muita poeira, a aproximadamente 27.700 anos-luz da Terra. O excesso de  poeira, obviamente,  impede (ou no mínimo retarda) a chegada da luz  visível até nós.

Como fora dito,  as supernovas do Tipo Ia fazem o papel de “marcadores” de distância (como se fossem “réguas” espalhadas pelo Universo) e é justamente com o auxílio desse tipo de estrelas que os astrónomos  conseguem descobrir se realmente o Universo  se expandiu ou não, e em qual taxa o Universo está a se acelerar. [Ou eu deveria escrever: a qual taxa o Universo está a ser acelerado?]

Uma cousa é certa: se realmente  há alguma diferença na  forma como as supernovas explodem e na quantidade de luz produzida por elas, então,  esses factores influenciarão  directamente a compreensão actual do termo “expansão do Universo”.

Na Astronomia, há uma certa ”concordância” quando se diz que supernovas do Tipo Ia são oriundas de explosões de anãs brancas (a grosso modo, são o restos densos  de estrelas tipo-Sol). A explosão ocorre quando  o combustível estelar  já foi consumido.

Quando usei o termo “concordância”, eu estava a falar seriamente, pois, o ponto de discórdia concentra-se na discussão que  questiona justamente que seria o agente causador  destas explosões.  Na actualidade, há duas vertentes, saber: a primeira delas afirma que  a  anã branca tenha acumulado  material  estelar de uma estrela companheira. A segunda vertente alega que  o agente causador é a fusão violenta entre duas anãs brancas.

Recentemente,  o Chandra e o VLA examinaram  como o remanescente  de supernova G1.9+0.3 está a interagir com o  gás e a poeira em torno da explosão. Para estudar o assunto, os astrónomos  usaram a faixa de rádio e raios-X, haja vista que é neste intervalo de frequências que  se pode encontrar as causas das explosões. A análise é muito simples: com o passar do tempo, se o brilho de raios-X e rádio do remanescente de supernova estiver a aumentar, então,  a única opção é admitir que de facto houve uma fusão de anãs brancas.

Após anos de pesquisa, os astrónomos – com o auxílio de Chandra e VLA – perceberam  que o brilho (seja na faixa de raios-X, seja na faixa de rádio) realmente aumentou. O que leva a Astronomia moderna a ter uma melhor compreensão  desse facto, ou seja,  as supernovas  do tipo Ia tem as possíveis origens:

  • Ou são todas  provocadas por  colisões entre anãs brancas (versão mais aceita);
  • Ou são  produzidas  por uma mistura  de colisões  entre anãs brancas e o mecanismo pelo qual a anã branca puxa o material da estrela companheira para si.

Excelente,  porém,  qual o impacto desta descoberta na Astronomia actual? Simples,  na práctica significa dizer que os investigadores terão que repensar a maneira na qual estamos a usar os dados das supernovas. Está evidente que a forma  actual de cálculo da idade do Universo é inconsistente. E esse ponto precisa ser revisto e melhorado.

Figura 03: À esquerda, em azul a imagem de G1.9+0.3 obtida pelo VLA (na faixa de rádio), em laranja outra imagem do mesmo objeto obtida pelo Chandra (na faixa de raios-X). Ao comparar as duas, nota-se a expansão do remanescente de supernova. À direita, uma imagem de G1.9+0.3, agora, no infravermelho fornecida pelo 2MASS.Nota-se a grande quantidade de partículas e poeiras existentes naquela região. Créditos da imagem: Em raios-X (NASA/CXC/NCSU/S.Reynolds et al.); em Rádio (NSF/NRAO/VLA/Cambridge/D.Green et al.); em infravermelho (2MASS/UMass/IPAC-Caltech/NASA/NSF/CfA/E.Bressert).
Figura 03: À esquerda, em azul a imagem de G1.9+0.3 obtida pelo VLA (na faixa de rádio), em laranja outra imagem do mesmo objeto obtida pelo Chandra (na faixa de raios-X). Ao comparar as duas, nota-se a expansão do remanescente de supernova. À direita, uma imagem de G1.9+0.3, agora, no infravermelho fornecida pelo 2MASS.Nota-se a grande quantidade de partículas e poeiras existentes naquela região. Créditos da imagem: Em raios-X (NASA/CXC/NCSU/S.Reynolds et al.); em Rádio (NSF/NRAO/VLA/Cambridge/D.Green et al.); em infravermelho (2MASS/UMass/IPAC-Caltech/NASA/NSF/CfA/E.Bressert).

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA, Membro da AIU, Membro da ST/Brasil, Membro do PLOAD/Brasil, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

você pode gostar também