Garantido Eleição: por que ser presidente de uma associação que está no vermelho?

Eldiney Alcântara | Especial Parintins 24 Horas

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Segundo o estatuto do Boi-Bumbá Garantido, a associação deve realizar as eleições para presidente no dia 27 de setembro. Porém, a data está indefinida, devido a pandemia do novo coronavírus. No entanto, a pergunta que muitos se fazem é “Por que ser presidente de uma entidade que está, literalmente, no vermelho?”.

O atual presidente do Garantido, Fábio Cardoso, informou que no dia 27 deste mês será formada a Comissão Eleitoral, conforme rege o estatuto. No entanto, a realização do pleito só acontece após decisão da Vigilância Sanitária, uma vez que a diretoria do boi protocolou documento pedindo parecer sobre a viabilidade da eleição. A presidência ainda aguarda resposta do órgão.

atual presidente do Garantido, Fábio Cardoso

O bumbá enfrenta inúmeros processos na justiça. A dívida do boi na Vara do Trabalho ultrapassa R$2,6 milhões. Recentemente, o Garantido sofreu um grande golpe: a perda da Cidade Garantido, através de leilão virtual, para o grupo Samuel. Em meio a tantas complicações judiciais, patrimoniais e administrativas, sócios torcedores do Boi de Lindolfo querem presidir a agremiação folclórica. Qual seria a motivação?

O Parintins24hs entrevistou os candidatos que já anunciaram suas campanhas para a presidência vermelha. Nos discursos, a grande maioria destaca o amor ao boi e a busca por melhorias à associação.

O que leva uma pessoa a querer presidir uma entidade com dívidas milionárias?

As campanhas já estão nas ruas e a atual administração é um dos pontos de grandes críticas em muitos discursos. O atual vice-presidente do Garantido, Messias Albuquerque, confirmou sua candidatura e adianta que sua campanha será de propostas e não de ataques. “Tem pessoas maldosas, pessoas que tentam te denegrir para que você tenha medo e não vá para o embate. Eu não, tenho qualidade, sou candidato ficha limpa. Não fui presidente, estou como vice-presidente, mas não tive a oportunidade de gerir o boi”, disse.

Atual vice-presidente do Garantido, Messias Albuquerque, confirmou sua candidatura

“Tenho parceiros e mecanismos para resolver esse problema do boi”. Essa foi a justificativa do artista e soldador, Marlon Cardoso, quando questionado sobre ser presidente do Garantido. Ele afirma que, além do amor ao bumbá, tem meios para tirar a agremiação da precária situação que se encontra. “Me prepararei durante esses anos, justamente, para tirar meu boi dessa situação negativa. Hoje tenho parcerias que vão me ajudar a resolver esse problema de dívidas e descaso com processos trabalhistas do nosso boi. Então, por isso e outros que sou candidato à presidência do nosso boi”, afirmou.

Artista e soldador, Marlon Cardoso

Sorin Sena conhece bem a realidade econômica do Garantido. Ele é artista de alegorias e também passa pelas incertezas de pagamentos e demora nos repasses financeiros. Candidato à presidência, ele afirma que conhece os custos e recursos do boi e que pode “mudar essa situação negativa”. Questionado sobre o motivo de sua candidatura, Sorin responde: “Eu me candidatei a presidente do Garantido porque quero trazer de volta aquele orgulho de ser Garantido. Essas dificuldades que a gente tem passado, enfrentando essas avacalhações, bagunças, vergonhas em redes sociais, nas mídias isso tem que acabar. O Garantido é muito maior que tudo isso. A gente trabalhando com seriedade e credibilidade vai conseguir mudar a situação do Garantido”.

Sorin Sena artista de alegorias

Um dos candidatos que mais gera discussão no mundo bovino é Antônio Andrade. Nas redes sociais repercutiu sua candidatura e sua postagem que cobra agilidade da diretoria do boi na organização do pleito deste ano. Acusado de ser uma das maiores causas para a atual perda da Cidade Garantido, uma vez que sua administração foi apontada como origem de dívidas gigantescas, ele nega as acusações. Antônio é um dos candidatos que mais desponta em campanha. Sócios de Parintins e Manaus já recebem constantes movimentações dele para as eleições. “Tenho minha parcela de culpa sim, mas também tenho parcela de ter feito um boi grandioso”, desabafa Antônio.

Antônio Andrade

Ele também foi questionado sobre o motivo de ser presidente de uma associação com dívidas milionárias. Ele ressalta o amor ao boi e que é “cria da Baixa do São José”. Para Antônio, as atuais gestões trabalham de forma amadora e que “é preciso profissionalizar o boi”. Sobre a atual situação do Garantido, ele afirma: “isso não é algo que desanima. Isso só dá mais forças. Sei que isso é negativo, mas isso pode ser um grande ressuscitamento do Garantido”.

Ávido defensor do artista parintinense, Júnior de Souza relembra que o Garantido perdeu grandes patrimônios, mas ainda tem o seu maior, o artista. “O espetáculo do Garanrido está sendo montado e apresentado em cima do suor, da dor do artista, que muitas vezes está até passando por constrangimento, vergonha. Não podemos mais ficar na arquibancada assistindo tudo isso sem tomar uma iniciativa”, critica.

Júnior de Souza

Assim como os demais, Júnior de Souza também se propõe a assumir uma agremiação com dívidas trabalhistas altíssimas. “A nossa candidatura é, justamente, de equacionar todos esses problemas que nós vivenciamos no boi, buscando fortalecer o artista de forma que nós possamos renovar aquele Garantido vitorioso, campeão”, concluiu.

Médico Denison Bentes

O Parintins24hs também conversou com um conhecido torcedor do Garantido, o médico Denison Bentes, que sempre manifesta sua torcida vermelha nas redes sociais. E foi na mídia social que ele foi lançado candidato por amigos. Porém, Denison informa que devido ao trabalho no combate ao novo coronavírus, seu papel na saúde de Parintins se torna mais necessário e está repensando o pleito. “No momento, o município está precisando muito de mim e me afastar dos meus serviços de anestesista é deixar meus conterrâneos na mão. Então, estou me organizando, me viabilizando pra ver como vai ficar isso e poder realmente me lançar como candidato”, finalizou.

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