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Garota indígena viraliza no TikTok

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Investir em melhorias na estrutura da comunidade e na formação escolar. Esse é o sonho de Maíra Tatuyo, de 22 anos, garota indígena que viralizou no TikTok após mostrar a rotina da comunidade Tatuyo, localizada às margens do Rio Negro, proxima à Manaus.

Com pouco mais de 6 milhões de seguidores na plataforma, a jovem viralizou mostrando vídeos com a rotina da sua comunidade e foi destaque em jornais nacionais e internacionais.

Agora, ela planeja fazer mudanças positivas na infraestrutura do local, e também investir em sonhos pessoais, voltados à educação.

“Eu penso em trazer melhorias, tanto para mim quanto para a comunidade, porque aqui temos dificuldades também. Nossas casas, por exemplo, são feitas de cascas de árvores, os pregos são os cipós e as telhas de palha. Assim, todos os anos esses itens precisam ser trocados, e custam dinheiro em troca, ao contrário do que muitos pensam. Então, com o dinheiro que eu recebo, pretendo trazer melhorias, ajudar as famílias que moram aqui na comunidade. Essas famílias também pagam conta de luz, internet e demais custos. Com a visibilidade que ganhei, pretendo ajudá-los”, diz.

Maíra, que começou a postar vídeos de sua comunidade em meio à pandemia, em março do ano passado, também quer usar a visibilidade para realizar sonhos pessoais: além de mostrar sua tradição ao mundo, pretende conhecer a cultura de outros lugares.

“Eu penso em fazer faculdade, fazer cursos, conhecer outras cidades e estados, conhecer novas culturas. Então além de melhorias para a comunidade, buscar mais ferramentas de educação para mim. Como minha mãe diz pra mim ‘agora não dá mais pra parar, só podemos ir pra frente’ e é isso que quero fazer”, conta.

 

Em meio à pandemia de Covid, a comunidade em que Maíra vive sofreu mudanças drásticas. O lugar que antes recebia turistas diariamente, com uma ampla venda de artesanato e atividades turísticas regionais ficou vazio quando o isolamento social foi necessário.

“Em meio à pandemia, nossas vendas de artesanato pararam. Então alguns fãs se juntaram e fizeram doações para gente, para ajudar no custeio de contas de energia, de internet, de muitas famílias que vivem aqui na comunidade. Na época também chegamos a receber materiais de proteção contra Covid, como máscaras e álcool em gel”, relembra.

Agora Maíra, que também conta com 531 mil seguidores no Instagram, diz que a visibilidade das redes, mais do que gerar renda, deixa a marca da tradição do seu povo. Seus irmãos também são sucesso na plataforma. Dickson Tatuyo, tem 53 mil seguidores, a irmã mais nova, Karina, tem 49 mil seguidores, e o pai, cacique Piño, tem 12,5 mil seguidores.

“Essa visibilidade é boa tanto para mim quanto para a comunidade, porque as pessoas vão conhecer mais sobre quem somos, é uma forma de deixar a marca da nossa tribo no mundo. Eu fiquei muito contente. Eu fico lisonjeada com tudo isso que está acontecendo”, afirma.

 

No entanto, a visibilidade nas redes não leva somente benefícios, os pais de Maíra também ficam preocupados com as críticas e retornos negativos que a internet pode gerar.

“Meu pai, minha mãe, meus tios têm essa preocupação sobre a fama, sobre estarmos sendo vistos pelo mundo afora. Porque tem coisa boa nas redes sociais, mas também tem coisa ruim, que pode deixar a gente mal, críticas, então meu pai fica preocupado com a gente, mas ele apoia demais o que a gente tá fazendo, de mostrar nossa cultura”, disse.

A garota indígena afirmou ainda que não pretende parar, sente gratidão pelo sucesso e ainda se considera no início da carreira.

“Eu pretendo continuar postando vídeos, levando curiosidades, costumes e hábitos que fazemos no dia a dia mesmo. Eu fico muito feliz, as vezes eu fico sem acreditar, sem palavras, quando para pra pensar em tudo isso que está acontecendo. Eu nunca imaginei que chegaria onde estou através de um vídeo. Como é possível? Só tenho gratidão”, finaliza.

Com informações do g1

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