Gervásio Baptista, o “fotógrafo dos presidentes”, morre em Brasília

Referência na história do fotojornalismo brasileiro, Gervásio Baptista morreu na manhã desta sexta-feira (5), em Brasília. Ele estava com 95 anos e deixa três filhos: Selma, Júlio e Aristides.

De acordo com Júlio, a família vai aguardar a chegada da irmã, que estava em Madri, para definir os detalhes do velório. O que já está acertado é que a cerimônia será realizada no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília, e o corpo será cremado. As cinzas serão espalhadas na Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro.

“Ele manifestou em vida que fizéssemos os mesmos procedimentos que fizemos com minha mãe. A ficha ainda não caiu. Mesmo que eu já viesse me preparando há tanto, tanto tempo. Ouvia ele dizer que já estava cansado, que queria muito partir. A gente acha que está preparado, mas, quando a coisa acontece, a gente vê que não estava”, disse Júlio à Agência Brasil.

Companheiro de anos de trabalho jornalístico, o fotógrafo Orlando Brito se emocionou com a despedida. “Meus mais sinceros sentimentos e minhas maiores homenagens. Gervásio parte para outro plano no Universo, mas deixa aqui no nosso planeta três filhos, um sem fim de admiradores, amigos e um trabalho referencial para a fotografia brasileira.”

Segundo Brito, nos últimos anos, Gervásio vivia no Espaço Sênior, na capital federal. Em 2018, a Associação Bahiana de Imprensa o homenageou com a medalha “Jornalista Ranulpho Oliveira” e a organização de uma exposição com 50 de suas fotos mais famosas.

Baiano, nascido em Salvador, Gervásio começou na profissão aos 12 anos, no extinto jornal O Estado da Bahia. Anos depois, foi para o Rio de Janeiro, a convite de Assis Chateaubriand, para trabalhar na revista O Cruzeiro, de onde se transferiu para a revista Manchete.

Ao longo de sua carreira, Gervásio se notabilizou com fotos históricas como a imagem do presidente Juscelino Kubitschek acenando com o chapéu na mão em frente ao Congresso, na inauguração de Brasília, em abril de 1960, e a última foto de Tancredo Neves, no hospital, ao lado dos médicos. Suas lentes registraram ainda Getúlio Vargas, José Sarney, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, o que lhe valeu o apelido de “fotógrafo dos presidentes”.

Em coberturas fora do país, acompanhou a Revolução Cubana, em 1959, a Revolução dos Cravos, em Portugal, em 1974, e a Guerra do Vietnã, também nos anos 1970. Eclético, cobriu sete Copas do Mundo de futebol e 16 edições do concurso Miss Universo. Também foi fotógrafo do Supremo Tribunal Federal e durante 30 anos seu talento esteve a serviço da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC).

A EBC divulgou nota de pesar assinada pelo diretor-presidente Alexandre Graziani.  Leia um trecho do texto:

“A Presidência da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) lamenta profundamente o falecimento do fotógrafo Gervásio Baptista, na manhã desta sexta-feira (5), em Brasília. A EBC e seus profissionais tiveram o privilégio de contar com o talento e a experiência de Gervásio, e a satisfação de desfrutar da companhia de um colega generoso e que trazia a memória repleta de casos e boas histórias de grandes personagens da vida política e social do Brasil. Ao lamentar a perda do fotógrafo, a Empresa se solidariza com seus amigos, familiares e colegas de trabalho.”

Com informações do Portal Imprensa

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here