Hamilton vence com ‘tática Villeneuve’, mas Rosberg é campeão com segundo lugar em Abu Dhabi

E finalmente chegou a vez de Nico Rosberg. Lewis Hamilton bem que tentou, a Red Bull também quase interferiu na briga e até a Ferrari fez uma pontinha nesse episódio final da temporada 2016 da F1. Só que o roteiro já havia sido muito bem amarrado ao longo dos 21 capítulos e a ‘season finale’ do Mundial, em Abu Dhabi neste domingo (27), viu mesmo a consagração do alemão da Mercedes, que exibiu um desempenho quase impecável e se colocou com justiça como protagonista. 

O evento final não teve uma grande reviravolta, redenções ou vilões, apenas refletiu um campeonato marcado pelo domínio inconteste dos carros prateados. Hamilton foi o vencedor da prova que precisava vencer, apresentou uma grande performance e até lançou mão da tática de segurar o rival – algo que tinha dito que não pensava fazer -, mas não foi o suficiente para bater o companheiro de garagem.

Rosberg, por sua vez, seguiu à risca o comportamento apresentado nas últimas corridas. Fez uma prova segura, mas não deixou de arriscar também, é preciso reconhecer. Quando Max Verstappen, sempre ele, surgiu como um fator de preocupação, o #6 não se fez de rogado e encarou o jovem de frente, executando uma bela e atrevida ultrapassagem na metade da prova. A ousadia lhe colocou em segundo – posição em que cruzou a linha de chegada e mais do que suficiente para, enfim, soltar o grito de campeão. Nico também se torna hoje o segundo filho de campeão a conquistar a honra máxima da F1.

Na frieza dos números, apesar da décima vitória em 2016, Hamilton vai fechar o campeonato cinco pontos atrás de Rosberg, em um ano em que a Mercedes se tornou tricampeã.

Mas não foi só o duelo no deserto que marcou a prova em Yas Marina. Jenson Button também brilhou neste encerramento, apesar do abandono precoce da corrida. O inglês foi reverenciado pelos fãs, pela McLaren e pela família. Ao descer da McLaren, que o deixou na mão por conta de uma falha de suspensão, o inglês foi mais uma vez elegante. Disse que vai sentir falta da F1 e que de nada se arrepende.

Outro adeus foi o de Felipe Massa. A história do brasileiro já havia sido devidamente cotada em Interlagos, mas Abu Dahbi foi um bônus. Felipe fez uma corrida consistente e levou à Williams aos pontos com a nona posição.

Confira como foi o GP de Abu Dhabi de F1

A F1 largou para a decisão do título com as equipes de ponta em estratégias diferentes. Enquanto os postulantes ao título, Lewis Hamilton e Nico Rosberg, saíram com os ultramacios – os compostos mais rápidos do fim de semana árabe -, Daniel Ricciardo e Max Verstappen, terceiro e sexto no grid, respectivamente, optaram pelos supermacios. O restante do top-10 também foi com os compostos de cor lilás, incluindo os dois carros da Ferrari.

E aí no entardecer em Abu Dhabi, o pole Hamilton partiu com a Mercedes #44 bem e tratou logo de fechar qualquer chance para o adversário Rosberg. Os dois contornaram a primeira curva seguros, assegurando o 1-2 da equipe prateada. Kimi Räikkönen também foi bem na saída e superou Daniel Ricciardo, para se colocar em terceiro. O australiano ainda teve de se defender de Sebastain Vettel, mas conseguiu permanecer à frente. Quem teve problemas na largada foi Max Verstappen, que saiu mal e ainda tomou um toque de Nico Hülkenberg na curva 1, caindo para o fim do pelotão.

Ainda no apagar das luzes, o mesmo Hülkenberg passou logo o companheiro de Force India, Sergio Pérez, para tomar o sexto posto. Fernando Alonso se colocou em oitavo, trazendo consigo Valtteri Bottas e Felipe Massa. Mais atrás, Felipe Nasr teve uma boa saída e cruzou a primeira volta em 14º.

© Fornecido por Grande Prêmio

Enquanto Hamilton já ia tentando abrir vantagem para Rosberg na ponta, Verstappen vinha recuperando as posições perdidas na largada. Na quinta volta, depois de belas ultrapassagens em Romain Grosjean e Daniil Kvyat, o holandês já figurava em 13º.

No giro seguinte, Massa superou Bottas para assumir o nono lugar – o finlandês abandonaria a corrida na sequência. Lá na frente, o tricampeão tinha 1s4 para Rosberg, que vinha 1s5 para Räikkönen, que estava apenas 0s8 à frente de Ricciardo. Vettel, Hülkenberg, Pérez, Alonso, Massa e Verstappen completavam os dez primeiros.

Aí teve início das primeiras rodadas de pit-stop. E o primeiro a ir foi exatamente o líder da corrida. Hamilton foi buscar os pneus macios na sétima passagem. O inglês foi seguido por Räikkönen, que também deixou os boxes com os amarelos. Rosberg veio logo na volta seguinte, saindo com os mesmos compostos dos dois primeiros – o alemão demorou um pouco mais nos pits. Vettel seguiu os rivais.

Na pista, a Red Bull preferiu ficar um pouco mais. Isso porque a equipe austríaca optou por largar com os supermacios. Assim, a liderança passou para as mãos de Ricciardo, que, inclusive, começava a virar voltas rápidas seguidas. O australiano vinha à frente de Pérez.

Só que aí Ricciardo também foi aos pits, chamando o mexicano também. E a ponta da corrida acabou retornando para as mãos de Hamilton. Ainda sem paradas, Verstappen surgiu forte em segundo, no meio dos carros prata. Rosberg se pôs em terceiro, à frente de Räikkönen, Ricciardo, Vettel, Hülkenberg, Button, Pérez e Grosjean. Massa vinha apenas em 12º, enquanto Nasr era o 19º.

Uma vez atrás de Max, a Mercedes já avisava Rosberg para ter cuidado. O alemão era avisado sobre o ritmo mais lento de Verstappen. Começava aí a se desenhar uma prova bastante tática.

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Logo depois, a corrida viveu seu primeiro drama. Fazendo provavelmente sua última corrida na F1, Button sofreu uma quebra da suspensão dianteira direita durante a freada da curva 9 e não teve alternativa a não ser abandonar a prova em Yas Marina. Isso tudo na volta 14.

Duas passagens depois, Daniil Kvyat surgiu lento pela pista, com problemas de câmbio, e acabou também deixando a disputa, parando o carro da Toro Rosso entre as curvas 10 e 11. O russo ainda teve tempo de voltar de bicicleta aos boxes.  O abandono foi o quarto da corrida, depois de Button, Bottas e Magnussen, ainda no início do GP árabe.

Na ponta, Hamilton já abria mais de 5s para Verstappen, que vinha perdendo ritmo com os supermacios e já enfrentava pressão de Rosberg. Mais atrás, Ricciardo se via em uma briga para passar Räikkönen e, ao mesmo tempo, se defendia de Vettel, que seguia os dois. Mas quem conseguiu mesmo uma ultrapassagem foi Rosberg. O líder do campeonato chegou rapidamente no holandês, colocou o carro por dentro na curva 11 e executou uma bonita manobra para recuperar o segundo lugar.

Aí o piloto da Red Bull logo foi aos boxes buscar os compostos macios, na volta 22. E a estratégia dos energéticos ficou bastante clara: Verstappen não pararia mais nesta corrida. O alerta foi dado pela Mercedes a Rosberg imediatamente. Dessa forma, a ordem da prova ficou sendo: Hamilton, Rosberg, Räikkönen, Ricciardo, Vettel, Hülkenberg, Pérez, Verstappen, Massa e Alonso, que fechava os dez primeiros. Nasr vinha em 15º.

Tentando antecipar a tática, os tetracampeões trataram de chamar Ricciardo aos boxes no giro 25. O australiano deixou so boxes para um último stint com os pneus amarelos também. As Mercedes, em contrapartida, optaram por permanecer um pouco mais na pista, assim como Vettel – a Ferrari seguiu a rival austríaco e fez uma parada com Räikkönen na sequência.

Daniel voltou em sétimo, logo atrás de Pérez, que já havia sido ultrapassado por Verstappen. Kimi, por sua vez, se colocou atrás do mexicano, que também foi superado pelo australiano neste meio tempo. Aí foi a vez do piloto da Force India ir aos boxes.

E quem veio também foi Hamilton. A equipe prateada chamou o inglês na volta 29 para mudar para macios novos. Rosberg foi aos pits na passagem seguinte. Com as paradas dos carros de Stuttgart, Vettel assumiu a liderança momentaneamente.

Mais atrás, Hamilton e Rosberg surgiram muito próximos na pista – o mais perto que já estiveram durante a corrida, em segundo e terceiro. E os dois vinham sendo seguidos também de muito perto pelos dois carros da Red Bull. Só que o pulo do gato aí foi dado pela Ferrari.  Isso porque o tetracampeão parou e voltou com os supermacios. E voou por Yas Marina.

O ferrarista retornou atrás de Räikkönen e foi caçando um a um seus adversários, enquanto os dois carros da Mercedes iam à frente, com Hamilton claramente segurando o ritmo, em uma última tentativa de tirar o título do colega de equipe.

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Com cinco voltas para o fim, Sebastian passou Verstappen para assumir o terceiro lugar.  E foi para cima de Rosberg. Não foi o suficiente. Nico ficou mesmo em segundo e conquistou o tão sonhado título, mesmo com o ataque de Vettel e o ritmo mais lento de Hamilton, que acabou vencendo em Abu Dhabi.

O piloto da Ferrari ainda cruzou a linha chegada golado nas duas Mercedes, em terceiro, logo à frente de Verstappen e Ricciardo. Räikkönen foi o sexto, com Hülkenberg, Pérez, Massa e Alonso completando os dez primeiros.

A F1 volta agora em 2017, no fim do mês de março, com o GP de Austrália.

Do Grande Prêmio

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